Pensamentos

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Meus heróis NÃO morreram de overdose.

dreamsOBS.: Tenho o costume de colocar o crédito de textos que não são meus — como é o caso deste — no final. Mas, como alguns parece que não leem até o fim e acabam fazendo comentários indevidos (sim, isto já aconteceu), colocarei logo no começo: o texto não é meu, mas sim do Joêzer Mendonça (e você poderá lê-lo no blog dele clicando aqui). Porém, foi algo como “paixão à primeira lida”. Adorei o que ele falou, e resolvi compartilhar com vocês. Penso exatamente da mesma forma. Não quero ter heróis que morreram “de graça”. Mas sim heróis de verdade. Como os que você vai conhecer a seguir…

Leio que Julie Andrews completou 74 anos em 01 de outubro. Dá pra acreditar? A Maria de A Noviça Rebelde tornou-se uma septuagenária. Podem chamar de sentimental e convencional, mas é difícil resistir à Julie Andrews surgindo numa colina verdejante e girando com os braços abertos e cantando a bela “The sound of music”. Tudo bem que depois tem aquelas sete notas musicais ou sete crianças, o que dá no mesmo. Mas logo aparece uma Julie enamorada cantando “Something” e o resto é Oscar, história e lágrimas.

O cantor Cazuza dizia numa música que seus heróis morreram de overdose. Ele próprio escolheu viver e morrer como seus heróis. As mídias fingem odiar esse tipo de herói, mas são elas que cobrem cada nova celebridade com sua cota televisiva de vaidade (quando tudo vai bem), falso moralismo (quando tudo vai mal) e confete post-mortem. Todo astro recém-falecido por overdose é coroado com um mito: o melhor é morrer jovem e famoso. Essa é a maior falácia da cultura pop, um engodo que tem levado muita gente a achar que aproveitar a vida é experimentar tudo, todos e todas ao som de muito rock’n’roll, yeah!

Como escreve Robert Pirsig, “a degeneração é prazerosa, mas não sustenta uma vida inteira”. Mas quem é que está se lixando pra expectativa de vida, quando dizem que não há nem céu nem inferno, nem Deus, nem deus, nem juízo. Lembra do trinômio revolucionário “liberdade, igualdade, fraternidade”? Pode parecer apocalíptico, mas alguém discorda de que esse ideal foi substituído pelo também trinômio “sexo, drogas e rock’n’roll”?

Antes que os filisteus virtuais ataquem este web-escriba, já adianto que o problema dessa geração pode até não ser a música (que espelha as vontades dessa geração). O problema é esse estilo de vida “morra jovem e drogado” sendo vendido como a quintessência do pensamento rebelde e antiautoritário, um modelo insuperável de ser artista e porta-voz da geração, quando no fundo é apenas suicídio juvenil glamourizado. Roqueiros e atores, principalmente, são elevados à categoria de ícones da juventude transviada que estabeleceu suas próprias regras de sucesso, vida e morte. Porém, se solos de guitarra não vão me conquistar, esse overdose way of life também não me convence.

Meus heróis NÃO morreram de overdose: Dostoievski, Jane Austen, Guimarães Rosa, John Steinbeck, Tolstoi; Beethoven, Bach, Bernard Herrmann, Debussy, Stravinski, Duke Ellington; Kurosawa, Jean Renoir; Lincoln, Luther King. Eles representam um tipo de herói: aqueles que escaparam à mediocridade reinante na cultura e nas relações sociais. São heróis pela excelência artística e de pensamento.

Alguém dirá: e Lutero, Paulo, Isaías, Daniel, Pedro e João não seriam heróis maiores e melhores? Estes são um outro tipo de herói: gente que nos serve de inspiração para viver. Eles são muito mais que heróis das artes e do pensamento.

Meus heróis NÃO morreram de overdose. Talvez nem sejam heróis apenas; uns preferem chamá-los de mártires. Eles morreram decapitados, queimados, crucificados e temo não estar à altura de mártires assim, que não morrem por uma ideologia, morrem pelo Amor que excede todo entedimento. Meus heróis não pegaram em armas e venceram exércitos. Eles viveram não por força nem por violência, mas pelo poder do Espírito. Meus heróis não foram seres perfeitos. Eles tiveram falhas e espinhos na carne, mas negaram-se a si mesmos e decidiram que, não eles, mas Cristo viveria neles.

Há heróis e super-heróis para todos os gostos. Contudo, se em vez de adotarmos heróis pelo nosso gosto pessoal nós levarmos nossa vida ao pé da cruz, sairemos dali com um novo sentido do que é de fato um herói. Eu preciso de heróis que vivem pelo que ainda não se vê, que vivem por uma esperança estranha para quem não acredita, mas tremendamente perfeita e elevada para quem aceita.

John Hughes, você o conhecia?

Não sei se todos ficaram sabendo, mas John Hughes* faleceu no dia 06/08/09. Pra quem não o conhecia, ele foi escritor, produtor e diretor de muitos filmes, alguns dos quais marcaram minha infância, quando passava as tardes na casa da minha avó (meus pais trabalhavam — e ainda trabalham — nos dois turnos) assistindo Sessão da Tarde.

Alguns filmes dele, pra ver se vocês lembram:

Não sei vocês, mas destes, eu assisti a todos. Tem muito mais na filmografia de Hughes, mas esses me marcaram, muitos tendo sido assistidos mais de uma vez.

Como disse alguém (num Tumblr que acompanho), com a morte de Michael Jackson, e agora essa, “my childhood is oficially over” (minha infância oficialmente acabou).

*John Hughes, Jr. (Lansing, 18 de fevereiro de 1950Nova Iorque, 6 de agosto de 2009) foi um diretor, produtor e roteirista de cinemaestadunidense. Começou escrevendo, nos anos 70, para a revista National Lampoon. Usou algumas vezes, ao escrever seus roteiros, o pseudônimo “Edmond Dantès”, uma homenagem ao personagem principal de O Conde de Monte Cristo. Uma característica dos filmes de John Hughes é a apresentação de cenas extras, após os créditos finais. Morreu em 2009, aos 59 anos, de ataque cardíaco, ao caminhar em Manhattan.
(Fonte: Wikipedia)

Amy

Encontrei essa foto enquanto pesquisava uma imagem para o post anterior. Acho que é porque digitei “vício”, mas enfim… O que mais me espanta é que ela era tão bonita e ficou tão cadavérica. Tá certo que podia ter alguma gordurinha sobrando num lugar ou noutro, mas era bem mais bonita e saudável que é hoje. Que sirva de lição pra gente: aparência não é tudo. Não vale a pena ficar doente pra ficar magra. Não vale mesmo…

amy

As lições de Maysa

maysa3Assisti à minissérie Maysa. Se você olhar meu perfil no orkut, vai ver que eu amo biografias, às vezes assisto até às de pessoas que nem conheço. Mas Maysa eu conhecia, meu pai tem discos antigos dela, e eu conhecia a música “Ne me quitte pas”, que, apesar de não ser dela, foi na sua voz que ficou mais conhecida no Brasil. Então, motivos pra ver eu tinha de sobra.

Maysa realmente foi uma das melhores cantoras que esse país já teve. Voz marcante, aveludada (contraltão, lindo de morrer! hehehe), músicas que tinham realmente algo a dizer, com letras profundas e um português que não se vê mais hoje em dia (na cena em que ela fica sabendo que o ex-marido faleceu e canta a música preferida dele, ela usa a palavra “fenecer”! Fiquei me perguntando se alguém hoje sabe o que significa fenecer, e como hoje as músicas são fracas, não só na mensagem passada como no português. Afinal, você conhece alguma música recente com a palavra “fenecer”?). Nada disso pode ser negado.

Mas, faltava alguma coisa à vida dessa mulher. Ela foi feliz, por um tempo. Quando era casada, depois, quando seu filho nasceu. Só que então veio a música em sua vida. E seu esposo não aceitou. A partir daí, houve uma ruptura que nunca mais seria sanada. Foi Maysa que achou melhor separar-se do esposo, já que ele não aceitava sua carreira como cantora. Mas nunca encontrou em mais ninguém o amor que encontrou em André Matarazzo. Nunca mais foi feliz como era com ele. Passou a vida procurando na fama, no romance fugaz com vários homens (que ela usava e descartava conforme sua vontade) e na bebida, algo que perdeu em algum momento do passado. E a música a enfeitiçou de tal modo que até seu filho foi, por muito tempo, esquecido. Graças a Deus, ele fez as pazes com a mãe antes de sua morte, e não precisou fazer análise: segundo uma entrevista que li, curou os “traumas” trabalhando.

Há muitas coisas que podemos aprender da história tão singular dessa mulher (e esse é um dos motivos pelos quais gosto de biografias, o aprendizado que podemos obter com elas é grande!): primeiro, a fama não é tudo. Na verdade, a fama é passageira, e quando ela passa, se é só isso que temos, vamos ficar de mãos vazias. Por isso o apelo de Cristo tão veemente: Não acumulem tesouros nesta Terra! (vide meu post “As “modas” que o mundo dita e o que Deus tem a ver com isso”) Aqui tudo passa! Não vale a pena perder tudo por algo passageiro. Segundo: não vale a pena buscar satisfação em bebidas, sexo ou coisas do tipo. Isso pode até “anestesiar” a gente, fazer a dor passar por um tempo, mas não é a cura definitiva. Vejamos o caso de Maysa. Ela havia perdido o esposo por causa da música. Então, das duas uma: ou ela deixava a música e voltava pra ele, ou então se conformava e ia viver sua vida. Mas ela não conseguiu conciliar isso. Então foi atrás de um e de outro, mas no fim do dia, percebia que nunca valia a pena. Então, se esse é o seu caso, quer preencher um vazio, vá atrás do que realmente o preencherá, e não de algo que vai te dar satisfação passageira mas não alegria verdadeira.  Terceiro: sem Deus, nada somos. Eu não quero julgar ninguém aqui, no final da minissérie, ouvimos a voz da atriz que interpreta Maysa, como se estivesse lendo seu diário, dizendo que cria profundamente em Deus. O fato é que, crendo ou não, ela não deixou que Deus realmente fizesse a diferença em sua vida. Não deixou que Ele tomasse parte em suas atividades. Não deixou Deus ser Deus. Não basta só “crer” em Deus, tem que deixá-lo entrar em tua vida.

No mais, a minissérie foi muito bonita, muito bem produzida. Pudemos conhecer mais de uma cantora um tanto esquecida, e até desconhecida para as novas gerações. Mas não deixemos passar o principal: as lições de Maysa.

The miracle worker

Hellen KellerHelen Keller nasceu em 27 de junho de 1880, em Tuscumbia, no Estado do Alabama, Estados Unidos. Com apenas um ano de idade uma escarlatina deixou-a totalmente cega e surda. Helen cresceu num universo escuro e silencioso, porém, em 1887, sua vida ganhou um grande sopro de esperança com a chegada de Anne Sullivan, uma irlandesa de 21 anos de idade, ex-cega e recém-formada pela Escola de Cegos Perkins, em Boston, e que aceitou o desafio de educá-la. Durante um mês, Anne Sullivan ensinou Helen a soletrar palavras com os dedos de uma mão, enquanto tocava um objeto com a outra. Helen aprendeu, porém, não sabia que estava formando palavras, pois, naquele momento, não sabia que elas existiam. Certa vez, Anne mergulhou a mão esquerda de Hellen num balde d’água e soletrou “água”, com a outra mão. Repetiu várias vezes a operação e o milagre aconteceu: Helen entendeu que “água” era o nome do líquido que sentia pelo tato. Até o fim daquele dia, aprendeu mais trinta palavras, e em pouco tempo dominou o alfabeto Braille, demonstrando incrível facilidade em ler e escrever. Aos dez anos aprendeu a falar, e se propôs a cursar a faculdade. Em 1904, com vinte e quatro anos, formou-se com louvor, sendo a primeira cega e surda a completar um curso universitário. Tornou-se escritora, conferencista e ativista social, dedicando toda a sua vida aos direitos das mulheres, pobres e deficientes. Certamente sua história de vida a transformou em um dos maiores exemplos para a humanidade, de que as deficiências físicas não são obstáculos para se obter sucesso. Mostrou isso superando todas as barreiras de sua vida, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do século XX. Ela sempre dizia que “nunca se devia engatinhar, quando o nosso impulso era voar”. Morreu no dia primeiro de junho de 1968, em Arcan Ridge, no Estado norte-americano de Connecticut. (www.meusonhonaotemfim.org.br)

Nota pessoal: Desde que assisti no TCM um filme sobre ela (The Miracle Worker), me apaixonei! Já tinha ouvido falar, mas sua história é encantadora! Precisamos de mais Hellens hoje…

A menina que queria ter olhos azuis…

olhosAmy, a menina irlandesa que pediu a Deus olhos azuis, cresceu sem conseguir o que desejava, e foi para a Índia como missionária. Ela viu meninas que não eram desejadas por sua família e eram vendidas para os templos como prostitutas para os sacerdotes. Então, ela ficou sabendo o que Deus queria que ela fizesse. Ela tingiu o cabelo e a pele com café. Vestiu saris para se parecer com as pessoas e criou uma casa para essas meninas indesejadas. “Uma irlandesa com olhos castanhos”, disse certa vez uma amiga indiana. “É uma coisa boa. Não penso que você poderia salvar essas meninas se seus olhos fossem azuis.” Agora, Amy sabia por que Deus lhe dera olhos castanhos em vez de azuis. Como Paulo diz em 1Co 9:22, “Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns”. Amy Carmichael não foi para a Índia para viver como estrangeira, ela se tornou como uma indiana. E isso foi algo que Amy sentiu que não poderia ter feito tão completamente se Deus lhe tivesse dado olhos azuis, em lugar de castanhos. Dois mil anos antes, Jesus Se tornou também como os proscritos que estava tentando salvar, assumindo nosso corpo, nossa pele, cabelos e olhos. (Adaptado da Lição da Escola Sabatina – 1º trimestre de 2008, pág. 78, Casa Publicadora Brasileira)

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