Pensamentos

Case Com Seu Terceiro Namorado

200295287-001Aqui um texto do Stephen Kanitz, que ficou muito famoso com um artigo da Veja, “O contrato de casamento” que já publiquei no blog. Nesse que estou trazendo para vocês hoje, ele fala sobre com qual namorado casar. Após o texto, colocarei meus comentários 😉

Um livro que li há 30 anos sobre estatística e matemática apresentava este conselho frio e calculista, que funcionava mais ou menos assim: Case com a sua terceira namorada/o e ponto final.

Embora este conselho pareça ridículo, do ponto de vista estatístico não é uma regra tão descabida assim.

Sua primeira namorada ou namorado, provavelmente foi escolhido/a de uma amostra de seres humanos, algo entre 20 e 50 amigos.

Ela ou ele é a/o melhor deste seu grupo de amigos, mas por ser uma amostra de um grupo pequeno, ela ou ele obviamente poderá não ser a melhor ou melhor que se tem no mundo como um todo.

Mas estatisticamente podemos dizer que o escolhido/a está bem acima da média dos homens e mulheres, algo em torno do 95% percentil.

fig1

Seu segundo namorada/o, se você de fato fez a sua lição de casa, deverá ser um pouco melhor do que o primeiro, já que você fez um upgrade.

Seu segundo namorado ou namorada agora é melhor do que 97% de tudo que você poderia ter.

Assim sendo, você deve ter melhorado a sua amostragem estatística, para alguém digamos no 97% percentil.

Gráfico 2:

fig2

Faça isto mais uma vez, uma terceira namorada, que apesar de todos os seus defeitos estará no 99% percentil ou algo próximo disto.

Gráfico 3:

fig3

Você nunca poderá namorar todo mundo do mundo, antes de decidir, e portanto o 100% ou 99% normalmente é uma meta impossível. Além do mais é neste grupo que se encontram a Cameron Diaz e George Clooneys.

Portanto diz a teoria, case-se com sua terceira namorada. Até porque não tem algo muito melhor dando sopa por aí.

Mas tem outra razão para esta regra.

A melhoria que você poderia almejar continuando a sua busca pela mulher perfeita, não é uma melhora tão significante assim.

Depois da terceira escolha, as chances de você piorar sua situação é grande, porque elas e eles não ficam dando sopa eternamente e seu universo poderá começar a diminuir à medida que todos forem se casando.

As chances de você ficar com nenhuma esposa ou marido são maiores do que continuar à sua procura.

Este é o atual problema de muitas mulheres de carreira que decidem se casar aos 34. Elas acabam tendo a sensação de que os homens não são como antigamente, e não aceitam casar com alguém inferior a algum antigo namorado.

Não, os homens não estão se deteriorando, os melhores simplesmente estão se casando e saindo do mercado dos disponíveis.

Eu só estou escrevendo isto, porque muitos leitores do meu artigo “O Contrato de Casamento”, publicado na Veja, ficaram com a impressão que eu estava sugerindo casamento sem fazer muita escolha, e concentrar em melhorar o relacionamento.

Escolha sim, mas não exagere, o príncipe perfeito não existe, nem a princesa, e trabalhar no relacionamento é a saída correta, quanto antes melhor.

Concentre-se em melhorar o relacionamento com a pessoa que já está ao seu lado, do que gastar a mesma energia tentando achar alguém perfeito. Estatisticamente dá na mesma.

(Stephen Kanitz, “Case Com Seu Terceiro Namorado/a”)

Fico imaginando o que irão pensar quando eu escrever aqui que concordo com o texto…

Mas eu concordo sim, porque entendo que não se trata meramente de sair contando quantos namorados você tem e, num determinado momento, parar e dizer: “Pronto, é com esse que vou casar.” Creio que Kanitz está falando não tanto de números quanto de escolhas equivocadas. Se fosse pelos números, eu estaria frita, porque casei com meu segundo namorado. Então, teria que me divorciar e namorar um terceiro, para só então casar. E não é por aí…

Ele fala de fazer boas escolhas, claro, pesquisar, não sair casando com o primeiro que aparece, só pra não “ficar pra tia”. Mas cuidar para que essa coisa de escolher não se torne em obsessão pela “perfeição”. A gente precisa namorar, analisar direitinho, ver as características daquela pessoa com quem estamos, e, quando tivermos certeza de que ela — apesar de seus defeitos — é alguém que me trata bem, alguém com quem posso ter conversas maravilhosas, alguém que me entende e me aceita como sou, alguém que me respeita, que me deseja e que, acima de tudo, realmente me ama, podemos tomar a próxima decisão, que é casar, ficar pra sempre do lado dela. Sem mais delongas…

Mas não é assim que alguns fazem, e é isso que ele critica. Ficam escolhendo, escolhendo, escolhendo, e nunca se dão por satisfeitos. Creio que nem que dessem de cara com um George Clooney ou Cameron Diaz, como ele cita, se contentariam, porque quando percebessem seus defeitos, iriam logo pensar: “é, deve ter alguém melhor, vou continuar procurando.”

Sempre vai ter alguém melhor, mas essa não é a questão. Aquela pessoa com quem você não está pode não ser perfeita no sentido de não ter nenhum defeito, mas pode ser a pessoa perfeita para você. Então, deve-se escolher bem sim, mas não passar a vida toda nessa escolha, porque se for ficar pensando na perfeição, nunca vai encontrar ninguém. Lembre-se de que nem você é perfeito, portanto não dá pra ficar exigindo isso dos outros.

O que ele falou é verdade: há mulheres que estão buscando há tanto tempo, que começam a comparar os homens de hoje com os namoradinhos da adolescência ou de alguns anos anteriores. Gostei do que ele disse: “Não, os homens não estão se deteriorando, os melhores simplesmente estão se casando e saindo do mercado dos disponíveis.” E isso porque alguém mais esperta do que essas mulheres viu naquele rapaz o que elas não conseguiram ver, cegas que estavam em busca da perfeição, e agora simplesmente é tarde…

Termino com mais um trechinho dele, perfeito a meu ver: “Concentre-se em melhorar o relacionamento com a pessoa que já está ao seu lado, do que gastar a mesma energia tentando achar alguém perfeito. Estatisticamente dá na mesma.”

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