Pensamentos

Ano novo=resoluções? Nem sempre…

Estive viajando dos dias 19/12 até 03/01, motivo pelo qual fiquei sem postar. Durante esse tempo, pensei em mil e duas coisas pra escrever no blog, mas nenhuma tinha muita consistência, e as ideias acabaram se tornando fumaça.

Mas houve algo que ficou me martelando e hoje finalmente resolvi parar e escrever — afinal pra muitos os enfeites de Natal são retirados apenas hoje, que é Dia de Reis, ou seja, pra muitos a “holiday season”, ou época de festas terminou só agora. Então, nada melhor que começar postando no Dia dos Reis Magos…

Bem, o fato é que, em todo começo de ano, o pessoal vem com aquela história de “resoluções”. E falam sobre como isso é legal, e importante, e sobre como todo mundo devia fazer sua própria listinha. E quem não gosta nem tem muita paciência pra isso, como eu, acaba sendo tachado de tudo quanto é coisa ruim.

Acontece que pra mim a vida continua. Gosto muito de uma frase de Fernando Pessoa que diz: “Ano Novo – Ficção de que começa alguma coisa! Nada começa: tudo continua.” Pra mim isso resume bem o que penso. Como bem disse o jornalista Michelson Borges em seu blog, “A ideia de ano novo é uma ilusão temporal criada pelo ser humano. Tecnicamente, nada muda do dia 31 para o dia 1º, exceto o fato de que a Terra deu mais uma volta em torno de sua estrela.”

É por isso que não sou fã dessa história de resoluções. Eu tenho metas para a vida. Não para um ano. Ou que só podem começar quando começa um novo ano. Por exemplo: quis emagrecer ano passado, comecei em Novembro. Podia ter esperado pra Janeiro deste ano, mas achei melhor não. Se queria emagrecer e podia começar uma dieta em Novembro, por que esperar até Janeiro? Se preciso mudar algo no meu jeito de ser, se sou muito crítica, ou grossa, ou falo sem pensar, por que não começar tentando mudar isso hoje? Por que esperar o início de um novo ano pra isso?

Numa das comunidades de que faço parte no orkut, escrevi algo (o tópico era sobre a virada do ano) que queria compartilhar com vocês, sobre algumas decepções que temos ao findar um ano (e das quais dificilmente nos lembramos no início do ano, coisa que deveríamos fazer…):

“Nosso mal é que esperamos demais de um ano “novo, e quando as coisas que almejamos não acontecem ficamos muito decepcionados. E não precisaria ser assim, se apenas entendêssemos que nada muda, apenas os dias continuam a passar: continuamos estudando e/ou trabalhando (eu mesmo volto a trabalhar no dia 4), continuamos tendo contas a pagar no fim do mês, continuamos tendo que comer, vestir, cuidar da saúde, ir à igreja e manter comunhão com Deus. Nada muda. Tudo apenas continua…

Não há necessidade de colocar um peso enorme nas costas dizendo: “ano novo começo o regime, ou “ano novo compro um carro. Não faça isso. Não fique planejando. Apenas aja. Não espere o ano novo”, comece agora. Não coloque toda sua esperança num ano. Faça agora. E as coisas vão acontecendo. Se no final do ano não acontecer tudo que você esperava, você não vai precisar se preocupar, porque a vida continua e os dias vão passando e você vai continuar tentando…”

Acredito que a vida vivida assim se torna mais leve do que com as milhares de pressões que colocamos sobre nós ao início de cada ano, com expectativas muitas vezes irreais e que talvez nunca se cumpram. Com tudo isso, não quero dizer que não me planejo, que não sonho, que não idealizo; não sou adepta da filosofia de vida de Zeca Pagodinho ¹. Mas que estou tentando viver um dia de cada vez.

E pelo visto, não sou só eu que penso assim: sem querer, encontrei dois textos na internet que falam sobre o não fazer resoluções, aqui e aqui. O segundo achei mais interessante, mas de qualquer forma, vale a pena ler os dois. O fato é, ainda que esse ditado seja mais que batido, ele continua valendo: não deixe pra depois o que pode fazer hoje. E o que não puder fazer hoje, vá planejando e sonhando, para fazer quando a oportunidade vier, e não apenas quando um ano novo começar.

“Não considero errado ou pecaminoso aproveitar o início de um novo ano para avaliação da vida no passado recente e definição de prioridades para os doze meses seguintes. Além disso, concordo plenamente com aqueles que afirmam não existir um momento mais propício para tanto do que as tradicionais viradas de ano. … Não tenho claro em minha mente se existem grandes mudanças que devo efetuar, muito menos se existem novos projetos nos quais devo me envolver; tampouco estabeleci grandes metas pessoais, familiares ou profissionais. Envolvido pelos braços fortes e amorosos de Deus, fui convidado a simplesmente estar e descansar. Entendi que este era o projeto de Deus para minha vida no ano que se iniciava.” (Palavras de Ricardo Agreste, que bem poderiam ser minhas, pois concordo plenamente com ele…)

¹“Deixa a vida me levar, vida leva eu…”

Anúncios

Navegação de Post Único

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: