Pensamentos

Mulheres maravilhosas

Ontem eu já estava pensando em abordar esse assunto aqui no blog, mas ainda não sabia como. Aí hoje cedo me deparei com esse texto. E veio a ideia que faltava! Na verdade, ainda quero escrever um post só sobre baixa autoestima, e como isso se relaciona com inveja e comparações. Mas aqui já vou começar a dar uma pincelada, só que tendo como ponto de partida um certo mito — pelo menos a meu ver — com relação às mulheres.

Eu não vou colocar o texto do post que citei aqui. Desculpem-me mas o espaço já é pouco, eu já escrevo demais, e ainda por cima não dá pra ficar pondo aqui um monte de baboseiras coisas com as quais não concordo. Portanto, se vocês quiserem saber melhor sobre o que ele fala, cliquem no link, please.

O fato é que, resumidamente, o texto diz que 99,99% dos homens (ao que parece, a autora quis ser boazinha com eles) não podem lidar com a “inteligência” e o “poder” das mulheres maravilhosas (que, segundo ela, são aquelas que “Saíram da barra da saia dos pais e das mães, estudaram enquanto moravam sozinhas e trabalhavam, e ainda encontravam tempo para receber os amigos e colegas em sua casa ou apartamento de estudantes…tinham namorados quando eram jovens. Mas parece que não dava certo, parece que nunca estavam no mesmo tempo. Elas, sempre à frente. Se formaram…trabalharam mais do que escravas…” e mais um monte de blá-blá-blá).

Uma das mulheres que comentaram o texto perguntou algo muito inteligente: “Estou ficando cansada dessa história que porque somos tão maravilhosas estamos sozinhas… porque não encontramos esse 0,01% que nos banque… Homens, vcs realmente concordam com isso? Vcs não podem com a gente? Vcs realmente fogem no primeiro sinal de dificuldade? Esquecemos o significado das palavras “construir” e “juntos”?”

Isso me levou a uma série de questionamentos, que se uniram aos que eu tinha desde ontem. Se as mulheres “modernas” e “liberadas” levam tanto em conta a carreira, a profissão, o trabalho, se isso é o que realmente é mais importante — e segundo o texto em questão é — por que elas vivem lendo livros toscos estilo “como agarrar seu homem”, se queixam incessantemente de que estão carentes, de que o relógio biológico está “tocando”, e no dia dos namorados choram que nem condenadas, agarradas a um urso de pelúcia e uma caixa de chocolates? Não parece um contra-senso?

Mas aí vem a ‘sábia’ autora do blog citado e responde: é porque somos lindas e maravilhosas e os homens, esses covardes, morrem de medo de nós! Cá entre nós, não concordo plenamente, e depois vou comentar sobre, mas com essa atitudezinha boba de “mulheres são melhores que homens” — que nunca leva a lugar nenhum, pois não somos melhores que eles nem eles são melhores que nós, e essa é uma discussão em que nunca se chega a denominador comum, ou seja, perda de tempo — aí é que os homens se afastam mesmo. Você iria gostar de ser criticada o tempo todo e ainda ter que dar atenção a essa pessoa que te critica? Pense…

Pois bem, mas ao refletir no assunto, me veio um pensamento, que passou a ser recorrente nos últimos tempos, pois não só a mulher que escreveu o texto como boa parte da mídia e da sociedade pensam dessa forma (mulheres ‘poderosas’ dão medo nos homens): então quer dizer que não sou maravilhosa, linda, inteligente, culta, esforçada? É isso? Pois se namorei, noivei e casei, sendo que quase 100% dos homens temem mulheres com as características que citei, isso quer dizer que provavelmente não tenho nenhuma ou quase nenhuma delas.

Chega a ser patético quando penso que essa ideia passou pela minha cabeça. Mas sim, passou. Eu, infelizmente, ainda me incomodo muito com opiniões alheias, com o que o outro pensa. Pra muitos — e eles estão certos — eu nem deveria me dar ao trabalho de pensar nessas coisas, que dirá de me achar tosca porque casei, ou seja, um homem me quis, então não devo ser tão “maravilhosa”.

Aí, comecei a analisar minha vida: me casei aos 28 anos, idade com a qual uma mulher “maravilhosa” deve estar concluindo seu Ph.D., não é mesmo? Sim, porque senão não é poderosa (estou sendo irônica, pra quem ainda não notou, até porque muitas dessas mulheres que se auto-denominam ‘poderosas’ talvez nem tenham terminado a faculdade). Mas antes de casar, eu fiz Medicina, numa universidade federal (não que meu curso ou a faculdade em que o fiz sejam a coisa mais importante pra mim, mas menciono pra que se entenda meu ponto de vista). No último ano, num dos estágios (onde temos vivência com comunidades distantes das grandes cidades para melhor entendermos como funciona o Programa de Saúde da Família nelas), tive que morar, por dois meses, numa casa com vários outros estudantes da área de saúde, numa das cidades da PB mais distantes da capital, João Pessoa. Depois que me formei, me mudei para a cidade onde meu noivo estava estudando, pois queria logo arranjar emprego e alugar um apartamento. Morei sozinha por dois meses, antes de casar.

Talvez eu não tenha “saído da barra da saia dos meus pais” tão cedo, talvez não tenha tido tanta experiência em morar sozinha, talvez tenha me casado “cedo” para os padrões atuais, e por causa deles mesmos, não seja considerada “poderosa” por não ter um mestrado, pelo menos. Mas eu sou alguém, tenho valor, sou inteligente, culta, esforçada e independente, não preciso do meu esposo para pagar minhas contas, posso até dizer que não preciso dele para viver, no sentido de que consigo me virar sozinha. Estou com ele porque quero, e porque o amo, acima de tudo.

E não só eu, mas amigas e primas que tenho, que são casadas, algumas até têm filhos, e são profissionais bem sucedidas, que estudaram e ralaram muito pra chegar onde estão hoje — todas nós somos provas de que os homens DE VERDADE gostam mesmo é das inteligentes, daquelas com quem podem conversar sobre qualquer coisa, daquelas que são esforçadas, trabalham fora, e eles nunca vão pensar que elas estão com eles porque querem dar “o golpe”, e sim porque o amam. Ou seja, o que quis dizer com toda essa conversa que já cansou vocês é que a teoria da moça que citei lá em cima é FALSA. Eu e outras mulheres que conheço somos prova disso.

Além do que, temos que rever esse conceito de “poder”: não é só “poderosa” ou “maravilhosa” aquela mulher que fez mil mestrados e três mil doutorados (eu escrevi mais sobre isso aqui). Nem também o é aquela que acha o máximo sentir que está “subjugando” o homem. Isso é apenas fazer com eles o que tanto odiamos. Queremos que alguém esteja conosco por medo ou por amor?

Homem que é homem gosta de mulheres interessantes. Aqueles que não gostam, eles é que têm algum problema. Ou não, e deram o azar de encontrar pela frente uma mulher tão “poderosa”, que acha que a carreira é a coisa mais importante da vida e tão cega por estereótipos e ideias mentirosas (que mais parecem ter sido tiradas de livros femininos de autoajuda) que não o assustaram, mas o rejeitaram, humilharam, destrataram. E nenhum  homem ou mulher saudável vai querer alguém tão chato assim por perto.

Por isso, antes de colocar a culpa nos homens, ó mulheres maravilhosas, olhem para si mesmas. E talvez assim consigam ser finalmente felizes.

Navegação de Post Único

11 opiniões sobre “Mulheres maravilhosas

  1. Nossa. Me assusta constatar que tem gente que pensa assim. Realmente o fim da picada, concordo com tudo o que vc disse.
    E é estranho pensar que em pelo século XXI tem gente que acredita que homens são melhores, ou que mulheres são. Não tem cabimento, hahaha.
    Beijos!

  2. Você interpretou equivocadamente o texto, talvez por não me conhecer direito nem ao meu blog. O texto foi feito para homenagear uma pessoa muito minha amiga mas que tem seus defeitos como qualquer uma de nós.
    Também li outra crítica ao meu texto em
    http://bahnana.blogspot.com/2010/03/mulheres-modernas-x-relacionamentos.html
    da qual gostei muito, porque mostra o outro lado da moeda.
    O importante é que atinjo um dos objetivos do blog, que é o de gerar polêmica… o que seria do azul…
    Abraço

    • Bem, fiz meu post colocando o que entendi do seu texto. Se é equivocado ou não, acho que não se pode julgar. Falei o que penso em reposta ao que vc falou, apenas isso. Críticas existem não só pra gostarmos, mas também pra nos fazerem refletir e expandir nossas mentes com as mais diversas formas de ser ver uma mesma coisa.

    • Ah sim, e o seu blog realmente é um tanto diferente do meu, pelo que pude ver. No seu, há muitas críticas aos homens, como se eles fossem sempre os monstros, e as mulheres, suas vítimas. Além do mais, parece que casar e ter família é visto por você como algo chato. Tudo bem diferente do que penso e da proposta deste blog aqui. Mas é como você disse né, que seria do azul se….
      Abraço.

  3. Só posso concordar: Homens e mulheres não são melhores uns que os outros e homens gostam, SIM, de mulheres inteligentes. Agora depende do conceito de mulher inteligente que essa mulherada moderna vem fazendo…

    Me considero uma mulher inteligente e independente, mesmo escolhendo ter uma família cedo. Faço faculdade, trabalho e sempre morei com meus pais. Pessoas não são consideradas inteligentes exclusivamente pelas experiências disso e daquilo, mas por seus valores, princípios, cultura e uma série de atributos que essas pseudo-feministas estão sofrendo falta, porque se fossem tão poderosas assim não estariam sozinhas…

    No mais, acredito que esse pensamento “moderninho” é só mais uma válvula de escape que pessoas solitárias e que não conseguem lidar com os próprios problemas criaram para não terem de enfrentar a vida como ela realmente é. Ou seja, sempre colocam a culpa no homem (ou na mulher), no relacionamento e em qualquer coisa que seja, mas não avaliam a si mesmos.

    E exemplos disso nós temos de sobra, basta abrir uma revista qualquer que logo nossas vistas são agredidas com todo aquele mimimi vomitado por uma redatora qualquer.

    Adorei o post!
    Beijos,
    Jéssica.

  4. [OFF] Uma coisa que não poderia deixar de notar: Já se perguntou sobre a validade legal desse myfreecopyright NO BRASIL?

    Então, sou obrigado a concordar em partes com o que está sendo dito aqui sobre nosso interesse em mulheres interessantes, mas como eu disse num comentário e num post ali do lado, tá pra nascer gente perfeita no mundo, o que leva a algumas regras fundamentais como “Algum dia na vida você vai errar”. Sempre teremos estas discussões e as fases onde estes dilemas se afloram.

  5. “basta abrir uma revista qualquer que logo nossas vistas são agredidas com todo aquele mimimi vomitado por uma redatora qualquer.” – Gostei hehehehe

  6. Só tenho a concordar com a Madi. Ô mulher inteligente! E eu não sou pau mandado, não. 😛

  7. Lídia em disse:

    Pra completar o quarteto: Daniella escreve, Madi, Junior e Lídia comentam. Ou melhor, qualquer um dos 4 escreve os outros 3 comentam.

    Vamos lá!

    Bem, acredito sim que existem homens que têm medo de certas mulheres. E também existem mulheres muito feministas que se acham melhores do que os homens. Mas isso não é regra! O fato é deixar isso de lado e começar um relacionamento. Eu acredito no amor, e acredito que quando se escolhe amar é possível entender uma mulher que pra se alto afirmar precisa está no alto, e um homem que pra se defender entra em um relacionamento com medo de sofrer. Os dois estão diante do mesmo problema: fragilidade. Mas para acreditar no amor e investir em relacionamentos estáveis é preciso esquecer essas besteirinhas. E começar a ter maturidade pra encarar uma relação.

    Outra coisa: pessoas têm sucesso na vida não pela quantidade de títulos que possuem, mas pela paixão que as levou a conquistar cada titulo. Se alguém conquistou um titulo por paixão e por realização é possível ser melhor sucedido do que alguém que conquistou 3 para nem sabe nem o quê, e ainda não esta realizado (acredite, ter mais um titulo não vai te deixar realizado, você tem que correr atrás de outra coisa).

    E por fim, existe todo tipo de mulher maravilhosa, aquelas que ficam solteiras por opção ou não, aquelas que saem e vão estudar fora, aquelas que se casam, aquelas que ficam e estudam onde estão, aquelas que fazem PhD. O mundo não é tão certinho assim, para existir só um tipo de mulher maravilhosa.

    Abraços

  8. Lídia, vc ahazou, hehehe 🙂

  9. Provavelmente a autora tenha realizado sua pesquisa e consequente tese com 33% do universo de mulheres e homens. Errou em “número”. Mais adiante do que isso não vou para não ser acusado de traidor do “gênero”. Onde entra o “grau” do clichê ? Concordo em “gênero”, “número” e “grau” com as “tuas” considerações sobre o assunto e não com a autora. Mas isso não publico nem “morta”.
    Todos os homens que tu conheces estão entre os 66% que não entraram no estudo da autora.
    Somando os 33 com os 66 continua a existência desses “idiotas” 1%.
    Mas aquele pé vestindo aquela sandália foi fatal. Quase uma tortura. Mas não confesso nem sobre tortura.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: