Pensamentos

Falso, eu?

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.

(Versos Íntimos – Augusto dos Anjos)

Eu não sou do tipo de pessoa que consegue ser amiga de todo mundo, e de quem todo mundo gosta. Aquela tida por “boazinha”, querida, etc. Não, não digo isso como uma forma bigbrotheriana de me gabar. Não creio que isso seja motivo de vanglória, tampouco de vergonha. É assim que sou. Talvez por ter opiniões que quase sempre vão de encontro ao que a maioria pensa. Talvez por ter opiniões. Talvez por não me enquadrar em certos “padrões” esperados… Enfim, não sei. O fato é que sou assim.

Não me espanta, porque o próprio Jesus tinha os doze, aqueles mais achegados. E dentre os doze, tinha Pedro, Tiago e João, os mais próximos ainda. É normal que a gente tenha pessoas que nos são mais próximas, porque são mais parecidas conosco. E não quer dizer que odiamos todos os demais, quer dizer simplesmente que aqueles são mais próximos. Só isso.

Claro, há também aqueles que são um pouco mais que “distantes”. Eles não conseguem ser nossos amigos, ou nós não conseguimos ser amigos deles. Mas ainda assim não os odiamos, apenas não temos afinidades. Às vezes, sempre foi assim — a outra pessoa em nada combina com você, não há qualquer afinidade, por mais que se tente criar um clima de amizade, ele não vinga –, em outros casos, conforme vamos ficando mais velhos, ou nós mudamos, ou o outro muda, e simplesmente não há mais como manter amizade. E com essas pessoas, eu não tenho amizade mesmo. Eu não tenho “beijinhos e abraços”. Não fico mandando recadinhos no orkut, twitter e afins, não puxo conversa no MSN. Simplesmente não preciso ter contato com essas pessoas. E por isso, claro, sou tida como chata.

Mas, sabe? Eu prefiro ser chamada de chata do que de falsa. Chatos são chatos, mas são sinceros. E os falsos? Esses são os piores. É muito triste ver uma pessoa agindo falsamente, falando bem de você na sua frente e por trás o criticando. Eu não estou me achando, não. Tenho muitos defeitos. Não sou melhor que ninguém, nem estou dizendo que a falsidade é irremediável, ou o pior defeito que alguém possa ter, mas esse é um daqueles posts-desabafo, sabe? Eu simplesmente não entendo como é que a sociedade parece que valoriza mil vezes mais o falso que o “chato”. Pra você se dar bem e ser o queridinho, tem que ser assim… Pra esses, talvez, os versos do paraibano do século lá em cima (de quem sou fã, por sinal) podem parecer muito fortes e nojentos. Mas na grande maioria dos casos são verdadeiros. E o asco que causam deveria ser o mesmo a ser sentido diante de falsidades.

Não estou aqui pregando o ódio. Se você não é amigo de alguém, seja porque a pessoa — como diria o Kiko — não vai com a sua cara, ou porque você não conseguiu fazer amizade com ela, você não precisa desejar mal a ela, planejar ou mesmo executar maldades contra ela, nem nada disso. Ore por essa pessoa, ajude-a se precisar, cumprimente e seja educado. Mas não precisa ser falso. Deus abomina isso, e a maioria dos seres humanos também. Eu sou um deles.

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Uma opinião sobre “Falso, eu?

  1. margarida em disse:

    me identifico 100%!

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