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Feios: resenha

Bom, como prometido, vou falar sobre o livro Feios! Mas atenção: pode ser que você não queira ler, pois o post pode conter spoilers hehehe…

O livro, como já mencionei, fala sobre um mundo onde o certo é ser perfeito. Todos, quando chegam à idade de 16 anos, têm que fazer uma cirurgia plástica, o que é imposto pelo governo. Essa cirurgia torna a pessoa perfeita, a qual deixa de viver em Vila Feia (onde só moram os feios) e vai viver em Nova Perfeição — local onde as pessoas vivem sempre felizes e festejando a vida, sem quaisquer problemas.

Mas acontece que há pessoas que não aceitam essa imposição. Não se acham feias, e não querem mudar sua aparência. E a personagem principal do livro, Tally Youngblood — que sonha em fazer 16 anos para se tornar perfeita — conhece uma dessas pessoas, Shay. Ela não quer fazer a cirurgia, e tenciona fugir para Fumaça, local para onde vão aqueles que pensam diferente da maioria.

E é exatamente a partir daí que a história começa a ficar empolgante: Shay, é claro, convida Tally para ir com ela para Fumaça. Mas Tally fica em dúvida. O que ela não sabe é que está prestes a descobrir coisas que nem imaginava sobre o que está por trás dessa cirurgia, e como a ideia é mudar não apenas o corpo, como também o modo de pensar das pessoas.

Existem muitas coisas boas nesse livro. Pra mim, a melhor delas é o debate sobre a obsessão com a aparência. E o mais legal é que ele (o livro) fez o assunto ficar interessante para adolescentes, que geralmente não se interessam por temas desse tipo, até porque a maioria realmente acredita que precisa parecer com os meninos e meninas das capas de revistas. Não precisamos parecer com ninguém, exceto conosco mesmos. Quem disse que pra ser lindo tem que ter o cabelo desse ou daquele jeito, parecer-se com tal pessoa, ter olhos dessa ou daquela cor? Isso não existe, e o livro traz essa ideia.

Outra coisa legal são os toques sutis que o autor faz, ao longo dos capítulos, de como a sociedade daquela época (que parecer ser posterior à nossa, a qual é sempre criticada pelos perfeitos, mas melhor compreendida pelos “Enfumaçados”, os habitantes de Fumaça) sempre tenta “maquiar” tudo, nunca deixando que as coisas — nem a aparência das pessoas — sigam seu curso natural. Todo mundo se acha feio, e é natural se achar assim, visto que a sociedade impôs esse pensamento. Interessante notar que, apesar de se passar no futuro, a trama traz semelhanças com nosso mundo de hoje: não há uma tentativa totalmente exagerada de fazer “o tempo parar” esteticamente falando? Não existem pessoas pessoas magras que acham que sempre têm uns quilinhos a mais pra perder? Ou pessoas que consideramos lindas que encontram sempre um defeitinho aqui e ali?

Também se fala sobre a questão do pensamento igual. Quase todo mundo acha que TEM que fazer a cirurgia, que TODOS que não a fazem são feios e tem vidas tristes e tediosas e que o CERTO é ser perfeito e viver sem pensar em nada mais sério que festas e afins… O mundo (sociedade, pessoas em geral) hoje quer que todos se enquadrem num determinado padrão. E, junto com a mídia, consegue fazer a gente achar que nunca seremos bonitos o suficiente. Mas “esquecem” de avisar que esse padrão, com o tempo, vai mudar. O que é bonito hoje não será daqui a alguns anos, ou mesmo meses. E aí, o que farão aqueles que quiseram se adaptar ao padrão de hoje, que foram ‘catequizados’ para serem desse ou daquele jeito?

Cada um é como é. Temos que nos cuidar, não estou fazendo apologia à obesidade ou ao comer mal. É mais um alerta para que a gente se ame como é, com os pneuzinhos, com a cor de olhos e cabelos, com a cor da pele e o corpo que Deus nos deu. Cuidado sim, obsessão não. Mas não preciso falar tanto. O livro faz isso bem melhor que eu, e de forma bem mais criativa. Leia e comprove 😉

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Feios

Há alguns dias, li sobre o livro “Feios” no blog Corporativismo Feminino. Achei muito interessante, bem a ver com um assunto de que gosto muito: obsessão com aparência.

Chegou há 4 dias, e já comecei a lê-lo. Posso dizer que parece bastante interessante, e pretendo escrever sobre ele, quando terminar a leitura. Aguardem.

Livros super educativos – pra não dizer o contrário!

Gente, olhem só os livros que “fazem sucesso” hoje em dia (fuçada básica quando a Saraiva anunciou uma promoção no twitter):

  • Por que os homens amam as mulheres poderosas?
  • Por que os homens se casam com as mulheres poderosas?
  • Por que os Homens Se Casam com as Manipuladoras – Um Guia para Deixar os Homens a seus Pés
  • Quem pensa enriquece
  • Crepúsculo
  • Eclipse
  • Lua Nova
  • Amanhecer
  • Anoitecer
  • Minguante
  • Crescente

Tá, tá, os três últimos foram brincadeiras. Mas sei lá… Eu sei que muito já foi falado sobre a saga vampiresca, até eu já republiquei um post de outro blog aqui, muito engraçado por sinal, mas não posso deixar de comentar. As adolescentes estão lendo esses livros todos, criando em suas mentes as ideias mais toscas possíveis: não importa o quanto você seja insegura, como diz o Felipe Neto, sempre vai ter alguém atrás de você; “Homens podem ser mudados para melhor se você sacrificar tudo que você é e se dedicar inteiramente à necessidade de mudança deles”; é legal mentir pros pais; é legal enrolar caras em que você não tem interesse; se ele não te dá a mínima e te trata mal é porque te ama, e por aí vai, mas o melhor pra mim é “Jovens garotas não devem fazer esforço algum para melhorar suas habilidades sociais ou estado emocional. Em vez disso, devem procurar por potenciais parceiros que compartilham das mesmas deficiências sombrias e problemas emocionais”.

Mas o pior é depois, quando elas crescem, e passam a ler os outros que citei no início. Quer um homem? Seja uma megera! Quer um homem? Despreze todos os que aparecerem em sua frente. Sabe, eu sou casada, mas não tenho filhos, e ainda não sei se os quero ter, então não posso falar com tanta propriedade de educação de crianças ou coisas afins, tanto que raramente comento qualquer coisa relacionada a isso aqui. Mas de relacionamento eu posso. Já namorei, já quebrei a cara várias vezes, já noivei, já sou casada há 3 anos… Enfim… Então o negócio é o seguinte: se você fizer todas essas coisas que esses “livrinhos” falam, em vez de “agarrar um homem” você vai é ficar sozinha.

“Ah”, alguém pode dizer, “você pode ser casada, mas nunca leu livros assim”. Engano seu, meu bem. Já li o primeiro que citei (minha irmã me mostrou certa vez, pra ver o que eu achava), e não só posso, como vou fazer alguns comentários sobre:

Ela fala como se fosse só seguir um tais de “Princípios de atração” que você conquista qualquer pessoa. E não é bem assim. Esse é o problema desses livros de autoajuda. É como se você só precisasse fazer algumas coisas e tudo se resolve. Mas e onde fica a vontade de Deus nisso? Quando a gente crê em Deus e deixa que Ele tome conta da nossa vida, as coisas acontecem ou deixam de acontecer porque Ele quer ou não. E não porque a gente fica seguindo tudo do jeito que esses livros falam. Acho que é válido pra saber como agir em certas situações, mas não pra fazer tuuuudo do jeitinho que ela fala…

Não concordei quando ela disse: “Dar a um homem muita certeza logo no início do relacionamento é o mesmo que encharcar uma planta. Pode matá-la.” Não tem nada a ver. Muitas vezes o homem precisa ter certeza de que a mulher tem interesse nele, se não, vai desistir. Foi o que aconteceu comigo e meu esposo, ele já tinha passado por tanta decepção que precisava saber se eu queria mesmo alguma coisa com ele, porque não queria mais se dedicar a alguém que ia jogar ele fora depois, como tinha acontecido antes.

Um tal de “Princípio 9”: claro que a mulher não precisa abrir mão de tudo por causa de um homem, como ela fala, “Ela não se afasta dos amigos, não abre mão da carreira nem de seus passatempos prediletos. Ela nunca faz concessões que a violentem para manter o homem a seu lado, não se deixa humilhar e tem consciência do próprio valor. Ao contrário da boazinha, ela não tolera desrespeito.” Até aí, tudo bem. O problema é que ela fala como se a mulher fosse superior (Como ela não tem medo, é ele quem fica com medo de perdê-la. Como não se mostra carente, o homem começa a sentir necessidade dela. Como não depende dele, ele passa a depender dela), tipo, agora é o homem que vai ser dependente, sentir necessidade e, pior, ter medo da mulher. Se não é legal se sentir assim em relação a um homem, será que é válido fazê-lo passar pelas mesmas coisas? Tipo, não serei dominada, dominarei. O cara vai ficar com você não por amor, mas por medo. Será que essa seria uma relação saudável? Será que sempre tem que ter alguém dominando? Deus não fez ninguém superior a ninguém. E no casamento, deve haver equilíbrio, e não um passando por cima do outro. Outra coisa: uma hora ou outra alguém vai ter, sim, que abrir mão de alguma coisa, ou o homem ou a mulher, isso é normal e faz parte de todo relacionamento saudável. Como diz aquele filme, “Alguém tem que ceder”, e nem sempre precisa ser só a mulher ou só o homem, é questão de conversar e chegar a um denominador comum. Agora, aqueles pontos que ela coloca no final são interessantes, mas a mulher deve fazer isso não para conquistar alguém, ou para se mostrar superior, e sim porque se valoriza e porque isso vai ser bom pra ela, ela não vai se deixar diminuir por causa de um homem, vai se manter quem é.

Pois é isso. A dica de hoje é anti-relacionamentos. Se você NÃO quer ter um, leia toda sorte de livros dessa natureza.

As 20 lições que as garotas aprendem com Crepúsculo

AVISO AOS NAVEGANTES:

Não fui eu quem escreveu o texto, o link estará logo abaixo para vocês irem direto à fonte, caso queiram xingar, malhar, cuspir ou elogiar. Porém, eu gostaria muito de ter escrito tudo isso. Não passa da mais pura verdade. Em vermelho, aqueles pontos com os quais mais concordei. Entre colchetes, meus comentários. Grata por ler.

1. Se um rapaz é desinteressado, reservado, te ignora ou é simplesmente grosso com você, é porque ele está secretamente apaixonado por você – e você é a razão principal da existência dele. [total loucura, e o pior é que muitas meninas e mulheres acreditam SIM nisso…]

2. Segredos são ok. Especialmente os do tipo que ameaçam a sua vida.

3. Está tudo bem para um interesse romântico em potencial ser estúpido, violento e vingativo – desde que tenha um tanquinho. [oh Senhor, quanta futilidade, mas, infelizmente, muito real]

4. Se um rapaz te diz para ficar longe dele, pois é perigoso e pode até te matar, ele deve ser o amor da sua vida e você deve ficar com ele para que ele te mantenha segura para sempre. [burra, burra, burra]

5. Se um rapaz te abandona, especialmente de repente (enquanto diz que nunca mais vai te ver), é porque ele te ama tanto que vai sofrer apenas para manter você segura.

6. Quando um rapaz te abandona, entrar em choque, perder todos os amigos e ter pesadelos recorrentes são ocorrências perfeitamente aceitáveis – desde que você mantenha suas notas boas.

7. É extremamente romântico se colocar em situações perigosas só para ver seu ex-namorado de novo. É ainda mais romântico lembrar do som da voz dele quando ele gritou com você. [kkkkkkkk, tá brincando né? Tem menina que crê nisso?]

8. Rapazes que dão o fora sempre voltam.

9. Como eles voltam, você deve se segurar e esperá-los por meses, mesmo tendo alternativas de rapazes completamente aceitáveis disponíveis. [ah se elas entendessem que é EXATAMENTE O OPOSTO]

10. Mesmo que você não tenha interesse em sair com um dos rapazes alternativos, é ok enrolar o sujeito por meses a fio. Além disso, você deve usá-lo para consertar as coisas para você. Se bobear, ele vai até te comprar algo. [como tem mulher que faz isso e como eu odeio essa atitude! Depois se acham mulheres-objetos. Bem feito!]

11. Você deve usá-lo para consertar coisas porque garotas são incapazes de qualquer coisa mecânica ou técnica.

12. Mentir para os seus pais é ok. Mentir para os seus pais enquanto você foge para salvar seu namorado suicida é uma ideia extremamente boa que mostra sua força e maturidade. Ah, e também é algo que você TEM que fazer.

13. Roubo de carro em nome do amor é aceitável.

14. Se o rapaz por quem você está apaixonada causa (mesmo que indiretamente) que você seja espancada tanto que vá parar no hospital, você deve dizer aos médicos e à sua família que “caiu da escada” por ser uma menina tão boba e desajeitada. Essa explicação falsa sempre funcionou perfeitamente para mulheres abusadas. [pra mulheres asnas também]

15. Homens podem ser mudados para melhor se você sacrificar tudo que você é e se dedicar inteiramente à necessidade de mudança deles. [kkkkkkkk, eu tô é rindo aqui com essa pataquada!]

16. Jovens garotas não devem fazer esforço algum para melhorar suas habilidades sociais ou estado emocional. Em vez disso, devem procurar por potenciais parceiros que compartilham das mesmas deficiências sombrias e problemas emocionais. [essa foi a que eu mais gostei. Não vamos tentar mudar não, melhor é arranjar alguém pra afundar na lama comigo!]

17. Garotas não devem sempre ler uma série de livros só porque todo mundo já leu. [esse é o único bom ensinamento, pena que as meninas que leem o Crepúsculo parecem ser as únicas a não entender isso…]

18. Ao escrever uma série de livros, é aceitável pegar o material principal e estragá-lo com angústia adolescente cansativa. [kkkkkkkk, sério, parem!]

19. Ao fazer ou ao assistir um grande filme, você deve alegremente aceitar os únicos 20 minutos da trama dele entre longas sequências de silêncio, imagens vagas e gemidos.

20. Vampiros – outrora os grandes vilões da literatura e do cinema – não são mais assustadores. Inclusive, eles são tão chorões, egocêntricos e impotentes quanto qualquer ser humano.

(Vida Ordinária)

E eu não vou pedir desculpa aos fãs não. Verdade é pra ser dita.

Livros, again…

Há um tempinho já eu prometi aqui que iria falar sobre uns livros que comprei. Já li todos (graças a Deus, porque eu ando deixando muito livro pela metade) e vou comentar beeem resumidamente sobre eles aqui:

1. Ragtime – se passa na Nova Iorque do início do século XX. O autor coloca personalidades bem conhecidas dentro do enredo, o que faz toda a diferença. Não é daqueles livros que têm uma história toda certinha, com início, meio e fim. É apenas parte das vidas de alguns personagens bem interessantes, e o autor não parece nem um pouco interessado em contar tudo que aconteceu a eles, e nem lhes dar sempre finais felizes. A leitura é densa, e não há travessões indicando as falas, elas ficam imersas no meio de toda a narrativa. Resumindo: MUITO BOM (é, eu não gosto de livros/filmes muito “certinhos”)!

2. A megera domada – só havia lido a peça “Romeu e Julieta” e a adaptação de “Otelo”, então resolvi ver o que Shakespeare escreveu de cômico. “A megera domada” é um livro muito divertido (que inspirou o filme “Dez coisas que odeio em você” e a novela “O cravo e a rosa”), que a gente termina de ler rapidinho, mas não achei tão engraçado quanto…

3. Sonho de uma noite de verão – aqui tem de tudo: mitologia, peça teatral, atores toscos e muita comédia. Dá vontade de não parar de ler, só pra ver o que vai acontecer depois, fora que você morre de rir com as sacadas shakesperianas (o inglês não gostava só de desgraças, não!). Deu pena quando acabou, queria mais!

Então é isso! Espero que tenham gostado, e que daqui pra frente eu consiga fazer isso com os livros que estou lendo e que ainda lerei 😉

Do amor…

comolidarsogra

Lembre-se: o amor não é um sentimento. Trata-se de uma atitude, um comportamento, uma forma de pensar. O amor é a atitude que declara: “Escolho cuidar de seus interesses. De que maneira posso ajudar você?”. Uma atitude de amor conduz a um comportamento igualmente amoroso.

A realidade é que o amor tende a estimular o amor. Na verdade, as escrituras dizem que amamos a Deus porque ele nos amou primeiro (cf. I Jo 4:19). É o amor de Deus que estimula o amor dentro de nós. O mesmo princípio vale no que se refere a relacionamentos humanos.

Gary Chapman, Como lidar com a sogra, Editora Mundo Cristão.

Livro que acabei de ler. Recomendo TOTALMENTE. Como todos de Gary Chapman 😉

Novas aquisições…

Não, não são sapatos, bolsas, maquiagem ou esmaltes ¬¬

Será que só eu me orgulho de ostentar os livros que compro? Porque se tem uma coisa em que eu gosto de gastar, são livros (e palavras-cruzadas rsrs).

Ei-los:

ragtime

Mais informações sobre Ragtime, clique aqui.

sonhos_de_uma_noite_de_verao(1)

Mais informações sobre Sonho de uma noite de Verão, clique aqui.

megeradomada

Mais informações sobre A Megera domada, clique aqui. Só pra vocês saberem, foi nessa peça que foram baseadas a novela “Cravo e Canela” e o filme “As dez coisas que odeio em você”.

Não terminei nenhum ainda, óbvio, mas creio que não vai demorar muito visto que são em formato pocket (bolso), ou seja, bem pequenos. Assim que for terminando, vou [tentar] colocar minhas impressões aqui 🙂

Que livro você seria?

Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra.

Eu fiz o teste, e o meu foi…
“Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis
Ok, você não é exatamente uma pessoa fácil e otimista, mas muita gente te adora. É possível, aliás, que você marque a história de sua família, de seu bairro… Quem sabe até de sua cidade? Afinal, você consegue ser inteligente e perspicaz, mas nem por isso virar as costas para a popularidade – um talento raro. Claro que esse cinismo ácido que você teima em destilar afasta alguns, e os mais jovens nem sempre conseguem entendê-lo. Mas nada que seu carisma natural e dinamismo não compensem.

“Memórias póstumas de Brás Cubas” (1881) é considerado o divisor de águas entre os movimentos Romântico e Realista. Uma das expressões da genialidade de Machado de Assis (e de sua refinada ironia), há décadas tem sido leitura obrigatória na maior parte das escolas e costuma agradar aos alunos adolescentes. Já inspirou filme e peças de teatro. É, portanto, um caso de clássico capaz de conquistar leitores variados. Proezas de Machado.

Fazendo as pazes com o espelho: novos caminhos…

woman_readingBom, como prometi ontem, vou falar um pouco do que aprendi no livro “Fazendo as pazes com o espelho”. Afinal, se esse blog não ajudar — nem que seja só um pouco — quem o lê, não serve mais pra nada…

Vou começar com algo importante que a autora fala: nós temos que aceitar elogios que fazem a nós, em vez de ficar só focando nas coisas que você acha ruins.

Vejam só esse diálogo (extraído do livro):

— Ai, olha meu rosto, está horrível!

— Que nada. Você está ótima!

— Mas o meu nariz é tão grande!

— Seu nariz está muito bem. Aliás, bem normal.

— As pessoas ficam me encarando…

— Que nada; é sua imaginação.

— Bom, você simplesmente não entende como é ter um nariz grande.

Se identificaram? Bom, eu sei que eu sim! E não importa por que fazemos isso. O importante é deixar de fazer. Esse comportamento não é nada saudável. Além de dar umas dicas de como conseguir isso, ela também cita outras sobre como fazer para se desligar um pouco dessa neura da beleza. Então, vamos ver algumas dessas dicas:

  1. aceite elogios sem discordar ou apontar o que está “errado” em sua aparência
  2. pare de fazer comentários autodepreciativos, mesmo em tom de brincadeira
  3. aprecie e elogie a beleza de outras mulheres sem compará-las a você
  4. evite assistir programas que enfatizam o imperativo da beleza
  5. controle o que lê, evitando a saturação com a filosofia do mundo sobre corpo e beleza
  6. evite conversas sobre a aparência, especialmente quando os comentários forem negativos
  7. gaste menos tempo com pessoas obcecadas com a aparência física e que julgam os outros de acordo com sua própria aparência
  8. pare de mendigar confirmações sobre sua aparência
  9. aceite nas pessoas que dizem que, para elas, somos bonitas
  10. coloque ênfase na saúde, em vez de só na beleza
  11. aceite o seu peso atual
  12. creia: você é digna de cuidar do seu corpo
  13. faça exercícios visando a uma boa saúde, e não a um corpo “escultural” (até porque, como isso varia de pessoa pra pessoa! Se a gente for atrás disso, capaz de enlouquecermos…E não agradarmos a ninguém, nem a nós mesmos!)
  14. abandone a preocupação exagerada com a celulite (gostei dessa hehehe)
  15. cuide do corpo não por orgulho ou competição, e sim por motivos de cuidado, higiene e apresentação adequada…
  16. dê um fim à montanha-russa de regimes e procurar aprender a comer de forma saudável
  17. monitore tempo e dinheiro gastos em serviços de beleza
  18. recuse a tentação de criticar a aparência de outras pessoas ou insistir que elas preencham certos padrões de aparência física
  19. cesse a busca pela “fonte da juventude” (ela não existe!)
  20. comece a fazer exercícios

Eu confesso que tenho muita dificuldade com os ítens  1, 2, 3, 4, 9 e 20, principalmente. E não é fácil mudar. Mas a gente pode — e deve — se policiar toda vez que quisermos fazer algumas dessas coisas que ela mostra que não são saudáveis. E a repetição dessas novas atitudes leva ao hábito.

Judith Couchman também fala sobre o que fazer quando outras pessoas nos criticam por causa de nossa aparência. Ela diz:

Um sujeito na rua faz alguma observação jocosa sobre o nosso corpo. Uma vendedora no balcão de cosméticos aponta os defeitos no nosso rosto. Mulheres em uma propaganda de tv falam sobre como é horrível ter rugas, celulite ou coxas flácidas. A longo prazo (ou mesmo a curto prazo), precisamos nos importar com o que elas pensam? Na verdade, não. Estamos desperdiçando energia quando deixamos que pessoas “lá fora” afetem a maneira como nos sentimos sobre nós mesmas. Elas não conhecem as verdadeiras, sábias e adoráveis pessoas que somos; não são responsáveis por nossas vidas e, é óbvio, ignoram o que realmente importa na vida.

Achei perfeito! Mas ela aborda outra questão: e se essas pessoas que nos criticam não forem “lá de fora”, mas pessoas que amamos, como pais, namorado/marido, amigos, irmãos? Como agir? A verdade é que nós ficamos calados porque, como a autora cita, “elas estão confirmando nossos próprios temores”. Mas se somos livres o suficiente para aceitar nossos corpos como eles são, ganhamos força para responder, não grosseiramente, mas de forma a educar essas pessoas sobre nossa autoaceitação e o desrespeito delas. Como fazer isso? Uma dica seria dizer algo como: “Sinto-me bem com a minha aparência; mas, por que ela é um problema para você?” ou “Quando você diz essas coisas tem a intenção de magoar-me? Por que você faz isso?” Isso pode ajudar essas pessoas a entenderem que o comportamento delas não é dos melhores e abre espaço para uma discussão sobre o real problema.

Outra coisa que a autora sempre está citando é a questão da comparação, que, como falei, é algo que me traz problemas. E comparação é realmente uma coisa que temos que evitar não só em relação a aparência, mas em todas as áreas da nossa vida. Não dá pra viver se comparando. “Ah, fulano é mais bonito que eu, mais inteligente, mais disciplinado, mais rico, mais bem sucedido, tem um carro/celular/casa/roupas (coloque qualquer coisa aqui) melhor que o meu…” Você é o que é. E tem que aprender a ver o que tem de bom em você, e admirar isso (sem precisar se tornar arrogante, claro), tem que se valorizar e saber que é único(a). O outro também é único. E pronto. Se tem algo em você que o incomoda, procure lidar com isso, observe se não é coisa da sua cabeça, se não é impressão sua, ou se realmente há um problema. Se houver, das duas uma: ou pode ser resolvido ou não. Se puder, resolva. Faça regime, faça exercícios, pinte o cabelo que está ficando branco, mude o guarda-roupa que está velho, enfim. Agora, se não dá pra mudar, aceite. Se tiver que fazer análise pra conseguir isso, faça. O importante é viver bem consigo mesmo(a) e ser feliz, sem se comparar a ninguém. Ser feliz pelo que VOCÊ é.

Por fim, quero deixar bem claro que a autora (nem eu!) não é contra você se cuidar, se amar, se arrumar, se maquiar, se vestir e se apresentar bem. Mas ela nos mostra o perigo que é viver apenas para essas coisas, como se fossem as mais importantes da vida, a ponto de se tornarem uma obsessão. Para terminar, quero deixar com vocês um verso da Bíblia. Eu sei que há muita gente que pode estar lendo isso e não é cristã. Ou talvez ache que eu estou querendo “converter” alguém. Não é a intenção. Apenas quero mostrar esse texto para que você se lembre dele toda vez que achar (ou que alguém disser) que você não é bonito(a), ou não tem valor: “Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.” (Salmo 139:13-14). Tudo que Deus faz é maravilhoso, não existe ninguém feio aos olhos dEle. Por isso, não se incomode se alguém pensar mal de você ou de sua aparência. Seu Criador sabe que você é linda ou lindo! E isso é o que importa…

Fazendo as pazes com o espelho

espelhoEu amo ler. E isso vem desde a infância (pode perguntar a meus pais), quando lia de bula de remédio a rótulo de lata de leite. Mas no fim da adolescência, meu ritmo parece que foi diminuindo. E os livros foram ficando um pouco de lado, ainda mais com o surgimento da famigerada internet.

Porém, de uns anos pra cá, o gosto pelos livros voltou. Mas voltou meio, avariado, digamos. Eu começo a ler um livro, aí compro outro que acho interessante, começo a ler também, e assim vai, até que, quando vejo, estou “lendo” quatro livros e, claro, acabo não concluindo nenhum.

Decidi, então, ler um ou no máximo  dois livros de cada vez. E isso vinha dando certo. Estava lendo sozinha “A dama, seu amado e seu Senhor” (sobre os relacionamentos da mulher) e, com meu esposo, “As quatro estações do casamento”. Deixei o “Não tenho fé suficiente para ser ateu”, “A Cabana” e “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?” (já havia começado os três) para ler depois.

Porém ontem eu quebrei as minhas próprias regras, e peguei mais um livro pra ler. Sim, eu falhei. MAS! Acho que essa leitura não vai atrapalhar em nada as outras duas, porque, em pouco mais de 24 horas, já passei (há muito!) da metade desse novo livro, de tanto que a leitura é empolgante!

Trata-se do “Fazendo as pazes com o espelho”. Também é sobre comportamento, mas dessa vez sobre a mulher consigo mesma e com a obsessão com a aparência que todas temos. Eu acho importante a gente se cuidar sim, mas não a ponto de deixar isso se tornar uma obsessão. A gente tem que se arrumar, se vestir bem, comer bem e se exercitar, pra ter saúde e boa forma, mas essas coisas não podem ser as mais importantes da nossa vida.

Eu tenho problemas com peso. Comecei a engordar no final da adolescência, e, aos 22 anos, tive que entrar num regime sério. Perdi bastante peso e me mantive assim por 5 anos. Mas foi só casar pra voltar a engordar. E no começo desse ano, voltei a fazer regime. Perdi peso, e graças a Deus estou mantendo. Mas é interessante como nunca estou satisfeita. Por mais que eu emagreça, mesmo que eu chegasse a 50 kg (estou com 60), eu nunca teria um corpo “da moda”. Minha cintura não é fina, minha “comissão de frente” não é tão pequena (como é mais aceito aqui no Brasil) e eu não tenho a “parte de trás” avantajada.

Talvez pra uma pessoa loira, de olhos azuis, com altura razoável, que pese menos que 55 kg e tenha os “atributos” que citei antes, isso não pareça nada. Afinal, essa mulher está com o corpo da moda. Eu confesso que tenho raiva disso, e de mulheres assim, que às vezes se empanturram de tudo que não presta e não ganham 1 g de peso, enquanto eu tenho que passar fome e ainda assim não fico magra e “linda” (segundo os padrões de beleza atuais) como ela. Mas mesmo uma mulher assim pode ter problemas. Às vezes, mesmo sendo a mais inteligente, a mulher considerada “bela” pode ser contratada apenas por isso: por ser “bela” (aos olhos da moda). E isso incomoda. Como também há aquelas “belas” que se acham melhores que todas as demais, e acabam por se tornar arrogantes e preconceituosas com quem não é “linda como elas”.

O fato é que, não importa se você se enquadra na cheinha que nunca se satisfaz com o peso, ou na linda que foi contratada apenas pela aparência, ou na megera arrogante que se acha a rainha da beleza, tudo isso é causado pelo anseio exagerado por beleza e perfeição presente na nossa sociedade hoje. E quase todas nós acabamos absorvendo um pouquinho dessa paranoia. O livro fala sobre isso e muito mais: como a família interfere no nosso conceito a respeito de nós mesmas e a respeito do que é belo, como a sociedade muda rapidamente o que se considera bonito, ou “na moda”, como o preconceito relacionado à beleza pode atrapalhar relacionamentos e carreira, e muito mais. E também fala um pouco sobre caminhos para a solução. Como a autora mesma diz, ela não vai dar os passos para a resolução total e completa do medo que temos de olhar o espelho ou de nos aceitarmos como somos. Mas vai mostrar um pouco do que pode ser feito para que a gente mude de perspectiva, quando o assunto é a aparência.

Num dos trechos do livro, Judith Couchman diz: “No reino de Deus não há pessoas feias. Não há nenhum padrão físico impossível de ser alcançado, somente variações de um trabalho criativo chamado humanidade. Cada pessoa é singular, uma peça única. Não existe justificativa para nos compararmos uns com os outros ou distribuir julgamentos negativos sobre a aparência.”

Eu ainda não terminei o livro. Mas já estou aprendendo muita coisa. Agora, é colocar em prática, e fazer, definitivamente, as pazes com o espelho.

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