Pensamentos

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Vivendo e aprendendo…

Hoje o posto em que atendo esteve cheio à tarde. Numa das consultas, o paciente apresentava micose, e, como era nas mãos, pensei que seria bem melhor medicação oral que tópica (no local): imagine você o dia todo com uma meleca nas mãos! A gente usa as mãos pra quase tudo, desde comer e beber, até escrever, segurar um livro pra ler, enfim. Pensei: “isso não vai dar certo, o creme não vai durar muito nas mãos desse menino”. Mas eu sabia que no posto a medicação oral estava em falta. E se eu mandasse a mãe comprar, muito provavelmente ela não iria fazê-lo, por preço, por dificuldade de locomoção, por preguiça (creiam, isso acontece sim)… Resolvi então passar a pomada mesmo, porque teria no posto, e pelo menos ia ajudar um pouco. Mas isso tudo que eu contei pra vocês aconteceu em menos de um minuto: desde a minha dúvida inicial até a tomada da decisão do que prescrever, tudo foi como segundos, pensamentos velozes na minha cabeça. Sim, porque a gente não pode demorar quando há mais uns 20 na sala de espera. E que reclamam se você passa mais de 10 minutos com apenas um paciente…

Depois foi a vez de uma mulher com dor de ouvido. Ela já havia ido no posto por esse mesmo motivo havia algumas semanas. Passei o medicamento, mas ela não comprou (provando o que falei acima, que quando a gente passa algo que não há no posto, porque o paciente realmente precisa, eles não compram). E hoje continuava com dor, com o agravante de ter eliminado secreção pelo ouvido.

E então? Alguém aí ainda quer ser médico? É frustrante, não? Por isso, alguém pode estar pensando que não estou contente com minha profissão. Não poderia estar mais longe da verdade. Amo o que faço, não consigo me imaginar fazendo outra coisa, e me sinto feliz de poder ajudar essas pessoas, porque casos como esses que citei não são tão frequentes assim. Há aqueles que conseguem a medicação no posto (maioria), que se tratam direitinho, do jeito que você ensina, e que voltam depois dizendo que estão bem. Alguns até agradecem, e os idosos gostam muito de mim, dizem que sou muito paciente! Tem como não ficar feliz com isso? Tem como não se sentir útil ao saber que você muitas vezes é o único médico que aquelas pessoas podem consultar — já que muitas não têm dinheiro sequer para descer ao hospital — e que não precisam pagar por isso? Não. Não tem.

Mas citei os fatos do começo do post para que vocês vejam um pouco como é difícil ser médico em nosso país. Seja pelas condições de trabalho, pela situação do paciente, pela falta de vontade dele em se ajudar (o médico não faz tudo sozinho), pela incompreensão de muitos… E para que conheçam um pouco da vida de pessoas que muitas vezes não têm R$ 1,00 no bolso pra comprar uma dipirona que seja. Não, a vida não é só blog, twitter, viagens, passeios e comidas gostosas, que a gente come quando tem vontade ali no shopping. Existe muita coisa que a gente não conhece. Mas graças a Deus e à minha profissão, eu tenho aprendido e conhecido muita coisa nova e diferente das que estava acostumada (quando faço visitas domiciliares a acamados, posso ver coisas que muitos de vocês nem imaginam). E é esse um dos motivos que me fazem ter orgulho de ser médica.

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Como salvar seu casamento

Terceiro post seguido sobre casamento! Também pudera, num blog de quem adora falar sobre o assunto, não poderia ser diferente… Retirei esse texto do blog “Saúde e Família, e o que está entre colchetes são os comentários da dona do blog. Os meus estão em vermelho.

A revista Época da semana passada trouxe como matéria de capa uma reportagem intitulada “Como salvar seu casamento”. Achei especialmente interessantes as dicas “6 conselhos que podem ajudar”, elaboradas por psicólogos e estudiosos do casamento:

1. Modelo de casamento. Fomos educados a acreditar que o casamento é romântico. Pois ele não é. Talvez, se tivéssemos mais informação sobre como o casamento se dá, teríamos menos decepções com ele. O casamento é uma relação de conexão com o parceiro, é educar filhos juntos, é cuidar um do outro, é ser fiel ao outro [mas também é alimentar o romantismo, sim]. Também acho que um pouco de romantimo não faz mal a ninguém. O casamento pode ter o seu lado romântico, aliás, deve. O fato é: nem sempre vai existir aquela sensação de que você está num conto de fadas; há conflitos e problemas que devem ser resolvidos, há contas a pagar, há decisões a tomar. Mas nada impede jantares românticos à luz de velas, saídas juntos, nem que seja só pra caminhar de mãos dadas, presentes e ideias criativas em aniversários ou datas especiais (ou mesmo sem data especial, um presente, um carinho, sempre é algo bem-vindo em qualquer data)…

2. Passar tempo juntos. Uma das principais causas das separações é o casal não passar muito tempo junto. Priorize seu casamento. Tire férias ao menos uma vez por ano sem as crianças [hmm, difícil…] e desligue-se do trabalho. Sobre filhos não posso comentar muito pois não os tenho (mas acho que é possível sim tirar férias sem ele, no encontro de casais que um pastor promoveu em minha igreja, a recomendação que ele mais fez foi: não tragam os filhos — os dele ficaram na casa de minha mãe — pois iria atrapalhar sim, e sempre dá-se um jeito), agora quanto ao tempo junto: extremamente importante ainda mais pra quem tem “tempo de qualidade” como sua linguagem de amor (meu caso). Deve-se fazer o possível pra ter tempo com o cônjuge, se não o relacionamento enfraquece.

3. Fazer sexo. Sexo é uma das mais importantes conexões do casamento. Faça o que for necessário para manter a chama acesa. Estimule sexualmente o companheiro, mesmo que a princípio ele, ou ela, não esteja a fim. Com certeza, isso é importante demais. E bom também!

4. Flerte. Lembra-se de como você e seu companheiro flertavam no início do relacionamento? Faça isso continuamente, e sua relação será mais excitante. Casamento não é apenas sexo. O carinho também é muito importante. Andem de mãos dadas; sentem-se juntos no sofá; se aninhem. Nem preciso comentar, perfeito.

5. Converse. Procure sempre bater papo. Fale sobre seus sentimentos e os assuntos importantes do dia. Se estiver magoado com seu parceiro, não se feche. É importante manter os canais de comunicação abertos. Idem ao anterior.

6. Isolamento ocasional. O fato de estar casado com alguém não significa estar grudado naquela pessoa. É importante que cada um tenha seu espaço, seu tempo. […] E às vezes até manter um lugar na casa onde possa ficar só. A solidão nos faz querer ir ao encontro do outro. Exato, e em casa temos isso, nosso espaço pra ficarmos sós. Temos nossas atividades e hobbies, isso é importante pra manter a individualidade e dá saudade também (digo por experiência!).

Em se tratando de “como salvar” um casamento, senti falta da dica que seria a mais importante de todas: convidar o Salvador para o casamento. Casais que oram, tem uma (a mesma) religião e cultuam juntos são muito mais felizes em todas as áreas da vida. Segundo o apóstolo João, Deus é amor. Se falta amor no casamento, atitudes planejadas (ao estilo Desafio de Amar) ajudam, mas a fonte do verdadeiro amor é Deus. Amando ao nosso Criador teremos muito mais amor para dar ao cônjuge e aos demais familiares.

Como diz uma musiquinha antiga: “Se na família está Jesus, é feliz o lar.”

(Débora Borges, com comentários meus em vermelho)

Casamento não é só festa…

Antes mesmo do primeiro aniversário, chegou ao fim a união da atriz Sthefany Brito e do jogador de futebol Alexandre Pato. O casamento, cheio de pompa, foi celebrado em julho passado numa tradicional igreja do centro do Rio e com uma festança estimada em 1 milhão de reais no hotel Copacabana Palace.

Há algumas semanas, a crise entre a atriz e o jogador tem sido assunto na imprensa nacional. Parentes e amigos do casal teriam ido à Itália para evitar a separação, sem sucesso.

Lesionado e com poucas chances de ir à Copa, Pato passou a ser figurinha fácil nas noitadas de Milão, na companhia de amigos como o jogador Ronaldinho Gaúcho, que tampouco está cotado para ganhar uma vaga na seleção.

Sthefany não comenta o assunto, mas pessoas próximas dizem que ela está com viagem programada ao Brasil para o mês que vem (Revista Veja).

Um milhão de reais. Tanta pompa pra acabar assim… Triste. Podem me achar boba, mas eu sempre acho triste fim de casamento. Porque, na minha visão, casamento é eterno. E não só “eterno enquanto dure”, mas eterno mesmo. Infelizmente, as pessoas hoje, quando decidem casar, fazem como quem decide ir ao shopping fazer compras. Ou sair pra comer sushi. Ou qualquer coisa corriqueira assim. Mas casamento é coisa séria. Só que as pessoas acham que sério=chato, então decidem não pensar muito e casam.

Casam sem nenhum interesse em saber o que realmente é o casamento, e sem qualquer preparação para ele. Não estão dispostos a ceder, a abrir mão, carregam dentro de si orgulhos infantis e por aí vai. Estão mais preocupados com uma festa, uma satisfação de desejo egoísta, do que em conhecer o amor em sua verdadeira essência.

Amor não é frio na barriga, não é arrebatamento, não é ouvir fogos de artifício a cada beijo, não é sonhar acordado. Isso é paixão, que vem antes do amor, mas acaba. E ainda bem que acaba, caso contrário viveríamos como doidos nesse mundo. Geralmente dura dois anos, isso foi descoberto através de estudos. Mas o caso é que chega ao fim. E se fica ainda o desejo sincero de permanecer ao lado daquela pessoa por quem nos apaixonamos, apesar dos defeitos, apesar das implicâncias, apesar de não sentir “frio na barriga” todos os dias, aí sim você pode começar a achar que seja amor…

Mas não é isso que as pessoas querem. Isso me lembra de um episódio de Friends (sempre eles!), em que Monica e Chandler descobrem que não vão ter dinheiro suficiente pra fazer “aquela” festa de casamento, e ela fala: “I don’t want a wedding, I want a marriage”. No inglês, há uma diferença entre essas duas palavras. Apesar de as traduzirmos sempre como “casamento”, wedding está mais relacionado à festa, e marriage ao casamento em si, ao dia-a-dia de casados. Seria como se wedding fosse o que chamamos de “boda” (a festa de casamento).

A tristeza do nosso mundo hoje é que as pessoas querem só o wedding day e nada mais. Festa e glamour, isso é tudo que importa. Abrir mão, ceder? Jamais. Só que esse é o segredo do casamento. E essas atitudes não devem partir só da mulher não. Muito pelo contrário, devem vir dos dois, do homem e da mulher. Saber ceder, saber dizer não para suas próprias vontades, em prol da felicidade do outro. Dizer “eu te amo” e agir de forma a fazer jus ao que disse. Procurar conhecer as linguagens do amor do outro e falar a ele(a) nessa linguagem. E, claro, sempre estudar o outro. Procurar conhecê-lo mais e mais a cada dia, e descobrir as várias formas de fazê-lo feliz.

Amor não é um sentimento. É uma decisão. Uma decisão que tomamos a cada dia, de amar apesar de. E, claro, de amar, também e principalmente, pelas maravilhosas características que um dia fizeram você se apaixonar por aquela pessoa. Alguém um dia disse que casamento tinha que ser igual a vestibular, que para fazer você precisa estudar antes. Vamos estudar mais, ler, aprender sobre o assunto, porque o número de “reprovações” está só aumentando a cada dia. Uma pena…

Pense nisso

Assista a esse vídeo e reflita. Reflita bastante. Ele não é tão curtinho, mas vale a pena. É muito bom, e diz muitas verdades. Vamos aprender e crescer! Pra ver legendado em português, clique em “view subtitles”.

Divergir sem odiar: é possível?

Hoje eu queria falar mais sobre imaturidade. Quem lê deve imaginar que sou um poço de sapiência, amadurecimento e razão. Nada mais longe da realidade. Sou ignorante pra muita coisa, imatura em muitas situações e às vezes posso fugir um pouco da razão quando discuto com alguém.

Mas eu não sou uma criança. Tenho mais de 30, e aprendi algumas coisas nessas três décadas de vida. Uma delas é que a gente tem que aprender a NÃO levar discussões pro lado pessoal, nem irritar-se com coisas de pouca importância.

Eu acho que todos têm o direito de expor seus pensamentos e opiniões, quer seja em blog, twitter ou coisa semelhante. Também defendo o direito de discordar de alguma ideia ou pensamento. Nada mais normal. Mas existe uma diferença entre discordar e irritar-se.

Imagine que o sr. Fulano de Tal adore assistir Friends. Vamos supor que eu não gostasse (mentira! hehehe). E vamos imaginar ainda que eu fosse ao twitter e enviasse o seguinte: @fulanodetal você sabia que Friends é uma droga? Só ignorantes assistem a esse seriado! E mais, você vai queimar no mármore do inferno, porque Friends é “do mal”!

Vocês acham que Fulano de Tal iria se chatear comigo? Sim, e com toda razão. Eu me dirigi a ele e o agredi — ainda que com palavras, apenas — de graça, sem motivo, sem necessidade. Não precisava disso. Porém, algo bem diferente é falar sobre coisas que estão incomodando, fazer algumas críticas ou simplesmente dar sua opinião sobre algo, mas sem se dirigir a ninguém em particular. Falar o que pensa sobre algo, mas sem direcionar a ninguém. Isso eu não acho errado. Você apenas expressou o que sente. Não o fez pra atingir ninguém, fez porque o ser humano tem essa necessidade de se expressar. De desabafar…

Mas imagine agora que eu fui ao twitter e postei que assisti Friends e não gostei. Não me dirigi a ninguém, apenas expressei minha opinião. Qualquer pessoa teria, sim, o direito de discordar, como eu citei antes. Defendo esse direito, ainda que não concorde com a opinião do outro. Mas se irritar? Chatear-se com isso? Levar pro pessoal e dar “unfollow” no Twitter?

Crendo ou não, foi isso que me aconteceu essa semana. Alguém deixou de me seguir por achar que eu “escrevo coisas polêmicas só pra dizer que tenho opinião”. E eu ainda soube que essa pessoa se “irritava” com certos tweets meus. Então me pergunto: pra que se incomodar tanto com algo que tem a ver apenas com gosto pessoal, que é igual a nariz: cada um tem o seu? Pra que se irritar tanto quando se critica algo de que você gosta? Eu não falei mal de ninguém da família dessa pessoa (que me deu unfollow), da profissão dela, do lugar onde ela mora. Mas a dor foi tamanha que parecia que eu tava amaldiçoando sua descendência até mil gerações… Gente, gosto é gosto. Tem gente que não gosta da frase, mas gosto não se discute! Não! Vale a pena se chatear com alguém por diferenças de gosto? E tem mais: quando você se irrita com alguém por uma bobagem como “o seriado preferido” ou o “estilo de música de que mais gosto”, você acaba limitando uma pessoa. É como se ela fosse só o seriado, ou a música. Ela pode ter 1001  características maravilhosas, mas como ela não gosta daquele seriado, daquele filme, ou daquela cor, ah, então ela não presta, e vou dar “unfollow”.

Eu fico me perguntando se tudo isso tivesse acontecido “na vida real”, em vez de no twitter. Como seria? A pessoa iria se irritar tanto? Como faria para me dar “unfollow”? Simplesmente ia dizer que sou doida por não gostar do mesmo que ela e iria se retirar? E desde quando todos temos que gostar das mesmas coisas? E desde quando só são legais as pessoas que gostam do mesmo que eu?

Desculpem o desabafo. Mas é que isso realmente me chateia, esse blog também é pra isso, pra eu falar do que me incomoda. Sei que vocês que leem nada tem a ver com isso (até porque quem tem nunca lerá, creio eu — infelizmente). Mas que isso sirva de lição pra todos nós: vamos aprender a discordar com elegância, sem levar pro pessoal. Quem é chique faz assim.

Lição de vida

“O velho chamou o filho e disse:
– Vá ao pasto, pegue a mulinha e apronte-se para irmos à cidade, que quero vendê-la. O menino foi e trouxe a mula. Passou-lhe a raspadeira, escovou-a e partiram os dois a pé, puxando-a pelo cabresto. Queriam que ela chegasse descansada para melhor impressionar os compradores. De repente:
– Esta é boa! – exclamou um visitante ao avistá-los.
– O animal vazio e o pobre velho a pé! Que despropósito! Será promessa, penitência ou caduquice?… E lá se foi, a rir.
O velho achou que o viajante tinha razão e ordenou ao menino:
– Puxa a mula, meu filho! Eu vou montado e assim tapo a boca do mundo. Tapar a boca do mundo, que bobagem! O velho compreendeu isso logo adiante, ao passar por um bando de lavadeiras ocupadas em bater roupa num córrego.
– Que graça! – exclamaram ela.
– O marmanjão montado com todo o sossego e o pobre do menino a pé… Há cada pai malvado por este mundo de Cristo… Credo!… O velho danou-se e, sem dizer palavra, fez sinal ao filho para que subisse à garupa.
– Quero só ver o que dizem agora… Viu logo. O Izé Biriba, estafeta do correio, cruzou com eles e exclamou:
– Que idiotas! Querem vender o animal e montam os dois de uma vez… Assim, meu velho, o que chega à cidade não é mais a mulinha; é a sobra da mulinha…
– Ele tem toda razão, meu filho; precisamos não judiar [Ah, Lobatinho fiadapu!] do animal. Eu apeio e você, que é levezinho, vai montado. Assim fizeram, e caminharam em paz um quilômetro, até o encontro dum sujeito que tirou o chapéu e saudou o pequeno respeitosamente.
– Bom dia, príncipe!
– Porque prícipe? – indagou o menino.
– É boa! Porque só príncipes andam assim de lacaio à rédea…
– Lacaio, eu? – esbravejou o velho.
– Que desaforo! Desce, desce, meu filho e carreguemos o burro às costas. Talvez isso contente o mundo… Nem assim. Um grupo de rapazes, vendo a estranha cavalgada, acudiu em tumulto com vaias:
– Hu! Hu! Olha a trempe de três burros, dois de dois pés e um de quatro! Resta saber qual dos três é o mais burro…
– Sou eu! – replicou o velho, arriando a carga.

– Sou eu, porque venho há uma hora fazendo não que quero mas o que quer o mundo. Daqui em diante, porém, farei o que manda a consciência, pouco me importando que o mundo concorde ou não. Já que vi que morre doido quem procura contentar toda gente…”
(Monteiro Lobato. Fábulas. São Paulo, Brasiliense, 1994, 7. ed. p 12 e 13.)

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Eu não preciso dizer mais nada, mas digo: lição de vida perfeita. Não tente agradar todo mundo. Nem Jesus conseguiu tal façanha. Seja feliz.

Fim de namoro ou pensando em noivado?

Post curtinho só para divulgar dois textos sobre relacionamentos muito bons (sei que sou suspeita para falar, uma vez que o autor de ambos é meu esposo, mas são bons mesmo!):

Como terminar um namoro de maneira saudável

Tá pensando em casar? Seis perguntas que você deve fazer antes de dar esse passo…

Para agradecer…

De vez em quando venho pensando em parar de escrever sobre relacionamentos. Ontem mesmo foi um desses dias. Nem sempre me sinto inspirada, nem sempre sei o que escrever, parece que o que eu falo (escrevo) não ajuda, parece que as pessoas preferem mesmo aprender sobre o assunto lendo revistas femininas ou assistindo comédias românticas, ou ainda escutando musiquinhas bobas, que nada dizem de verdadeiro sobre o amor.

Mas ontem recebi o seguinte comentário (no post “Relacionamento: essa coisa complicada”):

“Adorei . Me impressiona vc não ser psicóloga, pois tudo o que vc descreve tem a ver com muitos de nós que lemos este texto. Ainda bem que existem pessoas como vc que publicam essas experiências para nos fazer ver uma luz no fim do túnel, quando a única coisa em que pensamos é em desistir… ou continuar.

abraços!”

Nem sei o que dizer, mas fico muito feliz. Quem fez o comentário, saiba que o que eu falo não é de mim, não. Vem de Deus, como tudo em minha vida. Agradeça a Ele, e eu agradeço a você a gentileza do comentário. Não o mereço, mas fico feliz de que pude ajudar, e aprecio o carinho. Que muitos outros também possam ser auxiliados de alguma forma, como você foi. Fiquem todos com Ele. E, soli Deo gloria!

As famosas cinco linguagens do amor…

Se existe um livro que eu recomendo, esse é o “As cinco linguagens do amor”. Não, nada a ver com autoajuda. Trata-se de um conselheiro matrimonial cristão com décadas de experiência na área, que entrou em contato com centenas de casais, e percebeu algo interessante: a linguagem do amor não é universal, como muita gente pensa. Cada um expressa e entende amor de maneiras diferentes. Quais são essas formas de expressar e entender o amor, como perceber qual é a sua e como aprender a “linguagem” do seu(sua) namorado(a), noivo(a) ou esposo(a), é do que trata o livro, que de tão bom, estou lendo pela segunda vez.

Gary Chapman fala do que sabe e vive — ele mesmo teve que aprender a linguagem de amor de sua esposa — e todos os seus livros são um poço de aprendizado, pra quem quer crescer nessa área da vida tão simples e ao mesmo tempo tão complexa que é o relacionamento. Já li quatro de seus livros, agora estou no quinto (a leitura tá parada, mas quero retornar tão logo quanto possível), e posso dizer que valem mesmo a pena.

É por isso que quero, mais uma vez, dividir algumas pérolas de sabedoria dele com vocês. Essas foram tiradas do livro que citei no primeiro parágrafo, o mais vendido dele.

Você conhece a sua linguagem de amor? Você conhece a linguagem de amor de seu esposo? Muitos casais são sinceros. Eles se amam, mas eles não estão falando a linguagem do amor certa. Minha pesquisa indica que só existem cinco linguagens básicas do amor.

1. Palavras de Afirmação – usando palavras para afirmar o seu cônjuge.
2. Presentes – o presente é prova de que você estava pensando sobre ele/ela.
3. Atos de serviço – fazendo algo para o seu cônjuge que você sabe que ele gostaria.
4. Tempo de Qualidade – dando ao seu cônjuge sua atenção.
5. Toque Físico – andar de mãos dadas, beijar, abraçar, colocar a mão em seu ombro; qualquer toque, contanto que afirme algo.

Desses cinco, cada um de nós tem uma linguagem de amor primária. Uma delas nos fala mais profundamente que as outras. Se você não fala a linguagem de amor principal do seu cônjuge ele / ela pode não se sentir amado(a), mesmo quando você está falando demais.

O que o seu cônjuge faz ou diz que fere mais profundamente?

Aquilo que fere mais profundamente é provavelmente um indício de sua linguagem de amor. Pode não ser o que eles fazem ou dizem, mas sim o que eles não conseguem fazer ou dizer. Uma mulher disse, “Ele nunca dá uma mãozinha para me ajudar em casa. Ele assiste TV enquanto eu faço todo o trabalho. Eu não entendo como ele poderia fazer isso se ele realmente me amasse.” A linguagem de amor dela é atos de serviço. Em sua mente, se você ama alguém, você faz coisas para ajudá-lo. Para ela, as ações falam mais alto que palavras.

No entanto, para outros, as palavras podem falar mais alto do que as ações. Um marido disse: “Tudo o que ela faz é me criticar. Eu não sei por que ela se casou comigo. É óbvio que ela não me ama.” Para ele, se você ama alguém, você fala ao coração. Sua linguagem de amor são as palavras de afirmação. É por isso que suas palavras críticas machucam-no tão profundamente.

Se você quer descobrir a linguagem do amor de seu cônjuge, você pode perguntar: O que é que posso fazer ou dizer, ou deixar de fazer ou dizer que dói mais profundamente? Sua resposta vai revelar a sua linguagem de amor.

O que o seu cônjuge com mais freqüência pede de você?

Os pedidos de seu cônjuge, na maioria das vezes, são uma pista para a sua linguagem de amor. Você pode ter interpretado os seus pedidos como uma atitude ranzinza. Na verdade, eles estão dizendo o que os faz sentirem-se amados.

Se o seu cônjuge está solicitando que você faça uma caminhada após o jantar, que vá com ele a um piquenique, que pare um pouco de ver TV e converse, ou que passem um fim de semana fora juntos, ele está pedindo tempo de qualidade. Essa é sua principal linguagem de amor. A única coisa que o faz sentir mais amado é quando ele tem a sua atenção.

Uma mulher disse, “Eu me sinto negligenciada e mal-amada, porque raramente ele passa um tempo comigo. Ele me dá presentes agradáveis no meu aniversário e se pergunta por que eu não estou animada com eles. Presentes significam pouco quando você não se sente amado.” Seu marido era sincero, mas ele não estava falando a sua linguagem do amor. Mais tarde, ele disse: “Se eu soubesse que sentar no sofá e conversar com ela era mais importante do que presentes, eu poderia ter economizado muito dinheiro.” Descubra a linguagem de amor de seu esposo se você quer um casamento que cresce.

Como o seu esposo expressa o amor para você na maioria das vezes?

Observe suas expressões de amor com cuidado. Trata-se de Palavras de Afirmação? Presentes? Atos de serviço? Tempo de qualidade? Ou Toque Físico? A maneira de expressar amor para você é provavelmente a maneira que gostaria que você expressasse o amor a ele.

Se ele frequentemente abraça e beija você, sua linguagem de amor é provavelmente o toque físico. Ele deseja que você tome a iniciativa de abraçá-lo e beijá-lo. Se ela sempre prepara refeições, lava e dobra suas roupas, limpa o banheiro depois de sair, então a sua linguagem de amor é, provavelmente, os atos de serviço. Ela deseja que você a ajude com o trabalho da casa. Se não, então ela não se sente amada. Para ela, tirar o lixo é mais importante do que seus abraços e beijos. Um marido disse: “Se eu soubesse que tirar o lixo iria fazê-la sentir-se amada e mais sensível sexualmente, eu teria tirado o lixo anos atrás”. Pena que levou tantos anos para aprender a linguagem de amor primária de sua esposa.

Sobre o que o seu cônjuge se queixa com mais frequência?

O assunto sobre o qual o seu cônjuge mais se queixa revela sua linguagem. Costumamos interpretar as suas queixas como críticas negativas, mas elas estão, na realidade, dando-nos informações valiosas. Denúncias revelam o coração.

Se seu esposo diz, “nós não passamos todo o tempo juntos. Nós somos como dois navios que passam na escuridão”, ele está dizendo que o tempo da qualidade é a sua linguagem de amor e seu tanque de amor está ficando vazio.

Se o seu cônjuge diz, “eu acho que você nunca me tocaria, se eu não tomasse a iniciativa”, ele está revelando que o contato físico é a sua linguagem de amor.

Se você voltar de uma viagem de negócios e sua esposa disser, “quer dizer que você não me trouxe nada?”, ela está dizendo que presentes é a sua linguagem de amor e não pode acreditar que você veio para casa de mãos vazias.

Se o seu cônjuge se queixa, “eu nunca faço nada direito,” ele está dizendo que as palavras de afirmação são a sua linguagem de amor e ele não está ouvindo essas palavras de você.

Se ele diz, “se você me amasse, então você iria me ajudar”, ele está gritando que a sua linguagem de amor é atos de serviço. Descubra e fale a linguagem de amor de seu cônjuge, se você quiser um casamento de crescimento.

Parece esquisito, e também forçado. Mas não é. Na verdade é altamente romântico você saber que não expressa nem entende amor com “Palavras de Afirmação”, por exemplo, já que sua linguagem é “Atos de serviço”, mas, por amor à pessoa que está do seu lado, para vê-la feliz, você passa a buscar suas qualidades, passa a relembrar dos motivos que te fizeram se apaixonar por ela, e começa a falar de todo o coração o que você pensa dessa pessoa tão especial, o quanto você se orgulha dela, e o mais importante: o quanto você a ama. Procure descobrir a sua própria linguagem de amor, e depois a da pessoa que você ama. Será um exercício divertido e empolgante, e mostrará o quanto você se importa com esse ser apaixonante e misterioso que você escolheu pra passar o resto da vida ao seu lado.

Decisões, decisões… A vida é feita de decisões…

Eu comprei o dvd da primeira temporada de Friends! Yay! Já queria ter feito isso há tempos, mas só agora foi possível. O plano é ir comprando cada mês uma, até ter as dez. Vamos ver no que vai dar!

Mas não é sobre isso que quero falar. Porém, tem a ver, porque foi assistindo a um dos episódios dessa temporada que comecei a refletir sobre algo e quis compartilhar com os leitores desse blog.

O caso é que, no episódio em questão, Rachel, que estava acabando de começar uma nova vida, independente dos pais, trabalhando e solteira, recebe a visita de algumas amigas: uma noiva, outra grávida e a terceira tinha acabado de se tornar sócia da empresa do pai. Ela finge estar feliz com a presença das amigas, mas na verdade começa a pensar sobre sua própria vida, como está distante de tudo isso, e passa a se sentir muito infeliz. Era como se ela tivesse se arrependido das últimas decisões tomadas, e agora começava a pensar se tinha agido correto, deixando um noivo rico, mas que ela não amava, para trás e passando a viver a vida por sua própria conta.

Eu comecei a pensar no quanto às vezes nos sentimos assim. Tomamos nossas decisões, que no momento parecem ser as melhores. Eu por exemplo: fazia Medicina, sentia falta de ter um namorado e não sabia o que iria fazer da vida depois que me formasse. Quer dizer, tinha uma vaga noção, mas nada muito certo. Depois conheci uma pessoa. Que estava terminando sua faculdade e já pensava em fazer a segunda. Dois anos depois que nos conhecemos, eu já formada e ele também, ele foi fazer a faculdade que queria, eu me mudei pra cidade onde ele havia ido estudar, e nos casamos. Parece loucura pra quem está lendo rápido e não conhece toda a nossa história, mas na verdade foi tudo muito bem pensado. Só que obviamente foi uma reviravolta em nossas vidas…

Porém, em certos momentos, apesar de todas as decisões tão bem tomadas, podemos começar a pensar: “e se eu tivesse feito assim?”, “e se eu não tivesse feito isso ou aquilo?” Você vê amigas que casaram mais cedo e já têm filhos, e você ainda não os tem. Você vê amigas que nem pensam em casar — ou pelo menos não pensam nisso pra agora — e estão crescendo nas suas profissões, enquanto a sua parece estar estagnada, porque você ainda não conseguiu fazer aquela especialização ou o tão sonhado mestrado. Você vê amigas solteiras, e pensa se não deveria ter esperado mais um pouco pra casar…

São várias as coisas em que podemos pensar, coisas até que eu nem citei. Isso pode acontecer mesmo. Mas nessas horas, o que a gente tem que fazer é parar e relembrar: eu casei com 28 anos, foi uma idade legal, eu sempre quis casar depois dos 25, então não tem problema se eu não tenho uma ninhada com apenas 22 anos, eu escolhi assim. Ou: eu ainda não fiz minha especialização porque não tive tempo/oportunidade/recursos, mas assim que tiver, farei. Ou ainda: quando eu decidi me casar, foi por amor, foi porque eu encontrei o meu melhor amigo, foi porque eu conheci alguém que se importa comigo, que corresponde ao que sinto por ele, que tem quase tudo em comum, e as diferenças servem apenas pra fazerem a gente se complementar, e não porque foi “amor à primeira vista” (acreditem, tem MUITA gente que acredita nisso, que acha que amar alguém é “ter o mesmo gosto musical e compartilhar manias esquisitas”, vi isso num blog hoje…).

Lembre-se por que tomou cada decisão, lembre-se que aquilo foi pensado, que você pediu conselhos a quem pôde; se pediu orientação a Deus, lembre-se disso também. Isso é o que importa, e não como está a vida de fulana ou sicrana — o mundo não acabou porque sua vida não é idêntica a delas. Lembre-se das suas conquistas — todos temos as nossas — e do que você ainda quer alcançar. E nunca se esqueça de conversar com Ele (sim, o mesmo Deus que citei no começo) antes de tomar qualquer decisão. Assim, o que quer que você escolha, vai ser o melhor, porque Ele te orientou. E você com certeza nunca irá se arrepender…

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Desculpem por eu estar sempre escrevendo textos imensos. Prometo que vou tentar diminuir o tamanho deles. Já tentei uma vez — é brabo! Mas prometo que vou continuar tentando 😉

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