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Quando a beleza se torna um problema de trabalho

Antes de mais nada, preciso dizer que não sou feminista. Não concordo com essa filosofia de vida, corrente de pensamento, ou o que quer que seja. Mas não apoio o sexismo, não concordo com “essa batata frita é de menino e aquela, de menina” , nem acho certo tratarmos homens e mulheres de forma diferente na questão profissional. Ainda por cima, me incomoda muito a preocupação exagerada com a aparência que existe hoje em dia, tanto que sempre comento isso aqui. Por isso tudo, resolvi reproduzir aqui uma entrevista feita pela jornalista Letícia Sorg, da revista Época, em que ela conversa com Deborah Rhode, uma advogada americana que defende a criação de uma lei para proteger as pessoas da discriminação pela aparência.

Leia e comente!

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A advogada americana Deborah Rhode, autora do livro The Beauty Bias (algo como, O preconceito da beleza), defende que é preciso criar uma lei que proteja as pessoas de serem discriminadas, no ambiente de trabalho, por causa de sua aparência. Ela revela que, nos Estados Unidos, ser mais bonito (ou mais alto, no caso dos homens) pode significar ganhar 16 mil dólares a mais por ano – sem que isso tenha qualquer relação com ter mais competência. E que a aparência física pesa muito mais para as mulheres do que para os homens. Deborah, que é professora de Direito na Universidade de Stanford, afirma que elas sofrem quando se cuidam menos do que a sociedade espera e também quando se cuidam mais do que a média. E como adivinhar quanto é pouco e quanto é muito? Haja jogo de cintura e paciência…

Deborah afirma que as mulheres têm menos escolha quanto à própria aparência do que imaginam. Usar ou não salto alto e maquiagem pode não ser uma questão de gosto pessoal: pode ser uma exigência social e uma espécie de código não-explícito ou explícito de conduta no trabalho.  De fato, há casos em que o salto é parte do uniforme. E quem já não viu recepcionistas padronizadas com a mesma cor de sombra nos olhos? Até que ponto os empregadores devem ter direito de exigir certos padrões de aparência e cuidados?

Entrevistei Deborah para entender melhor o que é esse “preconceito da beleza” e publico no Mulher 7×7 de que forma esse problema afeta especialmente as mulheres. Leia a entrevista publicada na edição impressa de ÉPOCA.

Como a senhora decidiu escrever sobre o “preconceito da beleza”?
Deborah Rhode –
Eu presidia uma comissão sobre mulher e trabalho da American Bar Association (o equivalente americano à OAB) e estava em um evento em Londres.  O encontro estava acontecendo em vários lugares da cidade e uma ameaça de bomba paralisou o metrô no dia aniversário da Rainha Mãe. O trânsito estava horrível e não havia nenhum meio de transporte público para ir de um lugar para outro. Então, notei que estava rodeada por mulheres muito bem-sucedidas, mas reduzidas a cacos por causa de seus sapatos. Elas não conseguiam andar nem uns poucos quarteirões e me dei conta da ironia da situação. Senti empatia por aquelas mulheres naquele dia em Londres. Eu tive sorte porque tinha um sapato confortável dentro da bolsa. A desigualdade nos sapatos é uma pequena desigualdade que mantém as mulheres para trás. Nesse caso, literalmente. Então, comecei a notar nos tabloides, na viagem de volta para casa, que nenhum anúncio de calçado mostrava algo remotamente confortável. Se os homens podem ser sexy sem a ajuda de um sapato, por que as mulheres não podem?

Então, tendo todo o tempo de um voo transatlântico, escrevi um artigo satírico para o New York Times. Nunca tinha tido tanto retorno! As pessoas me mandaram suas histórias com sapatos, com as dores no pé e nas costas. Descobri que 80% das mulheres têm problemas no pé ou nas costas, a maioria relacionada aos calçados que usam. As mulheres fazem isso a si próprias, é verdade. Mas há uma questão cultural por trás do problema. Todos os direitos pelos quais as associações de direito da mulher têm lutado nos últimos 25 anos não foram suficientes para tornar os gêneros mais iguais. Sob alguns pontos de vista, as coisas só têm piorado. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que mais mulheres estão insatisfeitas com sua aparência agora do que há alguns anos. E um número maior sente uma pressão social para se submeter a práticas estéticas nem sempre saudáveis. Este é um mundo que gasta 200 bilhões de dólares por ano em produtos de beleza, muitos classificados por dermatologistas como fraudes. Eu me interessei em entender, do ponto de vista cultural, o que está motivando o nosso excesso de preocupação com a aparência. Quais são os custos sociais que isso tem e o que podemos fazer a respeito em termos de legislação.

A senhora afirma que as mulheres são as principais vítimas do preconceito de aparência. Por quê?
Os homens sofrem também com o problema, especialmente os mais baixos ou acima do peso. Mas as mulheres são mais prejudicadas porque os padrões estéticos são mais limitados e o preço por não atingi-los é maior. Elas são punidas por não se preocupar o suficiente e também por se preocupar demais com a aparência. Quem exagera nos cuidados é tido como narcisista, fútil. Quem se importa de menos é tido como preguiçoso, não profissional. Em minha opinião, a sexualização da mulher é uma maneira de puni-la, de diminuí-la no ambiente de trabalho. Um dos muitos exemplos que dou no livro: certa vez, Hillary Clinton (secretária de Estado americana) foi criticada por ter um quadril muito grande. Também vimos comentários sobre a aparência de Elena Kagan, nomeada para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Como se ser atraente fosse uma credencial para fazer parte da Corte Suprema. Nenhum indicado homem teve de falar a respeito disso em sua sabatina no Congresso.

Recentemente, uma ex-funcionária do Citibank decidiu processar o banco alegando que foi demitida por causa de sua aparência, sensual demais. As belas também sofrem?
Em algumas funções, geralmente as de alto escalão, antes ocupadas quase totalmente por homens, mulheres muito sexy ou atraentes não são consideradas inteligentes o suficiente. Elas também são julgadas por suas medidas, não por seus méritos.

A senhora já sentiu na pele o “preconceito da beleza”?
Eu estava organizando um encontro sobre igualdade de gênero e trabalho e  imagem dos palestrantes, a minha inclusive, ia ser projetada em um telão durante o evento. Minhas amigas, então, ficaram muito preocupadas em como eu ia aparecer e queriam contratar uma pessoa para me ajudar a comprar roupas, fazer maquiagem, mudar o cabelo. A ironia é que eu, como organizadora do evento, não tivesse uma única roupa que se ajustasse à ocasião. A situação toda foi um tanto ridícula, mas eu sabia que elas tinham uma boa intenção. Então, do meu bolso, paguei por um novo visual. Dou risada agora ao pensar que, ao assumir cargos administrativos, as pessoas me incentivavam a ir fazer compras. Diziam: “Você tem que se preocupar mais com isso!”. Eu me enquadrei, como muitas pessoas, a essas exigências do trabalho. Mas hoje estou numa posição muito confortável (como professor universitária) porque os alunos realmente não ligam para a minha aparência. Ainda tenho as roupas que uso em ocasiões especiais, mas não uso mais sapatos desconfortáveis.  Mas, depois de saber de todos os problemas nos pés e na coluna causados pelos sapatos, peguei todos os sapatos com saltos muito altos e doei para a caridade. Agora só uso sapatos com os quais eu realmente consiga andar.

Estava dando uma outra entrevista e a jornalista me disse: “Gosto de salto alto. Ele me faz me sentir sexy e bonita nas fetsas”. Eu disse: “Ótimo”. Desde que seja uma escolha pessoal, não algo imposto por seu patrão e necessário para a sua avaliação como profissional.

A senhora se submete a algum tratamento de beleza?
Faço luzes no cabelo. Mas pretendo resistir às tentações do botox e dar um bom exemplo. De qualquer maneira, o problema não são as escolhas pessoais, mas as pressões sociais. Qualquer que seja sua escolha, você pode fazer a sua parte para promover uma sociedade que não imponha punições baseadas na aparência.

Há saída para as mulheres, já que elas são punidas por não seguir ou por seguir os padrões de beleza?
Acho que temos que questionar o que considerar quais são as nossas preferências pessoais. Quem estamos tentando agradar com elas? Temos também que nos educar sobre as imensas quantidades de dinheiro que gastamos com cosméticos que não funcionam. Uma vez comprei um pote de creme que custava 55 dólares. Aquela foi a última vez que fiz isso. Temos que estar conscientes dos riscos das cirurgias plásticas, dos riscos do efeito sanfona no peso. As mulheres têm que entender que não se trata de um problema pessoal, delas com seus próprios corpos, mas social e político.

O movimento feminista ajuda as mulheres a lidar com a pressão pela aparência?
A história de que feministas teriam ateado fogo a sutiãs em frente a um concurso de beleza – na verdade, eles foram depositados junto com itens de maquiagem e outros acessórios numa lata de lixo – gerou a ideia de que as feministas eram feias e desajustadas. Hoje algumas feministas veem a aparência como parte da atitude de mulher, uma questão de escolha. Outras, porém, dizem que as escolhas são culturalmente restritas. Não há uma posição coerente a respeito do assunto. As feministas estão divididas entre usar ou não usar salto alto, Botox e silicone. Para mim, a preocupação com a aparência não é só uma questão de escolha pessoal. Temos de pensar nas limitações impostas pela sociedade e na maneira como as pessoas são punidas por não segui-las; no preço que pagam, financeira e psicologicamente, por não se preocupar com a aparência na medida que a sociedade espera. É importante fazer as pessoas perceber os aspectos perniciosos dessa preocupação e que é possível fazer algo para mudar. Seja uma lei, um boicote permanente, outras formas de políticas públicas. Não me iludo com o que podemos ou não mudar por meio dessas ações, mas podemos fazer muito mais do que fazemos agora.

Inteligência ou aparência: o que realmente importa?

Bem magrinha e praticamente sem peito, Tessália turbinou os seios com 300ml de silicone. A ex-BBB justificou a mudança: “é difícil uma mulher com pouco peito ser aceita na sociedade”. Na socidade das ex-BBBs isso faz sentido… (EGO, 27/06/2010).

A notícia pode ser velha, mas eu não sabia que a justificativa usada tinha sido essa. Quer dizer que, para ser aceita, a mulher tem que ter peito. Essa foi demais! Pensei que tínhamos que ser inteligentes, educadas, trabalhadoras, esforçadas, responsáveis. Não, temos que ter peito! E não é no sentido de ter coragem, não. É ter seio grande mesmo.

Quando a gente pensa que as mulheres finalmente estão começando a ser aceitas por seu cérebro, vem uma tonta e mostra que não: a aparência continua sendo o mais importante. Afinal, quem tem que ser inteligente é o homem, mulher só tem que ter corpo né? Pra que cérebro, se quem pensa é o homem e a mulher só obedece? Isso tudo seria até engraçado se não fosse real. E pior, confirmado — e ao que parece, aceito — por uma mulher.

Arte?

Você acha que isso é “arte”? (clique na imagem para vê-la como está no original, e não esqueça que isso é só para maiores de 18, foram avisados).

Não? Pois então você está por fora, pois “moda também é arte”! Pelo menos isso é o que dizem os entendidos aqui. Então, se você quer sempre estar por dentro das “tendências”, quer sempre estar “in”, tem que seguir a moda! E pensar como aqueles que a ditam! Seja feliz!

Queria ver se fosse eu que quisesse sair assim na rua! Vamos ver se eles diriam que eu “estou na moda”…

Perfeitas, por favor?

Para entender do que se trata, leia essa matéria (tentando fazer posts pequenos!).

“O que é mais importante na vida do que a família?”, disse Gisele. Mas se é assim, por que aparecer seminua na tv? Pra dizer que está em forma cinco meses após o parto? E como isso pode ser importante na vida dos brasileiros?

“Ah, Daniella, deixa de ser chata, toda mulher fala sobre essas coisas”. Exato! Toda mulher conversa sobre isso. Mas pra que fazer uma “reportagem” num programa que deveria ser “jornalístico”, além de só entreter, tratando desse assunto? Que importância ele tem afinal? Talvez seja importante pra ela, porque vive da aparência. Na minha (e na da maioria das pessoas normais) profissão, eu só preciso mesmo do cérebro, obrigada.

Mas o mais chato é que isso gera uma pressão, apesar de muitas vezes inconsciente, na cabeça das mulheres de que, cinco meses após o parto, elas têm que estar perfeitas, que nem a Gisele! Como se não bastasse a pressão para ser mãe — porque está “na moda” — agora tem a pressão do “depois de ser mãe”: ser magrinha e perfeita de novo. Como se toda mulher fosse como ela, como se todas conseguissem isso, como se isso fosse realmente importante. E o que acontece? A mulher fica nessa neura de que não é “perfeita”, e aí vêm a baixa autoestima, a falta de amor próprio, a depressão… Mas não tem problema, né? Afinal, essa reportagem não é “nada de mais…”

Casamento não é só festa…

Antes mesmo do primeiro aniversário, chegou ao fim a união da atriz Sthefany Brito e do jogador de futebol Alexandre Pato. O casamento, cheio de pompa, foi celebrado em julho passado numa tradicional igreja do centro do Rio e com uma festança estimada em 1 milhão de reais no hotel Copacabana Palace.

Há algumas semanas, a crise entre a atriz e o jogador tem sido assunto na imprensa nacional. Parentes e amigos do casal teriam ido à Itália para evitar a separação, sem sucesso.

Lesionado e com poucas chances de ir à Copa, Pato passou a ser figurinha fácil nas noitadas de Milão, na companhia de amigos como o jogador Ronaldinho Gaúcho, que tampouco está cotado para ganhar uma vaga na seleção.

Sthefany não comenta o assunto, mas pessoas próximas dizem que ela está com viagem programada ao Brasil para o mês que vem (Revista Veja).

Um milhão de reais. Tanta pompa pra acabar assim… Triste. Podem me achar boba, mas eu sempre acho triste fim de casamento. Porque, na minha visão, casamento é eterno. E não só “eterno enquanto dure”, mas eterno mesmo. Infelizmente, as pessoas hoje, quando decidem casar, fazem como quem decide ir ao shopping fazer compras. Ou sair pra comer sushi. Ou qualquer coisa corriqueira assim. Mas casamento é coisa séria. Só que as pessoas acham que sério=chato, então decidem não pensar muito e casam.

Casam sem nenhum interesse em saber o que realmente é o casamento, e sem qualquer preparação para ele. Não estão dispostos a ceder, a abrir mão, carregam dentro de si orgulhos infantis e por aí vai. Estão mais preocupados com uma festa, uma satisfação de desejo egoísta, do que em conhecer o amor em sua verdadeira essência.

Amor não é frio na barriga, não é arrebatamento, não é ouvir fogos de artifício a cada beijo, não é sonhar acordado. Isso é paixão, que vem antes do amor, mas acaba. E ainda bem que acaba, caso contrário viveríamos como doidos nesse mundo. Geralmente dura dois anos, isso foi descoberto através de estudos. Mas o caso é que chega ao fim. E se fica ainda o desejo sincero de permanecer ao lado daquela pessoa por quem nos apaixonamos, apesar dos defeitos, apesar das implicâncias, apesar de não sentir “frio na barriga” todos os dias, aí sim você pode começar a achar que seja amor…

Mas não é isso que as pessoas querem. Isso me lembra de um episódio de Friends (sempre eles!), em que Monica e Chandler descobrem que não vão ter dinheiro suficiente pra fazer “aquela” festa de casamento, e ela fala: “I don’t want a wedding, I want a marriage”. No inglês, há uma diferença entre essas duas palavras. Apesar de as traduzirmos sempre como “casamento”, wedding está mais relacionado à festa, e marriage ao casamento em si, ao dia-a-dia de casados. Seria como se wedding fosse o que chamamos de “boda” (a festa de casamento).

A tristeza do nosso mundo hoje é que as pessoas querem só o wedding day e nada mais. Festa e glamour, isso é tudo que importa. Abrir mão, ceder? Jamais. Só que esse é o segredo do casamento. E essas atitudes não devem partir só da mulher não. Muito pelo contrário, devem vir dos dois, do homem e da mulher. Saber ceder, saber dizer não para suas próprias vontades, em prol da felicidade do outro. Dizer “eu te amo” e agir de forma a fazer jus ao que disse. Procurar conhecer as linguagens do amor do outro e falar a ele(a) nessa linguagem. E, claro, sempre estudar o outro. Procurar conhecê-lo mais e mais a cada dia, e descobrir as várias formas de fazê-lo feliz.

Amor não é um sentimento. É uma decisão. Uma decisão que tomamos a cada dia, de amar apesar de. E, claro, de amar, também e principalmente, pelas maravilhosas características que um dia fizeram você se apaixonar por aquela pessoa. Alguém um dia disse que casamento tinha que ser igual a vestibular, que para fazer você precisa estudar antes. Vamos estudar mais, ler, aprender sobre o assunto, porque o número de “reprovações” está só aumentando a cada dia. Uma pena…

A mídia e (um dos) seus problemas

Eu não sou da área, motivo pelo qual alguns podem achar que não devo dar pitacos no assunto, mas me deu vontade de falar, e é isso que vou fazer.

Sei muito bem que “mídia” não quer dizer jornalistas, e não estou escrevendo esse post contra eles. Mídia é bem mais que isso, envolve muitos interesses de grandes empresários, envolve dinheiro. E o que tem de gente que faz literalmente “tudo por dinheiro” não está no gibi… Portanto, aqui não falo contra jornalistas, até porque conheço o trabalho sério de muitos, mas contra quem faz parte da mídia sensacionalista, aquele que ama colocar notícias “escandalosas” no ar para ter audiência, porque sabe que são essas as “novidades” que vão estar na boca de todos no dia seguinte.

Ontem o Fantástico veiculou uma matéria sobre o novo código de ética médica, que entra em vigor amanhã (13/04/2010). E eles iniciaram com a seguinte frase: “Quem nunca se sentiu ignorado por um médico, desatendido?” Ao ler a reportagem, percebe-se claramente a intenção de “fazer a caveira” dos médicos. É como se todos eles fossem arrogantes, não examinassem direito o paciente e tivessem letra feia.

Eu não vou ficar me defendendo aqui. Sou ciente do trabalho que eu e muitos médicos fazemos. Dedicação, atenção, letra bonita, tudo isso existe na classe médica. Mas não quero me demorar com essas coisas. Apenas gostaria de sugerir ao “show da vida” que fizesse uma matéria sobre os médicos. Quem são, como vivem, o tempo que levam pra se formar, em universidades muitas vezes sucateadas, a que tipo de pressão são submetidos, o nível de estresse que sofrem, as condições de trabalho — muitas vezes sem sequer um termômetro ou nebulizador, isso para não falar da falta de medicamentos e até de receituários, o que os obriga a escrever em pedaços de qualquer papel –, além dos baixos salários. E aí, que fique a cargo de cada um avaliar se os atendimentos insatisfatórios são culpa do médico ou dos que o empregam.

Só não se esqueçam de uma coisa: “humanização não se resume simplesmente a ficar pegando na mão do paciente com amor, olhando nos seus olhos ou apenas escutar seus problemas e, sobretudo, aos que não concordam com a visão distorcida de indivíduos que, sob o disfarce de “humanizados”, defendem que são os médicos os principais culpados pela falta de humanização da saúde, em demonstração gratuita e evidente de ódio em relação à tal classe profissional. Humanização se faz através de mudanças na estrutura do sistema se saúde atual, valorizando e capacitando o profissional da saúde e oferecendo atendimento, propedêutica e tratamento de qualidade ao paciente” (Sim à humanização da saúde). Uma parte disso quem faz é o médico. Mas ele não trabalha sozinho, e sim dentro de um sistema, que deveria prover (mas não faz isso, porque apesar de ser lindo no papel, na vida real é cheio de falhas) as outras coisas de que o médico necessita para fazer seu trabalho avançar e não o faz. Pensem nisso. Analisem bem os fatos antes de condenar gratuitamente toda uma classe profissional. Não façam como o Fantástico 😉

Updates

Eu já tive um blog, que apaguei há uns 5 anos, porque na época não fazia mais sentido pra mim, e nem escrevia mais nele. Me arrependo até hoje, porque sei que, mesmo não tendo importância alguma nos dias atuais (vivo muito bem sem ele), tinha um valor sentimental, porque parte do que eu fui, vivi e senti estava ali. É por isso que, embora sinta muita vontade de “fazer uma limpa” em alguns de meus posts — por serem extensos, repetitivos e/ou ruins mesmo — não o farei. Além do mais, daria muito trabalho. Mas prometo que de agora em diante vou tentar fazer posts mais curtos, simples e diretos, evitando as “vãs repetições”. Espero que isso agrade não só a mim, mas principalmente a você que me lê.

Gestação: exercícios reduzem o peso do bebê ao nascer e podem ajudar na prevenção da obesidade futura

Atividades físicas regulares durante a gravidez estão associadas ao peso discretamente mais baixo dos bebês ao nascer e podem ajudar a prevenir a obesidade futura, segundo estudo publicado no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Foi realizado um estudo randomizado e controlado com oitenta e quatro mulheres (de 26 a 34 anos, índice de massa corporal (IMC) médio de 25,5 mais ou menos 4 kg/m²) em sua primeira gestação. As participantes realizaram exercícios aeróbicos de moderada intensidade pedalando por 40 minutos em bicicletas ergométricas em casa, no máximo vezes na semana, e foram comparadas a um grupo controle que manteve suas atividades rotineiras sem alterações durante o período estudado. Não foram incluídas no estudo mulheres de gravidez de alto risco. O objetivo era determinar os efeitos dos exercícios aeróbicos regulares durante a 20ª e a 36ª semanas de gestação em relação à sensibilidade materna à insulina e os resultados para o recém-nascido.

Paul Hofman e colaboradores das universidades de Auckland e do norte do Arizona observaram que os recém-nascidos de mães que se exercitaram durante a gravidez1 apresentaram peso corporal discretamente menor e IMC mais baixo quando comparados àqueles nascidos de mães que não praticaram exercícios, além de apresentarem níveis mais baixos de IGF-I e IGF-II no sangue do cordão umbilical. A sensibilidade materna à insulina não foi afetada pelos exercícios. O peso corporal, apesar de mais baixo, é muito saudável para os bebês e pode ajudar a evitar a obesidade futura nestas crianças.

Os resultados mostram que atividades físicas regulares durante a gravidez estão associadas com peso discretamente mais baixo dos bebês ao nascer e concentrações menores de peptídeos relacionados ao crescimento no sangue do cordão umbilical, sugerindo uma influência dos exercícios na regulação hormonal do crescimento. Estes efeitos no crescimento dos recém-nascidos não estão associados aos efeitos das atividades físicas na sensibilidade materna à insulina. Não houve diferença no comprimento dos recém-nascidos nos dois grupos, na duração da gestação ou no peso corporal materno.

Para a maioria das gestantes saudáveis, a pesquisa reforça a recomendação de pelo menos 30 minutos de atividades físicas moderadas ao menos cinco vezes na semana. Alguns estudos já demonstraram que a prática de até 60 minutos diários geralmente é segura para a maioria das grávidas sem contra-indicação aos exercícios.

(Fonte: The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism de 24 de março de 2010)

Mulheres desaprovam assobios e comportamento sexista

Homens que assediam mulheres com assobios e comentários de teor sexual na realidade prejudicam o gênero masculino inteiro, constatou um estudo. A pesquisa, liderada por Stephenie Chaudoir e Diane Quinn, da Universidade de Connecticut, analisou os sentimentos e as reações de mulheres que viram ou ouviram homens fazendo comentários desairosos para outras mulheres. As pesquisadoras pediram a 114 estudantes universitárias que assistissem a um vídeo e se imaginassem como transeuntes, observando uma cena em que um homem faz uma observação sexista para outra mulher ou simplesmente a cumprimenta. Em seguida, as pesquisadoras pediram às estudantes que atribuíssem pontuações a seus níveis de ansiedade, depressão, raiva e medo em relação aos homens e seu desejo de se afastar de homens ou brigar com eles.

O estudo revelou que, além de ficarem incomodadas, as mulheres tendiam a interpretar a observação machista como insulto às mulheres em geral e a sentir mais raiva e ficarem mais motivadas a adotar ações diretas contra os homens em geral.

“As mulheres sofrem consequências negativas diretas por serem alvos de preconceito e, como demonstra o trabalho atual, consequências indiretas na condição de transeuntes”, disseram as pesquisadoras no estudo.

“Mas o sexismo também prejudica os homens. Sempre que as ações preconceituosas de um homem isolado são atribuídas a sua condição masculina, esse homem vai impactar a visão que as mulheres têm dos homens em geral e as reações delas aos homens.”

O estudo foi publicado no periódico Sex Roles.

(MSN Entretenimento)

Comentário do leitor Renato Jungbluth: As mulheres, no fundo, não gostam de ser o que a evolução faz delas. Deveria fazer parte de sua natureza gostar dos avanços dos homens mais “ativos” e “destemidos”, aqueles que dão em cima, que espalham seus genes. Mas essa condição não se harmoniza com seus desejos e sentimentos. Não é uma fase, não é fruto de um meio, ou uma condição apenas. Mulheres não se tornam desejosas de poligamia em situações de dificuldade. Aliás, deveriam gostar de infidelidade sempre, pois fortalece a espécie. Mas nunca foi assim. A verdade é que mulheres e homens não são animais. Não são um bicho mais evoluído. Homens e mulheres são especiais, e embora tentem nos fazer acreditar no contrário, a realidade não deixa. Para falar do natural, a própria natureza não permite. Embora o naturalismo e a filosofia deste mundo levem a tratar e ver pessoas como animais ou objetos, a natureza da mulher não é assm. As palavras, as doutrinas modernas não podem mudar isso. Mulher não é bicho. Não é objeto. A natureza da mulher é ser especial! Vai dizer que não?

(Retirado do blog Criacionismo)

As coisas que os fãs do SPFW não comentam nos blogs…

ALCINO LEITE NETO
VIVIAN WHITEMAN
da Folha de S.Paulo

Chegou a um nível irresponsável e escandaloso a magreza das modelos nas semanas brasileiras de moda. As garotas, muitas delas recém-chegadas à adolescência, exibem verdadeiros gravetos como pernas e, no lugar dos braços, carregam espécies de varetas desconjuntadas. De tão desencarnadas e enfraquecidas, algumas chegam a se locomover com dificuldade quando têm que erguer na passarela os sapatos pesados de certas coleções.

Usualmente consideradas arquétipos de beleza, essas modelos já estão se acercando de um estado físico limítrofe, em que a feiura mal se distingue da doença.

Essa situação tem o conluio de todo o meio da moda, que faz vista grossa da situação, mesmo sabendo das crueldades que são impostas às meninas e das torturas que elas infligem a si mesmas para permanecerem desta maneira: um amontoado de ossos, com cabelos lisos e olhos azuis.

Uma rede de hipocrisia se espalhou há anos na moda, girando viciosamente, sem parar: os agentes de modelos dizem que os estilistas preferem as moças mais magras, ao passo que os estilistas justificam que as agências só dispõem de meninas esqueléticas. Em uníssono, afirmam que eles estão apenas seguindo os parâmetros de beleza determinados pelo “mercado” internacional –indo todos se deitar, aliviados e sem culpa, com os dividendos debaixo do travesseiro.

Alguns, mais sinceros, dizem que não querem “gordas”, com isso se referindo àquelas que vestem nº 36. Outros explicitam ainda mais claramente o que pensam dessas modelos: afirmam que elas não passam de “cabides de roupas”.

Enquanto isso, as garotas emagrecem mais um pouco, mais ainda, submetidas também a uma pressão psicológica descomunal para manterem, em pleno desenvolvimento juvenil, as características de um cabide.
Um emaranhado de ignorâncias, covardias e mentiras vai sendo, assim, tecido pelo meio da moda, inclusive pelos estilistas mais esclarecidos, que não pesam as consequências do drama (alheio) no momento em que exibem, narcisicamente, suas criações nas passarelas.

Para uma semana de moda, que postula um lugar forte na sociedade brasileira, é um disparate e uma afronta que ela exiba a decrepitude física como modelo a milhões de adolescentes do país.

Para a moda como um todo, que vive do sonho de embelezar a existência, a forma como os agentes e os estilistas lidam com essas moças é não apenas cruel, mas uma blasfêmia. Eles, de fato, não estão afirmando a grandeza da vida, mas propagando a fraqueza e a moléstia.

O filósofo italiano Giorgio Agamben escreveu que as modelos são “as vítimas sacrificiais de um deus sem rosto”. É hora de interromper esse ritual sinistro. É hora de parar com essas mistificações da moda, que prega futuros ecológicos, convivências fraternais e fantasias de glamour, enquanto exibe nas passarelas verdadeiros flagelos humanos.

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Dica da minha amiga Mariana. Impressionante como o “mundo da moda” que adora mostrar o belo, agora se orgulhe em mostrar o feio, e o pior — um feio que não é nada saudável. Quando será que isso vai mudar? Quem vai precisar morrer pra que se dê um jeito nessa situação? Até lá, a anorexia e bulimia continuarão se alastrando, e as que usam número maior que 40 continuarão sendo chamadas de gordas e invejosas, e se sentindo indignas de receber amor

Leia também: Hipermagreza domina passarelas do SPFW

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