Pensamentos

Ultrapassada

ultrapassadaNo mundo em que vivemos, se valoriza muito a mulher que “corre atrás e batalha pelo que quer”. Mas, o que é correr atrás e batalhar pelo que se quer para o mundo?

Para as pessoas em geral, as mulheres admiráveis, que batalham e correm atrás, são aquelas que fazem pós-graduação, às vezes não casam e nem têm filhos (pra não atrapalhar sua carreira), se tornam conhecidas por causa da sua profissão e, mesmo que entrem em algum tipo de relacionamento, não deixam que os homens as “dominem”. Dizem que irão fazer o que quiserem, e não querem ninguém “dando pitaco” em suas vidas.

Pouco se fala das mulheres que querem se formar, mas também noivar, casar e ter suas famílias. Essas são consideradas “ultrapassadas”, paradas no tempo, retrógradas. A escritora norte-americana, Ellen G. White, diz: “As jovens entendem ser coisa servil cozinhar e fazer outros serviços domésticos…” A Ciência do Bom Viver, pág. 302. Hoje, o machismo desprezível de outrora, que humilhava uma pessoa apenas pelo fato de ela ser do assim chamado “sexo frágil”, cedeu lugar a um feminismo ferrenho e tão desprezível quanto o seu oponente.

Podem me chamar de atrasada, mas eu creio no casamento. Creio que foi instituído por Deus, creio que é algo que Ele aprova e creio que não há nada de vergonhoso em admitir que se quer casar, em vez de dar uma de “moderninha” e dizer que “é melhor só que mal acompanhada” ou que “não quero ninguém pegando no meu pé”. Afinal, foi o próprio Deus que disse que não era bom que estivéssemos sós. “Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre o homem, e este adormeceu; tomou-lhe, então, uma das costelas, e fechou a carne em seu lugar; e da costela que o senhor Deus lhe tomara, formou a mulher e a trouxe ao homem. Então disse o homem: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; ela será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne.” Gênesis 2:21-24.

Citando ainda E. G. White, lemos que “Muitas senhoras consideradas bem educadas, diplomadas com distinção em alguma instituição de ensino, são vergonhosamente ignorantes dos deveres práticos da vida. São destituídas das qualificações necessárias para a devida regulamentação da família e por isso mesmo essencial a sua felicidade. Podem falar da elevada posição da mulher e seus direitos, mas elas mesmas ficam longe de alcançar a verdadeira posição da mulher.” O Lar Adventista, pág. 87. Tenho que concordar com ela. Não sou machista, nem tampouco feminista. Não acredito na superioridade de um sexo sobre outro. Não defendo uma mulher só porque ela é mulher e eu também. Tento sempre ficar do lado que considero certo, independente de qual seja ele. E não acho que uma mulher só seja batalhadora e lutadora quando quer ser mais do que os outros ao seu redor, e que quer pisar e humilhar os homens só porque eles são…homens.

Pra mim, batalhadora é aquela mulher que trabalha pra ajudar o esposo a sustentar a família, e que além disso, cuida dos filhos, da casa e está sempre procurando dar o seu melhor àquele a quem ela ama. Não se incomoda com o “agradar o marido”, aliás, vive para isso, pois vê nele não um concorrente, mas o seu melhor amigo, o seu amante, o seu amor. Batalhadora é a profissional que sofre ao ter que renegar parte do tempo que poderia passar com a família, em prol do emprego. Batalhadora é a mulher que mesmo cansada do dia, prepara o alimento para sua família, não porque é obrigada a tal, mas por amor, pura e simplesmente. Batalhadora é a mulher que sabe que as pessoas são mais importantes que as coisas, e que o tempo que ela dedica ao seu lar trará muitos frutos, melhores e mais importantes que aqueles que adviriam caso a única coisa à qual ela se dedicasse fosse a sua profissão.

Eu não estou dizendo que a mulher não deve ter sua profissão, não pode fazer sua pós-graduação. Eu terminei um curso superior – que exigiu muito de mim, diga-se de passagem – e pretendo fazer uma especialização. Mas não quero deixar que isso seja a coisa mais importante da minha vida. Não quero ser o tipo de pessoa que acha que ser independente e bem-sucedida resume-se a crescer profissionalmente e esmagar os outros ao seu redor, impedindo a si mesma de ser feliz. “Os livros devem ser postos de lado até o seu devido tempo, e nenhum estudo mais que o que se pode atender sem prejuízo dos deveres domésticos devia ser tomado. O estudo de livros não deve absorver a mente ao ponto de negligenciar os deveres de que depende o conforto da família.” O Lar Adventista, pág. 89. E isso ela fala a ambos os sexos.

Não estou dizendo também que a mulher que acha que ‘casar está fora de moda’ e que ‘preocupar-se com o bem-estar daquele que se ama é “ser dominada”‘, é mal-amada, que sofreu uma decepção amorosa e agora só pensa em trabalhar e maltratar todos os homens que aparecerem na sua frente, como forma de se vingar daquele outro que a magoou. Mas uma mulher que pensa assim parece estar fugindo de algo que a perturba, mais do que querendo mostrar que é superior.

Ser livre, ser independente, ser batalhadora, não é se formar, fazer um mestrado e não depender nem ser “dominada” por ninguém. Ser verdadeiramente livre é poder fazer as suas escolhas, sem se importar que o mundo pense que você é atrasada. Ser batalhadora é lutar por algo que se quer, inclusive por um amor. Ser bem-sucedida é ter um casamento feliz, quando tantos acabam em divórcio. Correr atrás é persistir na busca por um sonho, mesmo que ele pareça muito distante ou impossível.

Eu não sei se sou uma batalhadora. Mas não me envergonho de dizer que lutei para terminar o meu curso. Que meu relacionamento não aconteceu por acaso, mas sim porque Deus permitiu, e porque Ele nos deu forças – a mim e a meu esposo – para lutarmos. Lutarmos com a saudade, lutarmos com a distância, lutarmos com o nosso próprio eu. Ei! Espere um pouco… Somos batalhadores, sim… Meu esposo e eu. Batalhamos pelos nossos sonhos. Juntos. Tenho alguém que cuida de mim, e quer saber como foi o meu dia, e gosta de me dar conselhos. Tem gente que acha isso horrível. “Não quero ter ninguém para quem dar satisfações”, dizem. Não vejo isso como “ele quer me dominar” ou “ele pega no meu pé”, mas sim como algo lindo e maravilhoso, de alguém que não só se importa comigo, mas me ama. Não ando sozinha, lutando sozinha para mostrar a sei lá quem que eu sou melhor do que todo mundo e não preciso de ninguém. Não. Estou lutando ao lado de outra pessoa. Pelos mesmos ideais. Pelos mesmos sonhos…

E é bem melhor assim…

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