Pensamentos

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Pensamento

“Amar é ser absolutamente vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração será torcido e possivelmente quebrado. Se você quiser ter a certeza de mantê-lo intacto você não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente com hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento. Tranque-o em segurança num cofre ou no esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife seguro, escuro, imóvel, sufocante, ele irá mudar. Não vai ser quebrado, mas vai se tornar inquebrável, impenetrável, irredimível. Amar é ser vulnerável.”
C.S. Lewis (Os quatro amores)

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Sobre ter opinião…

Será que é assim que se trata alguém por ter opinião? Pra muita gente, sim...

Eu acho interessante que muita gente fala: “fulano precisa aprender a dizer não” ou “fulano precisa se impor” ou ainda “fulano tem que ter opinião e deixar de ser mosca morta”, mas quando o tal fulano passa a ter todas essas atitudes que foram solicitadas dele, os outros estranham.

Eu sempre fui muito temerosa de dizer o que penso, não gostava de falar certas coisas para certas pessoas com medo de ser mal interpretada e perder a amizade de alguém de quem eu gostasse (e isso sempre acontecia com amigos, engraçado que nunca tive medo de discordar de meus pais ou meu esposo). Me lembrei disso hoje, ao ver um twitter de alguém que sigo: “Às vezes vc deixa de expressar sua opinião, com medo que ela se choque com a opinião dos outros? Não? Nem eu… hehe”. Eu já deixei muitas vezes de falar o que penso para não “chocar” com outras opiniões. Mas eu mudei. Não pensava assim antes. Só que hoje, eu falo o que penso, sem medo de ser feliz. As outras pessoas não pagam minhas contas, não têm os meus problemas, não vivem a minha vida.

Porém, isso não é fácil. Como já citei noutro post, uma vez me deram unfollow no twitter porque eu “escrevo coisas polêmicas só para dizer que tenho opinião”. Na verdade, a pessoa fez isso porque não gostava de algumas coisas que eu dizia, por não concordar com ela (isso não foi julgamento meu, alguém ligado a essa pessoa me explicou). E é mais complicado ainda quando você tem que discordar de alguém que é próximo a você. Mas ter opinião própria não é pecado. Pensar diferente não é errado. Cada um tem o direito de ter o pensamento que quiser a respeito de determinado assunto.

Contudo, as mesmas pessoas que pensam isso te criticam ou se espantam e te repreendem quando é você o que discorda, o que se levanta perante injustiças, o que diz não, ou simplesmente o que diz o que pensa. Elas podem, você não. Peço licença a meus amados leitores para dizer: estou de saco cheio de gente assim. Eu agora não tenho mais medo do que os outros vão pensar por eu dar minha opinião. Portanto, se você quiser me dar unfollow, xingar ou deixar de ser meu amigo, fique à vontade. Sou eu que pago minhas contas e me sustento, graças ao bom Deus, e o que você pensa de mim não interessa.

Maturidade tem a ver com saber discordar com elegância, com classe. Eu também não entendia isso antes, se alguém discordava de mim já achava que a pessoa não ia com a minha cara. Mas hoje sei que não tem nada a ver, todos podemos — e devemos — ter opinião própria, e mesmo que essa opinião seja diferente da opinião do seu amigo, isso não quer dizer que você não gosta mais daquela pessoa, que vocês agora vão cortar relações ou que você tem que dar unfollow no twitter. Divergir é bom e necessário, e sábios são aqueles que fazem isso sem brigar. Não precisa ser arrogante, mas não há problema em dizer o que você pensa sobre um assunto, ainda que seja diferente do que alguns pensam. E se eles se incomodarem? Problema deles…

“Preocupe-se mais com seu caráter do que com sua reputação. Caráter é aquilo que você é, reputação é apenas o que os outros pensam que você é.” John Wooden

Sobre o casamento…

Cada pessoa possui uma idéia do casamento. Ela pode se basear no modelo que recebemos dos pais, em casa, nos apelos românticos – e nem sempre muito reais – dos filmes, das novelas e dos romances, ou simplesmente na imaginação de cada um. Com base na experiência própria ou de terceiros, alguns criam falsas expectativas ou, não raro, aversão a esse tipo de compromisso de longo prazo. A verdade é que só se descobre o que é o casamento casando. (Renata Sturm)

Tudo que eu penso, de uma forma tão simples!

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“Escrever é um modo de falar sem ser interrompido.” Henry David Thoreau.

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A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente. (Fernando Pessoa)

Ser ou não ser romântica

romantiqueEu me acho uma pessoa romântica. Adoro quando meu esposo me dá flores, quer seja uma surpresa, quer eu o veja comprando na hora (como aconteceu no último sábado à noite, quando saímos pra jantar fora — outra coisa que amo). Adoro ver “Como se fosse a primeira vez” com ele. Um filme simples, mas bonito, que mostra o que deveria acontecer em todo relacionamento: um lembrando o outro todos os dias o quanto se amam. Amo ver com ele a cena de Friends em que Chandler pede Monica em casamento (e olha que já vimos várias vezes, mas nunca me canso, e sempre me emociono). Amo quando ele manda mensagens pro meu celular, e como não cansa de dizer que me ama. Acho que isso pode me caracterizar como ‘romântica’, certo?

MAAAAAAAAAS… E se eu disser que odeio comédia romântica? Se disser que não acredito naqueles finais felizes dos filmes, ou em almas gêmeas, ou em “príncipe encantado”? Se eu disser que não acredito que exista o “Mr. Right”, que o beijo vai dizer como vai ser o relacionamento, ou que não consigo engolir aquela ideia de “que o amor prescinde de conversa, pois um apaixonado pode ler o pensamento do outro” ou “quando o cosmos entra em ação, não é necessário esforço, apenas a sorte de estar no lugar certo, na hora certa. Basta não discutir com os deuses e deixar que os olhares e a sintonia de pensamentos fluam”, como foi falado numa das revistas Istoé, de março desse ano (que comenta sobre o impacto negativo das comédias românticas nos relacionamentos)? Você ainda me acharia romântica?

Venho constatando pelas minhas leituras no mundo virtual que, infelizmente, a ideia de romantismo anda bem deturpada ultimamente. As pessoas pensam que ser romântico é tudo isso que falei no parágrafo anterior. Acham que tudo vai acontecer como num passe de mágica. Que o príncipe (ou princesa) vai cair do céu, que vai ser exatamente como você o viu “nos sonhos” (mode Bela Adormecida on kkkk), que ele vai adivinhar tudo o que você pensa, mesmo sem que você fale nada (como naqueles joguinhos que nós mulheres somos experts em fazer: “O que tá havendo?”, ele pergunta. E você: “nada”. E pensa: se ele me amar mesmo, vai saber o que é que está havendo. Quanta bobagem! Os homens veem as coisas de modo completamente diferente das mulheres, e, a menos que você entenda isso, a comunicação vai ser péssima entre vocês, e isso pode até acabar com o relacionamento. Pra um entender bem o outro, deve haver um esforcinho da parte de ambos. As coisas não acontecem do nada…). Que ele vai ser lindo, o nome dele vai começar com a letra tal (tem gente que não namora por causa do nome do outro, isso não é lenda), e mais um monte do que eu chamaria de “abobrinha”.

Se ser romântico é isso aí, eu estou fora! Relacionamentos são simples, mas a gente os complica, simplesmente porque queremos que seja tudo como nos filmes, uma vez que nos acostumamos tanto a assistí-los, que não admitimos outra realidade qualquer. Porém, sinto em informar, a vida real não é o que você vê todo sábado à noite na telinha. Pra ter um bom relacionamento, quer seja ele namoro, noivado ou casamento, você precisa se esforçar. “Esforço?”, alguém pode estar pensando, “mas isso não é nada romântico!” Pois eu digo que sim, é necessário esforço.

Eu não penso como algumas pessoas mais velhas que você pode casar com alguém sem amar, e que isso vem com o tempo. Não. Pra casar é preciso haver amor. Não é preciso amor pra namorar, afinal, você nem conhece direito a pessoa, como pode haver amor (também devo dizer que não acredito em amor à primeira vista — acho que agora você vai mesmo abandonar a leitura do post, não?)? O que há é algum interesse, quem sabe coisas em comum, atração física. E aí, as duas pessoas começam a namorar para ver no que vai dar aquilo ali. Pode ser que o interesse aumente e se torne amor, como pode ser que nada aconteça e o namoro termine. É por isso que a gente namora antes de casar. Pra analisar e ver se vai dar certo ou não. Mas, mesmo quando a gente está amando tanto o outro que resolve casar, ainda assim há a necessidade de esforço. Uma vez li numa comunidade do orkut a seguinte frase: “Casamento devia ser que nem vestibular, pra fazer, teria que estudar muito antes.” E como eu concordo com isso! Tem que estudar sim, não só antes, como também durante! Ler muito sobre relacionamentos, sobre as diferenças entre homem e mulher, conversar com pais e amigos casados, pesquisar, estudar, estudar e estudar…

Mais uma vez citando Friends (e eu adoro citar essa frase, devo ter feito isso um zilhão de vezes na vida real e mais outras tantas aqui no blog), eu gosto muito quando, em certo episódio, Monica fala que ela não acredita em almas gêmeas, e que o que ela tem com Chandler (na época já estão casados) foi conseguido com muita luta, com muito esforço da parte de ambos. E eu creio nisso também. Há necessidade de esforço, constante aprendizado, leitura de material confiável sobre o assunto. Precisamos aceitar uma coisa: homens e mulheres são diferentes. Se você se identificou com a “cena” que criei anteriormente, da mulher que quer que o homem adivinhe o que ela está pensando, saiba: ele NÃO vai adivinhar. Ele nem vai se dar ao trabalho de pensar no que poderia ser. Simplesmente porque o homem é super racional. Se você diz: “nada está acontecendo”, ele entende exatamente isso. Nada está acontecendo, não preciso me preocupar. Se você se decepcionou com isso, não achou nada romântico, só tenho a dizer: sinto muito. Mas a vida é assim mesmo. E do mesmo modo que há características dele que você não aprecia, há em você coisas de que ele também pode não gostar muito… E, claro, nem toda mulher é como aquelas que você vê em comédias românticas, e nem todo homem é igual, vai depender muito de como funciona o seu cérebro: se ele é mais masculino, feminino ou intermediário. Sugiro que você leia “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?” pra fazer o teste e entender melhor o assunto.

O fato é que somos diferentes. E por isso precisamos nos dedicar ao estudo um do outro, se é que queremos nos relacionar melhor. É nisso que acredito, e não em contos de fada modernos. Por isso que falo tanto aqui no blog sobre relacionamentos. Procuro compartilhar o que aprendo com livros, palestras, seminários, encontros de casais, aconselhamentos pastorais (sempre conversávamos sobre isso com o pastor que nos casou, pena que ele foi pros EUA fazer doutorado, sinto falta das visitas…ele sempre falava que nunca deveríamos ir dormir brigados e sempre lembrava de quando teve que ir dormir às 3 da manhã pra resolver umas “pendências” com a esposa, só dormiram quando fizeram as pazes…isso também já aconteceu comigo e meu esposo, e graças a Deus, temos sempre seguido o bom conselho). E também, claro, com o que tenho aprendido com a vida, que tanto nos ensina. Acho de extrema importância esse assunto, e aprendo muito enquanto leio e escrevo…

Se isso não é ser romântica, então, realmente, não o sou. Afinal, o que são rótulos? Prefiro crer no que sei que é real, que dá certo, que ajuda em vez de atrapalhar. E se eu puder auxiliar outros com esses posts, aí então terei certeza de que é melhor mesmo não ser “romântica” como o mundo vê. O amor não é um sentimento barato, mas um princípio, uma decisão tomada diariamente.

É o amor um dom precioso, que recebemos de Jesus. A afeição pura e santa não é sentimento, mas princípio. Os que são movidos pelo amor verdadeiro não são irrazoáveis nem cegos. (Ellen White, O Lar Adventista, pág. 50)

O amor é sempre uma decisão. É isso que o torna significativo. (Gary Chapman, As cinco linguagens do amor, pág. 41)

Lembre-se: o amor não é um sentimento. Trata-se de uma atitude, um comportamento, uma forma de pensar. O amor é a atitude que declara: “Escolho cuidar de seus interesses. De que maneira posso ajudar você?” (Gary Chapman, Como lidar com a sogra, pág. 99)

E é nesse amor que acredito…

Do amor…

comolidarsogra

Lembre-se: o amor não é um sentimento. Trata-se de uma atitude, um comportamento, uma forma de pensar. O amor é a atitude que declara: “Escolho cuidar de seus interesses. De que maneira posso ajudar você?”. Uma atitude de amor conduz a um comportamento igualmente amoroso.

A realidade é que o amor tende a estimular o amor. Na verdade, as escrituras dizem que amamos a Deus porque ele nos amou primeiro (cf. I Jo 4:19). É o amor de Deus que estimula o amor dentro de nós. O mesmo princípio vale no que se refere a relacionamentos humanos.

Gary Chapman, Como lidar com a sogra, Editora Mundo Cristão.

Livro que acabei de ler. Recomendo TOTALMENTE. Como todos de Gary Chapman 😉

Sonho de uma noite de verão…

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem diga nem todas, só as de verão. Mas no fundo isso não tem muita importância. O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos. Sonhos que o Homem sonha sempre. Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.” – Shakespeare

Mulher

Sexy young woman with flowers

Todo mundo precisa descansar. Mas aquele sono era especial. Descanso para a esperança de dias melhores, de dias felizes cheios de cumplicidade! Quando Deus deitou Adão naquele dia, nem nos seus melhores pensamentos, poderia imaginar a beleza inigualável da criação imponderável de Deus. Ali, agora acordado, absorto e plenamente feliz Adão entendeu que só poderia, realmente, refletir a imagem de Deus se estivesse unido a mais bela de todas as criaturas. – a Mulher.

Esposa, mãe, profissional, amiga, conselheira, cristã. Obra prima da criação de Deus, início do céu, frescor de esperança. Sejam elas para sempre, por todo o sempre… “Sempre Mulher”.

Fonte: Sempre mulher

A forma mais eficaz de interferir no mundo

Uma amiga minha, há uns dias, colocou o seguinte post em seu Twitter:

“Noticiar é, hoje, a forma mais eficaz de interferir no mundo”. Manoel Carlos Chaparro, 1996. A atualidade confirma, 13 anos depois?

Eu disse a ela que ficava difícil responder com aqueles míseros 140 caracteres que o Twitter nos dá, e perguntei se podia ser por post no blog. Bem, aqui está o post.

Pesquisei sobre o autor da frase na internet, e descobri que é doutor em Ciências da Comunicação e professor de Jornalismo. Eu bem que quis ver o blog do dito cujo, mas o Google me alertou de que poderia haver algo de errado no site, e isso poderia prejudicar meu computador, então resolvi não arriscar. Mas achei algumas coisas interessantes, e até uma foto do ilustre senhor…

Mas esse post não é pra falar dele, e sim do que penso sobre a frase. Pra começar, quero que vocês notem bem três palavrinhas: Noticiar é, hoje, a forma mais eficaz de interferir no mundo. Quis destacar “mais eficaz” e “mundo” porque vai ser a partir delas que formarei minha opinião.

Pois muito bem. Noticiar. Informar. Segundo o dicionário Michaelis online:

no.ti.ci.ar
(notícia+ar2) vtd 1 Dar notícia de; anunciar, comunicar: Noticiou prazenteiramente a realização da festa. Noticiaram-me o falecimento do colega. vtd 2 Publicar, tornar conhecido: A imprensa noticiou o suicídio da estrela. vpr 3 Informar-se, inteirar-se: “Para se noticiar ao certo do inimigo” (Morais).

Creio que o jornalista Chaparro se refere a todas essas definições. Partindo disto, analisemos a máxima!

Vocês já viram que tipo de notícia sai por aí? E não, eu não estou me referindo a revistas/programas tipo Caras, Contigo, Ti-ti-ti, Minha Novela ou Fantástico não. Falo de Veja, Istoé, Jornal Nacional e afins. Desde o preço do leite, até o aborto da artista famosa. E vem cá, falando sério: o quanto importa saber se Ivete Sangalo perdeu o bebê (não agora, mas da outra vez)? O quanto importa saber se o Bahia ganhou ou perdeu do Avaí? O quanto importa saber se foi aquele filme ganhou o Oscar, e não outro? Bem, pra mim — e isso pode escandalizar alguns, mas, honestamente, não me importa — não faz diferença alguma saber de tais coisas. Ainda me lembro da tristeza que meu pai teve quando o Brasil perdeu a Copa de 98 (eu acho!). Meu Deus, pra quê?! Sinceramente, o Brasil ganhar ou perder numa Copa, saber se fulana tá namorando ou já casou, e descobrir qual filme ganhou o Oscar não muda meu salário, não resolve meus problemas pessoais, não me compra um carro novo… E podem até contestar, mas a gente sabe que esse tipo de notícia também é veiculada pelas revistas e pelo telejornal que citei antes.

Eu não assisto jornal, não leio jornal, não tenho assinatura de Veja, Istoé nem Superinteressante, e também não ouço rádio. Se quero saber o que está acontecendo no mundo, dou uma olhada (de vez em quando) no G1. Mas, no mais das vezes, acabo descobrindo as coisas pelas comunidades que frequento no Orkut, porque sempre que acontece algo, acabam comentando nelas… Podem me chamar de aluada, desinteressada, desinformada, “num tô nem aí”. Quando eu quero descobrir alguma coisa, pesquiso e, geralmente, acho. Se for relacionado à minha profissão, nem se preocupem, minha caixa de correio eletrônico é entupida todos os dias com as tais das “descobertas” e novidades médicas. Eu sei que esse mundo não vai melhorar. E em sites de notícia tenho a vantagem de escolher as notícias que quero ler, coisa que não dá pra fazer quando a gente tá assistindo a um telejornal (experimenta dar aquela zapeada rápida na hora da propaganda — você perde as notícias que não queria ver e a que queria). Eu até ouso dizer que nem assuntos “sérios”, relacionados à política por exemplo (como toda essa confusão de Sarney e seu senado) interessam. Simplesmente porque sei que, como sempre, vai tudo acabar em “pizza”, meu salário não vai aumentar e a corrupção vai continuar rolando solta, as usual.

Não nego a importância de reportagens investigativas, como muitas que a gente vê no próprio Fantástico, ou no Profissão: repórter, ou ainda no Repórter Record, entre outros. Elas nos ajudam a descobrir coisas sérias, que muitas vezes nem cogitávamos, e às vezes ajudam a polícia a descobrir pistas — isso quando não resolvem praticamente todo o caso! — sobre crimes até então sem solução. Também há aquelas reportagens ao redor do mundo, mostrando a geografia de terras desconhecidas pra muitos, alguns dos quais nunca sequer terão a chance de viajar, um dia, para tais lugares. Ajudam-nos a adquirir um pouco mais de cultura, a aprender coisas novas, e ninguém vai dizer que isso não é bom. Reportagens que nos mostram realidades que o Brasil não conhece, como as do Haiti, Afeganistão, Moçambique, Somália, entre tantos outros. Mesmo que a gente não tenha o poder de solucionar todas as desolações que vemos nesses locais, ainda assim podemos aprender que, em grande parte das vezes, nossos problemas não são tão grandes quanto os deles, e muita gente que assiste a tais reportagens acaba se sentindo movido a fazer algo pra ajudar, o que gera, em alguns casos, atitudes maravilhosas, e muitas vidas resgatadas. Isso pra não citar a importância de notícias que servem como alerta: não viajar pra tal lugar porque a estrada está ruim, fazer tal coisa pra evitar tal doença…

Tudo isso é, sim, muito bom e muito importante. Mas às vezes sinto que o Jornalismo brasileiro estão tão longe dessa realidade! Melhor é mostrar escândalos, desfiles de moda, resultados de jogos e fofoca de celebridades, porque, aí sim, dá audiência, dá dinheiro. E o Jornalismo, creio eu, não surgiu com essa intenção, mas sim com o objetivo de informar, de alertar, de avisar, de ajudar a população por dar a ela o conhecimento dos fatos — fatos esses que, pelos motivos que citei antes, acabam até, algumas vezes, sendo forjados, alterados, modificados.

Sei que há bons e maus jornalistas, como há bons e maus médicos, professores, pastores ou advogados. Bons e maus profissionais há em qualquer área. Mas, mesmo com os bons profissionais, mesmo com o bom Jornalismo, ainda assim não são todas as notícias que me afetam, e quando afetam a mim, nem sempre afetam outros. Por isso, acho um pouco precipitado dizer que noticiar é a forma mais eficaz de interferir no mundo. Talvez no seu mundo, em alguma situação; talvez só no meu, em outra. Talvez nos nossos, em determinado caso. Acho — se é que posso mexer na frase de um doutor — que a frase deveria ser: “Noticiar é uma das formas mais eficazes de interferir na vida das pessoas. Não sempre, nem na vida de todos ao mesmo tempo.”

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