Pensamentos

Ser ou não ser romântica

romantiqueEu me acho uma pessoa romântica. Adoro quando meu esposo me dá flores, quer seja uma surpresa, quer eu o veja comprando na hora (como aconteceu no último sábado à noite, quando saímos pra jantar fora — outra coisa que amo). Adoro ver “Como se fosse a primeira vez” com ele. Um filme simples, mas bonito, que mostra o que deveria acontecer em todo relacionamento: um lembrando o outro todos os dias o quanto se amam. Amo ver com ele a cena de Friends em que Chandler pede Monica em casamento (e olha que já vimos várias vezes, mas nunca me canso, e sempre me emociono). Amo quando ele manda mensagens pro meu celular, e como não cansa de dizer que me ama. Acho que isso pode me caracterizar como ‘romântica’, certo?

MAAAAAAAAAS… E se eu disser que odeio comédia romântica? Se disser que não acredito naqueles finais felizes dos filmes, ou em almas gêmeas, ou em “príncipe encantado”? Se eu disser que não acredito que exista o “Mr. Right”, que o beijo vai dizer como vai ser o relacionamento, ou que não consigo engolir aquela ideia de “que o amor prescinde de conversa, pois um apaixonado pode ler o pensamento do outro” ou “quando o cosmos entra em ação, não é necessário esforço, apenas a sorte de estar no lugar certo, na hora certa. Basta não discutir com os deuses e deixar que os olhares e a sintonia de pensamentos fluam”, como foi falado numa das revistas Istoé, de março desse ano (que comenta sobre o impacto negativo das comédias românticas nos relacionamentos)? Você ainda me acharia romântica?

Venho constatando pelas minhas leituras no mundo virtual que, infelizmente, a ideia de romantismo anda bem deturpada ultimamente. As pessoas pensam que ser romântico é tudo isso que falei no parágrafo anterior. Acham que tudo vai acontecer como num passe de mágica. Que o príncipe (ou princesa) vai cair do céu, que vai ser exatamente como você o viu “nos sonhos” (mode Bela Adormecida on kkkk), que ele vai adivinhar tudo o que você pensa, mesmo sem que você fale nada (como naqueles joguinhos que nós mulheres somos experts em fazer: “O que tá havendo?”, ele pergunta. E você: “nada”. E pensa: se ele me amar mesmo, vai saber o que é que está havendo. Quanta bobagem! Os homens veem as coisas de modo completamente diferente das mulheres, e, a menos que você entenda isso, a comunicação vai ser péssima entre vocês, e isso pode até acabar com o relacionamento. Pra um entender bem o outro, deve haver um esforcinho da parte de ambos. As coisas não acontecem do nada…). Que ele vai ser lindo, o nome dele vai começar com a letra tal (tem gente que não namora por causa do nome do outro, isso não é lenda), e mais um monte do que eu chamaria de “abobrinha”.

Se ser romântico é isso aí, eu estou fora! Relacionamentos são simples, mas a gente os complica, simplesmente porque queremos que seja tudo como nos filmes, uma vez que nos acostumamos tanto a assistí-los, que não admitimos outra realidade qualquer. Porém, sinto em informar, a vida real não é o que você vê todo sábado à noite na telinha. Pra ter um bom relacionamento, quer seja ele namoro, noivado ou casamento, você precisa se esforçar. “Esforço?”, alguém pode estar pensando, “mas isso não é nada romântico!” Pois eu digo que sim, é necessário esforço.

Eu não penso como algumas pessoas mais velhas que você pode casar com alguém sem amar, e que isso vem com o tempo. Não. Pra casar é preciso haver amor. Não é preciso amor pra namorar, afinal, você nem conhece direito a pessoa, como pode haver amor (também devo dizer que não acredito em amor à primeira vista — acho que agora você vai mesmo abandonar a leitura do post, não?)? O que há é algum interesse, quem sabe coisas em comum, atração física. E aí, as duas pessoas começam a namorar para ver no que vai dar aquilo ali. Pode ser que o interesse aumente e se torne amor, como pode ser que nada aconteça e o namoro termine. É por isso que a gente namora antes de casar. Pra analisar e ver se vai dar certo ou não. Mas, mesmo quando a gente está amando tanto o outro que resolve casar, ainda assim há a necessidade de esforço. Uma vez li numa comunidade do orkut a seguinte frase: “Casamento devia ser que nem vestibular, pra fazer, teria que estudar muito antes.” E como eu concordo com isso! Tem que estudar sim, não só antes, como também durante! Ler muito sobre relacionamentos, sobre as diferenças entre homem e mulher, conversar com pais e amigos casados, pesquisar, estudar, estudar e estudar…

Mais uma vez citando Friends (e eu adoro citar essa frase, devo ter feito isso um zilhão de vezes na vida real e mais outras tantas aqui no blog), eu gosto muito quando, em certo episódio, Monica fala que ela não acredita em almas gêmeas, e que o que ela tem com Chandler (na época já estão casados) foi conseguido com muita luta, com muito esforço da parte de ambos. E eu creio nisso também. Há necessidade de esforço, constante aprendizado, leitura de material confiável sobre o assunto. Precisamos aceitar uma coisa: homens e mulheres são diferentes. Se você se identificou com a “cena” que criei anteriormente, da mulher que quer que o homem adivinhe o que ela está pensando, saiba: ele NÃO vai adivinhar. Ele nem vai se dar ao trabalho de pensar no que poderia ser. Simplesmente porque o homem é super racional. Se você diz: “nada está acontecendo”, ele entende exatamente isso. Nada está acontecendo, não preciso me preocupar. Se você se decepcionou com isso, não achou nada romântico, só tenho a dizer: sinto muito. Mas a vida é assim mesmo. E do mesmo modo que há características dele que você não aprecia, há em você coisas de que ele também pode não gostar muito… E, claro, nem toda mulher é como aquelas que você vê em comédias românticas, e nem todo homem é igual, vai depender muito de como funciona o seu cérebro: se ele é mais masculino, feminino ou intermediário. Sugiro que você leia “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?” pra fazer o teste e entender melhor o assunto.

O fato é que somos diferentes. E por isso precisamos nos dedicar ao estudo um do outro, se é que queremos nos relacionar melhor. É nisso que acredito, e não em contos de fada modernos. Por isso que falo tanto aqui no blog sobre relacionamentos. Procuro compartilhar o que aprendo com livros, palestras, seminários, encontros de casais, aconselhamentos pastorais (sempre conversávamos sobre isso com o pastor que nos casou, pena que ele foi pros EUA fazer doutorado, sinto falta das visitas…ele sempre falava que nunca deveríamos ir dormir brigados e sempre lembrava de quando teve que ir dormir às 3 da manhã pra resolver umas “pendências” com a esposa, só dormiram quando fizeram as pazes…isso também já aconteceu comigo e meu esposo, e graças a Deus, temos sempre seguido o bom conselho). E também, claro, com o que tenho aprendido com a vida, que tanto nos ensina. Acho de extrema importância esse assunto, e aprendo muito enquanto leio e escrevo…

Se isso não é ser romântica, então, realmente, não o sou. Afinal, o que são rótulos? Prefiro crer no que sei que é real, que dá certo, que ajuda em vez de atrapalhar. E se eu puder auxiliar outros com esses posts, aí então terei certeza de que é melhor mesmo não ser “romântica” como o mundo vê. O amor não é um sentimento barato, mas um princípio, uma decisão tomada diariamente.

É o amor um dom precioso, que recebemos de Jesus. A afeição pura e santa não é sentimento, mas princípio. Os que são movidos pelo amor verdadeiro não são irrazoáveis nem cegos. (Ellen White, O Lar Adventista, pág. 50)

O amor é sempre uma decisão. É isso que o torna significativo. (Gary Chapman, As cinco linguagens do amor, pág. 41)

Lembre-se: o amor não é um sentimento. Trata-se de uma atitude, um comportamento, uma forma de pensar. O amor é a atitude que declara: “Escolho cuidar de seus interesses. De que maneira posso ajudar você?” (Gary Chapman, Como lidar com a sogra, pág. 99)

E é nesse amor que acredito…

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2 opiniões sobre “Ser ou não ser romântica

  1. E é nesse amor que eu acredito também! Um sentimento que vem da decisão consciente e diária de amar, incondicionalmente. Gosto muito dos teus posts sobre relacionamentos, as referências são impecáveis. E agora fiquei curiosa para os tais episódios de Friends, que não assisti…

  2. Eu também tenho a mesma visão que você tem sobre o amor, por isso as vezes fico um pouco preocupada com meu relacionamento, não há tanto romantismo, não vivemos num conto de fadas, mas também não há o companheirismo nescessário, e para melhorar, tenho uma pessoa ao meu lado, que costuma durmir sem resolver os problemas, e finalizar as brigas.

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