Pensamentos

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Lute pela vida

Que eu sou contra a pressão da mídia pelo corpo perfeito, já deu pra perceber pelo que escrevo por aqui. Porém, parece que algumas pessoas não sabem é que eu sou contra a DITADURA DA MAGREZA e não tenho nada contra as pessoas que têm o corpo naturalmente magro. Não sei como alguém pode pensar isso a partir de meus textos, mas quero desfazer qualquer mal-entendido.

Dito isso, venho falar do que REALMENTE sou contra.

Gente, vocês realmente acham que isso é normal? Que é bonito? Nunca, né? E elas não são assim porque nasceram assim, elas se tornaram assim, caso contrário estariam desempregadas.

Sabe por que falo isso? Leiam aqui o que foi falado por algumas modelos (retirado de seus próprios blogs) após o falecimento de Ana Carolina Reston Macan, morta por anorexia nervosa:

1 – “Olá pessoal!!!
NF indo bem. O assunto hoje é outro. Nestes anos q passei entre a Ana e a Mia, já vi muitas garotas morrerem, o caso de Ana Caroline não foi o primeiro nem será o ultimo. Porque ninguém entende isso de uma vez? A verdade é triste e dói, mas é uma só.

Hoje fiquei uns minutos esperando na fila do banco,do meu lado havia uma menina pouca coisa maior q eu e muito, mas muito mais magra mesmo, e na minha frente uma senhora com o corpo q costumam dizer ‘normal’ a tal mulher reclamava de tudo até da cor do cabelo dos outros, de um momento pra outro começou dizer q a gente tem q se cuidar pra não morrer ‘Viu o caso da modelo né?’. Eu, como sou super ZEN, dei um sorriso e deixei ela falar, mas a garota não gostou muito do assunto e deu as costas pra ela, ignorando completamente.

Só estou dizendo isto pra vcs verem q não é motivo pra se assustarem, logo esse povo esquece.”

2 – “Não estou muito bem, psicologicamente e fisicamente falando… miando muito, as vezes comendo muito mais do q o humanamente aceitavel, outras ficando s/ comer.. tinha parado de fumar, de beber meus chás.. Eu odeio essa mídia maldita.. só fazem sensacionalismo em cima do sofrimento alheio e ainda chamam atenção p/ nós.. Tá todo mundo no meu pé.. minha ‘sorte’ é q engordei.. pq se não ia ouvir da minha mãe.”

3 – “Definitivamente agora eu me considero uma ana. Estou 4 dias sem comer e completamente sem fome e vontade de comer… Sabe o q me estimulou e ficar assim?? primeiro foi ler um blog de uma menina q estah no hospital por estar 3 semanas sem comer!! e outra… a modelo q morreu essa semana com 40kgs!! ok, deveria assustar, me estimulou… isso eh estranho demais… perdi 5kgs! estou secando… literalmente…”

4 – “Meu luto de ontem era óbviu né! pela modelo Ana Carolina Reston… ta q eu eu não conheci mesmo… ñ axo q o MÁXIMO disso é a morte ñ!! ela só keria ser PERFEITA… ñ queria morrer né!”

Glossário

NF – NF é No food (sem comida, em inglês), prática de cortar a alimentação por completo por alguns dias.

Ana – Ana é o apelido carinhoso com o qual as vítimas de anorexia se chamam. A anorexia é um distúrbio alimentar grave que faz com que meninas, mesmo magras, se sintam gordas.

Mia – Mia é o apelido carinhoso com o qual as vítimas de bulimia se chamam. A bulimia é um distúrbio marcado por episódios de compulsão alimentar seguidos de culpa.

Miando – Miar significa vomitar. As vítimas de anorexia e bulimia costumam vomitar para evitar que o organismo absorva os alimentos, muitas vezes ingeridos por pressão familiar ou para satisfazer momentaneamente a vontade de comer.


É contra isso que sou. Contra a magreza doentia, provocada, e contra o achar que isso tudo é muito natural. Andei pesquisando sobre o assunto, e quantos sites existem PROMOVENDO a bulimia e a anorexia! Isso me revolta e me entristece muito. Vejam o que encontrei num desses blogs:

eu quero morrer…..só isso q tenho a dizer.

não to bem.

não to com saco d falar nada.

só estou mto deprimida.

preciso emagrecer.preciso emagrecer.preciso emagrecer.

PRECISO ME LIVRAR DESSAS BANHAS NOJENTAS QUE ME FAZEM SER UM SER INFERIOR.

Fiquei preocupada e penalizada, imaginando quantas meninas assim estão a sofrer por aí. E quantas irão morrer por causa dessa maldita doença.

É muito triste. É culpa da mídia? É. É culpa de quem te cobra o tempo todo por um corpo “perfeito” (como se esse perfeito fosse algo bem definido e imutável)? Pode ser. Mas a culpa maior é da gente, mesmo. Ficamos nos cobrando essas coisas de forma doentia. Temos que cuidar da saúde, ter um corpo legal, temos que fazer exercícios e nos alimentar de forma balanceada. Mas não devemos nem entrar na neura que o mundo quer que a gente entre, nem fazer outros entrarem também. É loucura. Mata!

Por favor, se você tem esse problema, busque ajuda! Não se deixe levar pelo que dizem, não pense que está gorda, seu cérebro está enganando você! Somos lindos aos olhos de Deus, e se Ele nos vê assim, que importa o que dizem? Você não precisa perder peso para ser bonita, acredite, todos, TODOS temos uma beleza especial, única! Não queira morrer, lute pela vida! Clique aqui para saber onde encontrar ajuda. E assista esse vídeo:

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Chocolate versus TPM

Muita gente tem uma vontade louca de comer chocolate — especialmente na TPM. Eu sou fã do dito cujo, mas venho tentando reduzir consideravelmente sua ingesta: além de gorduroso, o chocolate tem muito açúcar. E o que as pesquisas vêm mostrando é que o que faz bem pra saúde é aquele que tem mais cacau, e que é amargo.

Mas pensando nessa questão da TPM, resolvi postar aqui hoje. Será que o chocolate ajuda mesmo? Aparentemente, sim. Mas a verdade é que é algo paliativo apenas. Veja os seguintes textos:

Regimes de poucas calorias são fatais para quem sofre de TPM. Isso porque o organismo reage diminuindo sua taxa metabólica, isto é, desacelerando a queima de nutrientes do mesmo jeito que a gente desacelera um automóvel para gastar menos gasolina. Desacelerada e impedida de cometer seus pecadinhos diários, a pessoa sente que não é a mesma. Que está mal, passando fome, e está. E já não se reconhece. Aí dá uma angústia que vai indo, vai indo e de repente a joga de cabeça nos sorvetes, biscoitos, doces e massas – sem falar no chocolate.

Chocolate e magnésio são interligados; uma ânsia incontrolável por chocolate pode estar mostrando deficiência de magnésio, em que o cacau é relativamente rico, mas não a ponto de servir como remédio, infelizmente…

(…)

AÇÚCAR faz desperdiçar cálcio, magnésio e vitamina B no processo metabólico. Açúcar em excesso (e o que é excesso varia de pessoa para pessoa) produz sintomas de hipoglicemia e conseqüentemente ansiedade, depressão e desejo de mais açúcar.

(…)

CAFEÍNA aumenta a tensão e a sensibilidade, agrava
a hipoglicemia e chateia o fígado, que já pode estar pra lá de chateado nessa ocasião.

Comer alimentos ricos em fibra é fundamental para auxiliar a eliminação das fezes, e do estrogênio junto com elas (http://correcotia.com/mulheres/tpm.htm).

Interessante, não?

E quer dizer desse?

A predileção por chocolate, ou açúcar, deve ser substituída por frutas ou mel natural, que não provoca cólica e nem retenção de gases. Na verdade, o chocolate só agrada sua alma e é até contra indicado nesse período do ciclo. Certamente nenhum médico lhe recomendaria tratamento à base de chocolate ou similar, mas um pouco de “agrado” e carinho nesse período é fundamental para melhorar o estado de espírito (http://cliquesaude.com.br/chocolate-e-tpm-por-que-ele-e-o-melhor-amigo-dessas-horas-694.html).

Portanto, pra ter boa saúde na TPM, evite o chocolate e prefira tudo que for mais leve. Se você clicar nos links que postei, vai ler as matérias completas e aprender mais sobre o que comer e o que evitar nesse período tão crítico da vida de tantas mulheres. Confira 😉

Mulheres maravilhosas

Ontem eu já estava pensando em abordar esse assunto aqui no blog, mas ainda não sabia como. Aí hoje cedo me deparei com esse texto. E veio a ideia que faltava! Na verdade, ainda quero escrever um post só sobre baixa autoestima, e como isso se relaciona com inveja e comparações. Mas aqui já vou começar a dar uma pincelada, só que tendo como ponto de partida um certo mito — pelo menos a meu ver — com relação às mulheres.

Eu não vou colocar o texto do post que citei aqui. Desculpem-me mas o espaço já é pouco, eu já escrevo demais, e ainda por cima não dá pra ficar pondo aqui um monte de baboseiras coisas com as quais não concordo. Portanto, se vocês quiserem saber melhor sobre o que ele fala, cliquem no link, please.

O fato é que, resumidamente, o texto diz que 99,99% dos homens (ao que parece, a autora quis ser boazinha com eles) não podem lidar com a “inteligência” e o “poder” das mulheres maravilhosas (que, segundo ela, são aquelas que “Saíram da barra da saia dos pais e das mães, estudaram enquanto moravam sozinhas e trabalhavam, e ainda encontravam tempo para receber os amigos e colegas em sua casa ou apartamento de estudantes…tinham namorados quando eram jovens. Mas parece que não dava certo, parece que nunca estavam no mesmo tempo. Elas, sempre à frente. Se formaram…trabalharam mais do que escravas…” e mais um monte de blá-blá-blá).

Uma das mulheres que comentaram o texto perguntou algo muito inteligente: “Estou ficando cansada dessa história que porque somos tão maravilhosas estamos sozinhas… porque não encontramos esse 0,01% que nos banque… Homens, vcs realmente concordam com isso? Vcs não podem com a gente? Vcs realmente fogem no primeiro sinal de dificuldade? Esquecemos o significado das palavras “construir” e “juntos”?”

Isso me levou a uma série de questionamentos, que se uniram aos que eu tinha desde ontem. Se as mulheres “modernas” e “liberadas” levam tanto em conta a carreira, a profissão, o trabalho, se isso é o que realmente é mais importante — e segundo o texto em questão é — por que elas vivem lendo livros toscos estilo “como agarrar seu homem”, se queixam incessantemente de que estão carentes, de que o relógio biológico está “tocando”, e no dia dos namorados choram que nem condenadas, agarradas a um urso de pelúcia e uma caixa de chocolates? Não parece um contra-senso?

Mas aí vem a ‘sábia’ autora do blog citado e responde: é porque somos lindas e maravilhosas e os homens, esses covardes, morrem de medo de nós! Cá entre nós, não concordo plenamente, e depois vou comentar sobre, mas com essa atitudezinha boba de “mulheres são melhores que homens” — que nunca leva a lugar nenhum, pois não somos melhores que eles nem eles são melhores que nós, e essa é uma discussão em que nunca se chega a denominador comum, ou seja, perda de tempo — aí é que os homens se afastam mesmo. Você iria gostar de ser criticada o tempo todo e ainda ter que dar atenção a essa pessoa que te critica? Pense…

Pois bem, mas ao refletir no assunto, me veio um pensamento, que passou a ser recorrente nos últimos tempos, pois não só a mulher que escreveu o texto como boa parte da mídia e da sociedade pensam dessa forma (mulheres ‘poderosas’ dão medo nos homens): então quer dizer que não sou maravilhosa, linda, inteligente, culta, esforçada? É isso? Pois se namorei, noivei e casei, sendo que quase 100% dos homens temem mulheres com as características que citei, isso quer dizer que provavelmente não tenho nenhuma ou quase nenhuma delas.

Chega a ser patético quando penso que essa ideia passou pela minha cabeça. Mas sim, passou. Eu, infelizmente, ainda me incomodo muito com opiniões alheias, com o que o outro pensa. Pra muitos — e eles estão certos — eu nem deveria me dar ao trabalho de pensar nessas coisas, que dirá de me achar tosca porque casei, ou seja, um homem me quis, então não devo ser tão “maravilhosa”.

Aí, comecei a analisar minha vida: me casei aos 28 anos, idade com a qual uma mulher “maravilhosa” deve estar concluindo seu Ph.D., não é mesmo? Sim, porque senão não é poderosa (estou sendo irônica, pra quem ainda não notou, até porque muitas dessas mulheres que se auto-denominam ‘poderosas’ talvez nem tenham terminado a faculdade). Mas antes de casar, eu fiz Medicina, numa universidade federal (não que meu curso ou a faculdade em que o fiz sejam a coisa mais importante pra mim, mas menciono pra que se entenda meu ponto de vista). No último ano, num dos estágios (onde temos vivência com comunidades distantes das grandes cidades para melhor entendermos como funciona o Programa de Saúde da Família nelas), tive que morar, por dois meses, numa casa com vários outros estudantes da área de saúde, numa das cidades da PB mais distantes da capital, João Pessoa. Depois que me formei, me mudei para a cidade onde meu noivo estava estudando, pois queria logo arranjar emprego e alugar um apartamento. Morei sozinha por dois meses, antes de casar.

Talvez eu não tenha “saído da barra da saia dos meus pais” tão cedo, talvez não tenha tido tanta experiência em morar sozinha, talvez tenha me casado “cedo” para os padrões atuais, e por causa deles mesmos, não seja considerada “poderosa” por não ter um mestrado, pelo menos. Mas eu sou alguém, tenho valor, sou inteligente, culta, esforçada e independente, não preciso do meu esposo para pagar minhas contas, posso até dizer que não preciso dele para viver, no sentido de que consigo me virar sozinha. Estou com ele porque quero, e porque o amo, acima de tudo.

E não só eu, mas amigas e primas que tenho, que são casadas, algumas até têm filhos, e são profissionais bem sucedidas, que estudaram e ralaram muito pra chegar onde estão hoje — todas nós somos provas de que os homens DE VERDADE gostam mesmo é das inteligentes, daquelas com quem podem conversar sobre qualquer coisa, daquelas que são esforçadas, trabalham fora, e eles nunca vão pensar que elas estão com eles porque querem dar “o golpe”, e sim porque o amam. Ou seja, o que quis dizer com toda essa conversa que já cansou vocês é que a teoria da moça que citei lá em cima é FALSA. Eu e outras mulheres que conheço somos prova disso.

Além do que, temos que rever esse conceito de “poder”: não é só “poderosa” ou “maravilhosa” aquela mulher que fez mil mestrados e três mil doutorados (eu escrevi mais sobre isso aqui). Nem também o é aquela que acha o máximo sentir que está “subjugando” o homem. Isso é apenas fazer com eles o que tanto odiamos. Queremos que alguém esteja conosco por medo ou por amor?

Homem que é homem gosta de mulheres interessantes. Aqueles que não gostam, eles é que têm algum problema. Ou não, e deram o azar de encontrar pela frente uma mulher tão “poderosa”, que acha que a carreira é a coisa mais importante da vida e tão cega por estereótipos e ideias mentirosas (que mais parecem ter sido tiradas de livros femininos de autoajuda) que não o assustaram, mas o rejeitaram, humilharam, destrataram. E nenhum  homem ou mulher saudável vai querer alguém tão chato assim por perto.

Por isso, antes de colocar a culpa nos homens, ó mulheres maravilhosas, olhem para si mesmas. E talvez assim consigam ser finalmente felizes.

Uma copa, várias lições…

Já vi um monte de blogs falando sobre copa, mas eu mesma não me interessei em falar. Hoje, por incrível que pareça, dia da derrota do Brasil, me deu vontade de comentar sobre ela… E foi exatamente por causa da derrota.

É interessante como às vezes a gente aprende mais com os fracassos do que com as vitórias. Eu pelo menos aprendi hoje. Não sou o que se pode chamar de grande fã de esportes, mas em tempos de Olimpíadas e especialmente Copa do Mundo, mesmo não gostando de esportes, é claro que eu vou torcer pelo meu país. Ainda que muitas vezes não entenda nada daquele esporte, ou, no caso do futebol, ainda fique em dúvida — às vezes — de quando é escanteio (embora hoje já saiba bem mais que antes, graças ao marido kkkk).

Só que, apesar de torcer pelo Brasil, creio que todos temos que ser humildes. Quando se fala de futebol, a gente sabe que não é só o Brasil que é bom. Temos Alemanha, Argentina, Itália, França, e, claro, Holanda. Todos esses times, embora alguns tenham deixado a copa da África mais cedo, são bons. Não é só o Brasil que sabe driblar, não é só o Brasil que pode ganhar. Todo mundo pode, e isso deve gerar respeito por todas as equipes, e não uma confiança exacerbada que, creio eu, na minha ignorância de quem não entende quase nada do assunto, fez com que o Brasil ficasse mais descuidado no segundo tempo do jogo de hoje. Talvez achassem que já estavam com a partida ganha. E nós também fazemos isso. Por isso, a necessidade de aprender a reconhecer: não somos os únicos bons. E isso vale pra todas as áreas da vida.

Outra coisa: como disse Galvão Bueno (é, às vezes ele fala coisas boas hehehe), foi só mais um jogo de futebol. Podem achar que, por mal ter acabado o jogo e eu ter vindo escrever isso aqui, sou fria e nem me importo com a derrota. Pura mentira. Estou até mais chateada do que gostaria. Foi meu país ali, triste, envergonhado, poxa vida! Eu queria comemorar, mas nem ânimo pra almoçar fora tenho mais. Mas a vida continua, e continuaria mesmo que o Brasil ganhasse. Fato. A gente precisa se aprender que há coisas bem mais importantes com as quais se preocupar. Contas a pagar, relacionamentos, família, saúde, trabalho, lazer, Deus… Como está meu relacionamento com meu esposo? Como estou trabalhando, estou dando meu melhor? Será que estou tirando tempo pra descansar? E Deus, em que lugar o coloco no meu viver? Essas sim são questões verdadeiramente importantes, e a forma como lidamos com ela influenciará nossa vida agora e no futuro. Esses dilemas permanecem, com ou sem Brasil na copa…

A vida continua. Tem gente aí morrendo por causa de enchentes. A crise econômica ainda persiste em muitos lugares. As eleições vêm aí. Vão ser escolhidos governantes cujas decisões e atitudes, essas sim, terão o poder de mudar nossa vida, diferente de um jogo. Você se lembra disso?

Longe de querer irritar alguém que agora se sente arrasado, decepcionado, meu objetivo é fazer pensar (como sempre digo, vejam o nome do blog). Não só os outros, mas eu, antes de qualquer um. Ainda estou triste, mas isso passa. Haverá outras copas. Poderemos torcer novamente. E, quem sabe, ver o Brasil dar um show.

NÃO POR MUITO TEMPO! 2014 VEM AÍ. NA NOSSA CASA! #BRA 2014. A ESPERANÇA DO HEXA CONTINUA…

Garotas da capa

por Mônica Torres

Na fila do caixa no supermercado, a distração que resta, além de dizer não para todos os pedidos de guloseimas que os filhos fazem, é olhar as capas das revistas. Assim como balas e salgadinhos estão ao alcance das pequenas mãos gulosas e impacientes das crianças, as manchetes de todo tipo de publicação brigam pelo nosso olhar.

Tem desde revistinha com as receitas temáticas do mês, como bolos de milho para festas juninas, até as especializadas em decoração, ciência e economia. Claro que quem costuma roubar a atenção são as revistas de celebridades, com todas aquelas fofocas gritando “me compre, que eu conto a última da Danielle Winits” ou “olha quem vai ficar com quem na próxima novela”. Já vi muita mulher, e homem também, parando para ver fotos do mais recente casamento da Susana Vieira.

Mas nada que Susaninha e Dani fazem me surpreende mais do que as manchetes das revistas ditas femininas. De algumas, não se espera grandes profundidades. A proposta está lá, na forma como são produzidas as garotas de capa: sempre estrelas com roupas mínimas e cabelos esvoaçantes. Exatamente como a gente na vida real, né? Claro que não.

Até o delírio de beleza sexy e estonteante, eu não me surpreendo. Como eu disse, está na capa. O que me assusta sempre é a forma como as tais revistas prometem soluções para todos os seus problemas, especialmente nas áreas amor e sexo.

A primeira vez que me dei conta que as revistas femininas podiam ser mais que isso foi no começo de 2001, no lançamento da Trip para Mulheres, ou seja, TPM. Lá naquela longínqua edição estava uma lista de chamadas como “dicas para esquecer um grande amor” e “dez maneiras de fingir um orgasmo” retiradas de revistas femininas. Foi assustador.

Nove anos depois, estou na fila do mercado. Casei, virei mãe, sou profissional com uma certa experiência. Muita coisa mudou. Mas as revistas continuam as mesmas. Na espera para pagar pelas compras do mês é possível ler: “O que chama a atenção do gato na hora da transa? Seu rosto! Veja como tirar proveito da expressão facial para atingir o prazer supremo”. Até uma publicação que promete um olhar mais jovem promete responder às leitoras: “Sexo é mais legal com homens mais velhos ou mais novos?”.

Claro que toda uma cultura de submissão feminina não desapareceria assim. São décadas de pensamento machista imperando entre nós. Em uma pesquisa rápida, até o jovem Google mostra que as revistas femininas são assim – menos ousadas na escolha das palavras, claro – desde os anos 1950. Mas nós não aprendemos nada? Não queremos nada diferente? Não temos outras perguntas para fazer? Pra que precisamos de tantas “dicas”?

Buscamos nestas revistas a educação sexual que não tivemos, a autoestima que nos falta, o amor ideal que sonhamos. E as supostas respostas ficam lá, no display do supermercado, nos tentando como as guloseimas atiçam o desejo das crianças. Mas, meninas, acreditem, estas dicas não vão nos ajudar a ir em frente. Do contrário não estariam lá paradas na fila há décadas. Afinal, até a mais “feminina” das revistas sabe que a fila anda.

Arte?

Você acha que isso é “arte”? (clique na imagem para vê-la como está no original, e não esqueça que isso é só para maiores de 18, foram avisados).

Não? Pois então você está por fora, pois “moda também é arte”! Pelo menos isso é o que dizem os entendidos aqui. Então, se você quer sempre estar por dentro das “tendências”, quer sempre estar “in”, tem que seguir a moda! E pensar como aqueles que a ditam! Seja feliz!

Queria ver se fosse eu que quisesse sair assim na rua! Vamos ver se eles diriam que eu “estou na moda”…

Equilíbrio até na hora de comer

Ontem e hoje vi duas coisas relacionadas à alimentação que me chamaram a atenção, e queria compartilhar aqui com vocês.

Primeiro foi ontem, numa matéria da revista Época, em que se falava sobre um homem chamado Michael Pollan, ativista americano que, como a revista menciona, é contra todo tipo de alimentação que nossos avós não reconheceriam como tal. Hoje, foi a vez de ver no twitter o link pra uma matéria que fala sobre a “Ortorexia”, que seria um novo tipo de distúrbio alimentar. As pessoas ficam numa preocupação exagerada de comer apenas o que seria “correto” (leia as duas matérias para entender melhor).

Em todos os dois casos, o que vemos é um exagero, um radicalismo no que se refere à alimentação. Se não podemos sair comendo tudo o que vemos pela frente nem devemos nos alimentar daquilo que faz mal, o fanatismo, ainda que ligado ao que comemos, também pode ser muito prejudicial.

Sabemos que beber água, por exemplo, não é apenas bom, como necessário. Mas você sabia que beber água demais também faz mal? Pois é. Exagerar, quer pra mais ou pra menos, é sempre prejudicial.

O mesmo acontece com aquilo que comemos. Comer demais ou de menos, faz mal. Deixar de comer proteínas, vitaminas, carboidratos e até gorduras, de forma radical, prejudica a saúde. Por isso, se você quiser se cuidar, isso é muito louvável. Mas não exagere. Você pode se prejudicar, e ainda se tornar um chato para quem estiver ao seu redor. Equilíbrio é tudo.

Vivendo e aprendendo…

Hoje o posto em que atendo esteve cheio à tarde. Numa das consultas, o paciente apresentava micose, e, como era nas mãos, pensei que seria bem melhor medicação oral que tópica (no local): imagine você o dia todo com uma meleca nas mãos! A gente usa as mãos pra quase tudo, desde comer e beber, até escrever, segurar um livro pra ler, enfim. Pensei: “isso não vai dar certo, o creme não vai durar muito nas mãos desse menino”. Mas eu sabia que no posto a medicação oral estava em falta. E se eu mandasse a mãe comprar, muito provavelmente ela não iria fazê-lo, por preço, por dificuldade de locomoção, por preguiça (creiam, isso acontece sim)… Resolvi então passar a pomada mesmo, porque teria no posto, e pelo menos ia ajudar um pouco. Mas isso tudo que eu contei pra vocês aconteceu em menos de um minuto: desde a minha dúvida inicial até a tomada da decisão do que prescrever, tudo foi como segundos, pensamentos velozes na minha cabeça. Sim, porque a gente não pode demorar quando há mais uns 20 na sala de espera. E que reclamam se você passa mais de 10 minutos com apenas um paciente…

Depois foi a vez de uma mulher com dor de ouvido. Ela já havia ido no posto por esse mesmo motivo havia algumas semanas. Passei o medicamento, mas ela não comprou (provando o que falei acima, que quando a gente passa algo que não há no posto, porque o paciente realmente precisa, eles não compram). E hoje continuava com dor, com o agravante de ter eliminado secreção pelo ouvido.

E então? Alguém aí ainda quer ser médico? É frustrante, não? Por isso, alguém pode estar pensando que não estou contente com minha profissão. Não poderia estar mais longe da verdade. Amo o que faço, não consigo me imaginar fazendo outra coisa, e me sinto feliz de poder ajudar essas pessoas, porque casos como esses que citei não são tão frequentes assim. Há aqueles que conseguem a medicação no posto (maioria), que se tratam direitinho, do jeito que você ensina, e que voltam depois dizendo que estão bem. Alguns até agradecem, e os idosos gostam muito de mim, dizem que sou muito paciente! Tem como não ficar feliz com isso? Tem como não se sentir útil ao saber que você muitas vezes é o único médico que aquelas pessoas podem consultar — já que muitas não têm dinheiro sequer para descer ao hospital — e que não precisam pagar por isso? Não. Não tem.

Mas citei os fatos do começo do post para que vocês vejam um pouco como é difícil ser médico em nosso país. Seja pelas condições de trabalho, pela situação do paciente, pela falta de vontade dele em se ajudar (o médico não faz tudo sozinho), pela incompreensão de muitos… E para que conheçam um pouco da vida de pessoas que muitas vezes não têm R$ 1,00 no bolso pra comprar uma dipirona que seja. Não, a vida não é só blog, twitter, viagens, passeios e comidas gostosas, que a gente come quando tem vontade ali no shopping. Existe muita coisa que a gente não conhece. Mas graças a Deus e à minha profissão, eu tenho aprendido e conhecido muita coisa nova e diferente das que estava acostumada (quando faço visitas domiciliares a acamados, posso ver coisas que muitos de vocês nem imaginam). E é esse um dos motivos que me fazem ter orgulho de ser médica.

A história das coisas

Outro vídeo dez. É, vou falar menos, e deixar que vocês mesmos vejam e analisem. Agora aqui só tem coisa pra refletir, pra quebrar a cuca hehehehe

Pense nisso

Assista a esse vídeo e reflita. Reflita bastante. Ele não é tão curtinho, mas vale a pena. É muito bom, e diz muitas verdades. Vamos aprender e crescer! Pra ver legendado em português, clique em “view subtitles”.

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