Pensamentos

Novo blog

Este blog continua aqui: http://daniellavirmes.blogspot.com/

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Cerca de 3 milhões de pessoas visitam o Taj Mahal todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 43,000 vezes em 2010. Se este blog fosse o Taj Mahal, eram precisos 5 dias para que essas pessoas o visitassem.

 

Em 2010, escreveu 76 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 337 artigos. Fez upload de 163 imagens, ocupando um total de 16mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por semana.

O seu dia mais activo do ano foi 25 de outubro com 391 visitas. O artigo mais popular desse dia foi Feliz dia do dentista!!!.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram google.com.br, search.conduit.com, coisasquegosto.com, twitter.com e mail.live.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por como arrumar o guarda roupa, gostar de quem não gosta de mim, pensamentos sobre a vida, sexismo e couple

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Feliz dia do dentista!!! outubro, 2008

2

“Gostar de quem não gosta de mim…” outubro, 2008
138 comentários

3

Pra arrumar seu guarda-roupa de uma vez! julho, 2009
3 comentários

4

Namoro à distância janeiro, 2009
22 comentários

5

Discípulo x Apóstolo fevereiro, 2008
5 comentários

De mudança

Já estava ficando cansada desse blog aqui. Não só por causa do layout, que não dá pra mudar a menos que se pague e se tenha muito conhecimento de CSS — e eu não conseguia me contentar com nenhum dos templates oferecidos pelo WP –, mas também porque as coisas que eu escrevia aqui não se parecem mais comigo, com o que eu penso hoje. Não sou mais a pessoa que iniciou esse blog em 2008. E meio que estava escrevendo por escrever.

Resumindo: quero recomeçar. Num lugar diferente. Novos ares sempre fazem bem, não é? Mas esse blog não será apagado. Não posso fazer isso, pois representa muito pra mim. Só continuarei a escrever noutro lugar, porém este sempre ficará disponível a quem quiser fuçar :)

Encontrem-me agora aqui.

Não morra por uma dieta

O post anterior me fez pensar nisso: se você quer ajudar outras pessoas que têm anorexia e/ou bulimia, que tal fazer um post em seu blog com o mesmo título deste e anexar o vídeo? O site www.dontdieforadiet.com foi desativado, pelo que pesquisei, mas nós podemos — e devemos — divulgar essa ideia: não morra por uma dieta!

Lute pela vida

Que eu sou contra a pressão da mídia pelo corpo perfeito, já deu pra perceber pelo que escrevo por aqui. Porém, parece que algumas pessoas não sabem é que eu sou contra a DITADURA DA MAGREZA e não tenho nada contra as pessoas que têm o corpo naturalmente magro. Não sei como alguém pode pensar isso a partir de meus textos, mas quero desfazer qualquer mal-entendido.

Dito isso, venho falar do que REALMENTE sou contra.

Gente, vocês realmente acham que isso é normal? Que é bonito? Nunca, né? E elas não são assim porque nasceram assim, elas se tornaram assim, caso contrário estariam desempregadas.

Sabe por que falo isso? Leiam aqui o que foi falado por algumas modelos (retirado de seus próprios blogs) após o falecimento de Ana Carolina Reston Macan, morta por anorexia nervosa:

1 – “Olá pessoal!!!
NF indo bem. O assunto hoje é outro. Nestes anos q passei entre a Ana e a Mia, já vi muitas garotas morrerem, o caso de Ana Caroline não foi o primeiro nem será o ultimo. Porque ninguém entende isso de uma vez? A verdade é triste e dói, mas é uma só.

Hoje fiquei uns minutos esperando na fila do banco,do meu lado havia uma menina pouca coisa maior q eu e muito, mas muito mais magra mesmo, e na minha frente uma senhora com o corpo q costumam dizer ‘normal’ a tal mulher reclamava de tudo até da cor do cabelo dos outros, de um momento pra outro começou dizer q a gente tem q se cuidar pra não morrer ‘Viu o caso da modelo né?’. Eu, como sou super ZEN, dei um sorriso e deixei ela falar, mas a garota não gostou muito do assunto e deu as costas pra ela, ignorando completamente.

Só estou dizendo isto pra vcs verem q não é motivo pra se assustarem, logo esse povo esquece.”

2 - “Não estou muito bem, psicologicamente e fisicamente falando… miando muito, as vezes comendo muito mais do q o humanamente aceitavel, outras ficando s/ comer.. tinha parado de fumar, de beber meus chás.. Eu odeio essa mídia maldita.. só fazem sensacionalismo em cima do sofrimento alheio e ainda chamam atenção p/ nós.. Tá todo mundo no meu pé.. minha ‘sorte’ é q engordei.. pq se não ia ouvir da minha mãe.”

3 - “Definitivamente agora eu me considero uma ana. Estou 4 dias sem comer e completamente sem fome e vontade de comer… Sabe o q me estimulou e ficar assim?? primeiro foi ler um blog de uma menina q estah no hospital por estar 3 semanas sem comer!! e outra… a modelo q morreu essa semana com 40kgs!! ok, deveria assustar, me estimulou… isso eh estranho demais… perdi 5kgs! estou secando… literalmente…”

4 - “Meu luto de ontem era óbviu né! pela modelo Ana Carolina Reston… ta q eu eu não conheci mesmo… ñ axo q o MÁXIMO disso é a morte ñ!! ela só keria ser PERFEITA… ñ queria morrer né!”

Glossário

NF - NF é No food (sem comida, em inglês), prática de cortar a alimentação por completo por alguns dias.

Ana - Ana é o apelido carinhoso com o qual as vítimas de anorexia se chamam. A anorexia é um distúrbio alimentar grave que faz com que meninas, mesmo magras, se sintam gordas.

Mia - Mia é o apelido carinhoso com o qual as vítimas de bulimia se chamam. A bulimia é um distúrbio marcado por episódios de compulsão alimentar seguidos de culpa.

Miando - Miar significa vomitar. As vítimas de anorexia e bulimia costumam vomitar para evitar que o organismo absorva os alimentos, muitas vezes ingeridos por pressão familiar ou para satisfazer momentaneamente a vontade de comer.


É contra isso que sou. Contra a magreza doentia, provocada, e contra o achar que isso tudo é muito natural. Andei pesquisando sobre o assunto, e quantos sites existem PROMOVENDO a bulimia e a anorexia! Isso me revolta e me entristece muito. Vejam o que encontrei num desses blogs:

eu quero morrer…..só isso q tenho a dizer.

não to bem.

não to com saco d falar nada.

só estou mto deprimida.

preciso emagrecer.preciso emagrecer.preciso emagrecer.

PRECISO ME LIVRAR DESSAS BANHAS NOJENTAS QUE ME FAZEM SER UM SER INFERIOR.

Fiquei preocupada e penalizada, imaginando quantas meninas assim estão a sofrer por aí. E quantas irão morrer por causa dessa maldita doença.

É muito triste. É culpa da mídia? É. É culpa de quem te cobra o tempo todo por um corpo “perfeito” (como se esse perfeito fosse algo bem definido e imutável)? Pode ser. Mas a culpa maior é da gente, mesmo. Ficamos nos cobrando essas coisas de forma doentia. Temos que cuidar da saúde, ter um corpo legal, temos que fazer exercícios e nos alimentar de forma balanceada. Mas não devemos nem entrar na neura que o mundo quer que a gente entre, nem fazer outros entrarem também. É loucura. Mata!

Por favor, se você tem esse problema, busque ajuda! Não se deixe levar pelo que dizem, não pense que está gorda, seu cérebro está enganando você! Somos lindos aos olhos de Deus, e se Ele nos vê assim, que importa o que dizem? Você não precisa perder peso para ser bonita, acredite, todos, TODOS temos uma beleza especial, única! Não queira morrer, lute pela vida! Clique aqui para saber onde encontrar ajuda. E assista esse vídeo:

Mal resolvida?

Às vezes as pessoas te alertam: “não faça/fale assim, senão vai parecer que você é ‘mal-resolvido’. Outras já xingam logo: “fulana é mal resolvida!” E todo mundo acha isso muito normal. Mas será que é mesmo?

Eu, por exemplo, acho que sou mal resolvida em algumas coisas. Peso é uma delas. Não queria ter o peso que tenho, mas, ao mesmo tempo, não aceito o preconceito – já sofrido por mim inclusive – que existe com quem está acima do peso, nem aceito a pressão para se ter a ‘imagem’ do momento, aquela constantemente bombardeada pela mídia, que dita que as belas são as magrinhas. E por não concordar com isso, falo muito sobre o assunto, aqui e mais ainda no twitter. Coisa que já fez gente “irritar-se” comigo.

Mas eu pergunto: e daí se sou mal resolvida? Há algum problema nisso? Todo mundo tem alguma coisa mal resolvida em sua vida:

  • Sexualidade: não tem nem o que falar
  • Casamento: mostram-se felizes com a decisão de casarem, mas no fundo não estão muito certos quanto a isso
  • Solteirice: mostram uma felicidade por ser solteiros que não existe quando estão sozinhos em casa
  • Questões acadêmicas: fingem que não se importam, mas queriam ter feito faculdade, ou outro curso diferente do que fizeram, ou um mestrado
  • Questões profissionais: não gostam da profissão que escolheram, queriam ter seguido outro rumo

E o pior é que, semelhantemente à questão da baixa autoestima, as pessoas usam o “ser mal resolvido” como crítica, quando não usam como xingamento. Quando alguém é bem resolvido com muita coisa, quando tem autoestima elevada, não vejo problema em elogiar-se isso. Mas não creio ser saudável criticar/xingar quem tem baixa autoestima, bem como quem é, segundo eles, “mal resolvido”. É terrível para alguém ter baixa autoestima ou ser mal resolvido em relação ao que quer que seja, e, como se não bastasse isso, ainda ter que ouvir o tempo todo – não como forma de alerta ou de tentar ajudar, e sim como uma pressão para mudar imediatamente, ou como um insulto – que você é/tem todas essas coisas.

Se um dia eu for apresentada a alguém que é bem resolvido com relação a tudo – quero dizer TUDO MESMO – em sua vida: aparência, estado civil, profissão, etc., eu mudo minha opinião. Mas até lá, continuo com a que tenho agora. E faço um apelo: se você conhece alguém mal resolvido e/ou com baixa autoestima, primeiro analise se você não é assim também. E só depois vá falar com ela. Mas com amor, com carinho, no intuito de ajudar, e não apenas criticar, deixar a pessoa super magoada, e sair ileso, como se nada houvesse acontecido. E lembre-se: sempre seremos mal resolvidos em relação a algo. Fôssemos perfeitos e adorássemos tudo em e sobre nós mesmos, sem achar que em nada precisamos mudar, e já estaríamos no paraíso. Ou no inferno…

Casamento é tudo igual?

NOTA: O texto não é meu, mas gostei e resolvi compartilhar com vocês.

………………

“No fundo, casamento é sempre a mesma coisa; só muda a pessoa”.

A frase é da atriz Helena Ranaldi, que estreou no Rio o espetáculo “A música segunda”. Sua personagem é uma mulher que reencontra o ex-marido depois de três anos. Os dois lavam a roupa suja da relação mal-resolvida. Até aí tudo bem, não é raro ex-casais guardarem mágoas, dizerem cobras e lagartos um para o outro e tudo o mais. O que estranhei foi a frase sobre o casamento.

Discordo totalmente.

É certo que muitas pessoas repetem alguns erros do passado em novas uniões. Também é certo que muitos casamentos tenham características comuns, situações e conflitos semelhantes. Mas casamento não é “sempre a mesma coisa” de jeito algum.

Cada relacionamento tem um par e duas variáveis – seja um casal heterossexual ou gay. Se uma das variáveis sai, muda tudo. A interação entre a nova dupla vai ser bem diferente da anterior. Sem falar que uma mesma pessoa também se transforma de um casamento para outro. Ela aprende com as experiências que passaram, cria novas expectativas. Sem falar numa pitada de acaso, de sorte, do imponderável. Na verdade, o casamento não é igual nem dentro da mesma união. Começa de um jeito, vira outra coisa, depois se transforma de novo.

Eu estou no segundo casamento. Para mim, é como se eu estivesse vivendo em dois planetas diferentes. Com todas as pessoas descasadas e re-casadas que eu conheço também é assim. Histórias bem diferentes.

Há casamentos em que voltar para casa é uma agonia. Outros em que já se coloca a chave na fechadura sorrindo.
Há casamentos em que se fica estarrecido diante de um casal se beijando no meio da rua (onde é que foi parar aquilo tudo?). Em alguns, são os outros que olhar pra você (que nem percebe).
Há casamentos em que ir ao bar da esquina tomar uma caipirinha é o melhor da vida. Em outros, Paris pode ser o inferno.
Há casamentos em que, quando tudo vai mal, o parceiro é um atenuante. Em outros, é peso. Há casamentos que não merecem ser chamados assim. Em outros, o nome é pouco. Deveriam se chamar Encontros, assim, com E maiúsculo.

E mesmo indo bem ou indo mal, jamais são a mesma coisa.

(Do blog 7×7)

Feios: resenha

Bom, como prometido, vou falar sobre o livro Feios! Mas atenção: pode ser que você não queira ler, pois o post pode conter spoilers hehehe…

O livro, como já mencionei, fala sobre um mundo onde o certo é ser perfeito. Todos, quando chegam à idade de 16 anos, têm que fazer uma cirurgia plástica, o que é imposto pelo governo. Essa cirurgia torna a pessoa perfeita, a qual deixa de viver em Vila Feia (onde só moram os feios) e vai viver em Nova Perfeição — local onde as pessoas vivem sempre felizes e festejando a vida, sem quaisquer problemas.

Mas acontece que há pessoas que não aceitam essa imposição. Não se acham feias, e não querem mudar sua aparência. E a personagem principal do livro, Tally Youngblood — que sonha em fazer 16 anos para se tornar perfeita — conhece uma dessas pessoas, Shay. Ela não quer fazer a cirurgia, e tenciona fugir para Fumaça, local para onde vão aqueles que pensam diferente da maioria.

E é exatamente a partir daí que a história começa a ficar empolgante: Shay, é claro, convida Tally para ir com ela para Fumaça. Mas Tally fica em dúvida. O que ela não sabe é que está prestes a descobrir coisas que nem imaginava sobre o que está por trás dessa cirurgia, e como a ideia é mudar não apenas o corpo, como também o modo de pensar das pessoas.

Existem muitas coisas boas nesse livro. Pra mim, a melhor delas é o debate sobre a obsessão com a aparência. E o mais legal é que ele (o livro) fez o assunto ficar interessante para adolescentes, que geralmente não se interessam por temas desse tipo, até porque a maioria realmente acredita que precisa parecer com os meninos e meninas das capas de revistas. Não precisamos parecer com ninguém, exceto conosco mesmos. Quem disse que pra ser lindo tem que ter o cabelo desse ou daquele jeito, parecer-se com tal pessoa, ter olhos dessa ou daquela cor? Isso não existe, e o livro traz essa ideia.

Outra coisa legal são os toques sutis que o autor faz, ao longo dos capítulos, de como a sociedade daquela época (que parecer ser posterior à nossa, a qual é sempre criticada pelos perfeitos, mas melhor compreendida pelos “Enfumaçados”, os habitantes de Fumaça) sempre tenta “maquiar” tudo, nunca deixando que as coisas — nem a aparência das pessoas — sigam seu curso natural. Todo mundo se acha feio, e é natural se achar assim, visto que a sociedade impôs esse pensamento. Interessante notar que, apesar de se passar no futuro, a trama traz semelhanças com nosso mundo de hoje: não há uma tentativa totalmente exagerada de fazer “o tempo parar” esteticamente falando? Não existem pessoas pessoas magras que acham que sempre têm uns quilinhos a mais pra perder? Ou pessoas que consideramos lindas que encontram sempre um defeitinho aqui e ali?

Também se fala sobre a questão do pensamento igual. Quase todo mundo acha que TEM que fazer a cirurgia, que TODOS que não a fazem são feios e tem vidas tristes e tediosas e que o CERTO é ser perfeito e viver sem pensar em nada mais sério que festas e afins… O mundo (sociedade, pessoas em geral) hoje quer que todos se enquadrem num determinado padrão. E, junto com a mídia, consegue fazer a gente achar que nunca seremos bonitos o suficiente. Mas “esquecem” de avisar que esse padrão, com o tempo, vai mudar. O que é bonito hoje não será daqui a alguns anos, ou mesmo meses. E aí, o que farão aqueles que quiseram se adaptar ao padrão de hoje, que foram ‘catequizados’ para serem desse ou daquele jeito?

Cada um é como é. Temos que nos cuidar, não estou fazendo apologia à obesidade ou ao comer mal. É mais um alerta para que a gente se ame como é, com os pneuzinhos, com a cor de olhos e cabelos, com a cor da pele e o corpo que Deus nos deu. Cuidado sim, obsessão não. Mas não preciso falar tanto. O livro faz isso bem melhor que eu, e de forma bem mais criativa. Leia e comprove ;)

Mulher, trabalho, filhos…

Muito se falou e ainda se fala sobre a mulher que não quer ter filhos. Alguns chegam a dizer que são egoístas, que só pensam em si mesmas e por aí vai. Então, imagina-se, o que se espera de uma mulher, segundo estes, é que tenha filhos. Mas ei, alto lá. Não é só isso que se espera. Querem também que os filhos sejam limpinhos e bem-educados. Essa é a regra: você, mulher, tem que parir, e seus rebentos precisam ser anjos de candura.

E quem diz estas coisas? Aquelas que dizem que as que não querem ter filhos são egoístas. E ainda dão a receita do bolo: o negócio é você se dedicar a eles, não trabalhar pro resto da vida, porque aí terá filhos excelentes! E elas, realmente, não trabalham. Algumas podem se dar ao luxo de fazer isso, pois deram o golpe do baú têm maridos ricos, e vivem que nem dondocas, cujas únicas atividades são fazer compras, falar e ler futilidades e cuidar dos pimpolhos. Outras não têm tanta condição assim, e agem dessa forma porque creem piamente que é o melhor.

Mas o que tenho visto é exatamente o contrário. Conheço algumas mulheres (não vou dizer quem são nem como as conheci, óbvio) que não trabalham, muitas inclusive porque creem que “assim é o melhor”, quando não chegam a soltar o ridículo “é a vontade de Deus”. Tais mulheres frequentam reuniões femininas, que supostamente as ajudariam a ser melhores esposas e mães. Porém, apesar de tudo isso, algumas delas têm filhos que são verdadeiras pestes, com o perdão do termo. Crianças para as quais escovar os dentes é atividade semanal, e não diária (podem deixar cair o queixo, eu também fiquei assim quando ouvi), que dormem mais tarde que eu e que assistem programas de tv no mínimo inapropriados para suas idades.

Enquanto isso, conheço outras tantas que trabalham fora (claro que algumas têm a bênção de ter pais ou sogros por perto, mas mesmo assim…), mas que também se dedicam ao esposo e aos filhos, cujas crianças, essas sim, são educadas, estudam direitinho e são limpinhas. Ah, e só assistem programas adequados pra elas, dormindo bem cedo. Não são perfeitas, claro, mas estão a anos-luz de distância daquelas, cujas mães acreditam estarem fazendo o que Deus quer.

Minha mãe sempre trabalhou fora, e faz isso até hoje. Não só pra ajudar no orçamento, mas porque se realiza no que faz. Eu creio que a mulher, quando decide ter filhos, tem que maneirar no trabalho. Principalmente nos primeiros anos de vida da criança. Isso, inclusive, foi minha mãe que me ensinou — e fez. Mas não precisa deixar de trabalhar eternamente. O trabalho nos faz sentir úteis, é uma verdadeira terapia (quando trabalho não me concentro nos meus problemas, mas nos dos outros, que eu tenho que resolver, e isso alivia a mente, além de nos ajudar a ser menos egoístas), nos dá o sustento e nos realiza. Será que só o homem pode se sentir realizado e a mulher não?

Eu não sou feminista, como sempre falo. Também sou contra essa ideia da super-mulher: tem que ser ótima profissional, excelente mãe, esposa inigualável, e, claro, manter-se sexy 24 horas por dia. Isso é impossível. Ponto. Mas se a mulher quer se realizar fazendo algo de que gosta e ainda ganhando por isso, e quer também ser mãe, quem somos nós para impedí-la ou criticá-la? Conheço várias, imperfeitas, sim, mas que estão se saindo muito bem nas duas tarefas, enquanto que aquelas que pensam estar fazendo o melhor, por ficarem em casa, estão é prejudicando os filhos. Não todas, mas muitas sim…

A própria Bíblia fala da mulher que trabalha (e por isso que acho ridículo quando se diz que Deus não quer isso): “Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho” (Provérbios 31:16). Aqui a Bíblia fala da “mulher virtuosa”. Ela compra uma propriedade, planta uma vinha com as rendas do seu trabalho! Eu não precisaria falar mais nada, mas cito novamente Provérbios 31: “Cinge os lombos de força e fortalece os braços. Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite…não come o pão da preguiça” (versos 17, 18 e 27). Então, parem de usar Deus e a Bíblia como desculpas para sua falta de vontade…

E quanto àquelas que não querem ter filhos: será que são tão egoístas como se pinta? Ou mais egoísta é a mãe que tem filhos, fica o tempo todo em casa, mas não se dedica de verdade às suas crianças, que muito em breve, se a situação não mudar, tornar-se-ão insuportáveis? De nada adianta não trabalhar, mas ficar em casa sem fazer nada, “comendo o pão da preguiça” e achando que educar é igual a deixar os filhos fazerem o que querem. Melhor não ter filhos do que tê-los e deixá-los por conta própria. Isso sim é que é errado.

Quando a beleza se torna um problema de trabalho

Antes de mais nada, preciso dizer que não sou feminista. Não concordo com essa filosofia de vida, corrente de pensamento, ou o que quer que seja. Mas não apoio o sexismo, não concordo com “essa batata frita é de menino e aquela, de menina” , nem acho certo tratarmos homens e mulheres de forma diferente na questão profissional. Ainda por cima, me incomoda muito a preocupação exagerada com a aparência que existe hoje em dia, tanto que sempre comento isso aqui. Por isso tudo, resolvi reproduzir aqui uma entrevista feita pela jornalista Letícia Sorg, da revista Época, em que ela conversa com Deborah Rhode, uma advogada americana que defende a criação de uma lei para proteger as pessoas da discriminação pela aparência.

Leia e comente!

………………………………………………

A advogada americana Deborah Rhode, autora do livro The Beauty Bias (algo como, O preconceito da beleza), defende que é preciso criar uma lei que proteja as pessoas de serem discriminadas, no ambiente de trabalho, por causa de sua aparência. Ela revela que, nos Estados Unidos, ser mais bonito (ou mais alto, no caso dos homens) pode significar ganhar 16 mil dólares a mais por ano – sem que isso tenha qualquer relação com ter mais competência. E que a aparência física pesa muito mais para as mulheres do que para os homens. Deborah, que é professora de Direito na Universidade de Stanford, afirma que elas sofrem quando se cuidam menos do que a sociedade espera e também quando se cuidam mais do que a média. E como adivinhar quanto é pouco e quanto é muito? Haja jogo de cintura e paciência…

Deborah afirma que as mulheres têm menos escolha quanto à própria aparência do que imaginam. Usar ou não salto alto e maquiagem pode não ser uma questão de gosto pessoal: pode ser uma exigência social e uma espécie de código não-explícito ou explícito de conduta no trabalho.  De fato, há casos em que o salto é parte do uniforme. E quem já não viu recepcionistas padronizadas com a mesma cor de sombra nos olhos? Até que ponto os empregadores devem ter direito de exigir certos padrões de aparência e cuidados?

Entrevistei Deborah para entender melhor o que é esse “preconceito da beleza” e publico no Mulher 7×7 de que forma esse problema afeta especialmente as mulheres. Leia a entrevista publicada na edição impressa de ÉPOCA.

Como a senhora decidiu escrever sobre o “preconceito da beleza”?
Deborah Rhode –
Eu presidia uma comissão sobre mulher e trabalho da American Bar Association (o equivalente americano à OAB) e estava em um evento em Londres.  O encontro estava acontecendo em vários lugares da cidade e uma ameaça de bomba paralisou o metrô no dia aniversário da Rainha Mãe. O trânsito estava horrível e não havia nenhum meio de transporte público para ir de um lugar para outro. Então, notei que estava rodeada por mulheres muito bem-sucedidas, mas reduzidas a cacos por causa de seus sapatos. Elas não conseguiam andar nem uns poucos quarteirões e me dei conta da ironia da situação. Senti empatia por aquelas mulheres naquele dia em Londres. Eu tive sorte porque tinha um sapato confortável dentro da bolsa. A desigualdade nos sapatos é uma pequena desigualdade que mantém as mulheres para trás. Nesse caso, literalmente. Então, comecei a notar nos tabloides, na viagem de volta para casa, que nenhum anúncio de calçado mostrava algo remotamente confortável. Se os homens podem ser sexy sem a ajuda de um sapato, por que as mulheres não podem?

Então, tendo todo o tempo de um voo transatlântico, escrevi um artigo satírico para o New York Times. Nunca tinha tido tanto retorno! As pessoas me mandaram suas histórias com sapatos, com as dores no pé e nas costas. Descobri que 80% das mulheres têm problemas no pé ou nas costas, a maioria relacionada aos calçados que usam. As mulheres fazem isso a si próprias, é verdade. Mas há uma questão cultural por trás do problema. Todos os direitos pelos quais as associações de direito da mulher têm lutado nos últimos 25 anos não foram suficientes para tornar os gêneros mais iguais. Sob alguns pontos de vista, as coisas só têm piorado. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que mais mulheres estão insatisfeitas com sua aparência agora do que há alguns anos. E um número maior sente uma pressão social para se submeter a práticas estéticas nem sempre saudáveis. Este é um mundo que gasta 200 bilhões de dólares por ano em produtos de beleza, muitos classificados por dermatologistas como fraudes. Eu me interessei em entender, do ponto de vista cultural, o que está motivando o nosso excesso de preocupação com a aparência. Quais são os custos sociais que isso tem e o que podemos fazer a respeito em termos de legislação.

A senhora afirma que as mulheres são as principais vítimas do preconceito de aparência. Por quê?
Os homens sofrem também com o problema, especialmente os mais baixos ou acima do peso. Mas as mulheres são mais prejudicadas porque os padrões estéticos são mais limitados e o preço por não atingi-los é maior. Elas são punidas por não se preocupar o suficiente e também por se preocupar demais com a aparência. Quem exagera nos cuidados é tido como narcisista, fútil. Quem se importa de menos é tido como preguiçoso, não profissional. Em minha opinião, a sexualização da mulher é uma maneira de puni-la, de diminuí-la no ambiente de trabalho. Um dos muitos exemplos que dou no livro: certa vez, Hillary Clinton (secretária de Estado americana) foi criticada por ter um quadril muito grande. Também vimos comentários sobre a aparência de Elena Kagan, nomeada para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Como se ser atraente fosse uma credencial para fazer parte da Corte Suprema. Nenhum indicado homem teve de falar a respeito disso em sua sabatina no Congresso.

Recentemente, uma ex-funcionária do Citibank decidiu processar o banco alegando que foi demitida por causa de sua aparência, sensual demais. As belas também sofrem?
Em algumas funções, geralmente as de alto escalão, antes ocupadas quase totalmente por homens, mulheres muito sexy ou atraentes não são consideradas inteligentes o suficiente. Elas também são julgadas por suas medidas, não por seus méritos.

A senhora já sentiu na pele o “preconceito da beleza”?
Eu estava organizando um encontro sobre igualdade de gênero e trabalho e  imagem dos palestrantes, a minha inclusive, ia ser projetada em um telão durante o evento. Minhas amigas, então, ficaram muito preocupadas em como eu ia aparecer e queriam contratar uma pessoa para me ajudar a comprar roupas, fazer maquiagem, mudar o cabelo. A ironia é que eu, como organizadora do evento, não tivesse uma única roupa que se ajustasse à ocasião. A situação toda foi um tanto ridícula, mas eu sabia que elas tinham uma boa intenção. Então, do meu bolso, paguei por um novo visual. Dou risada agora ao pensar que, ao assumir cargos administrativos, as pessoas me incentivavam a ir fazer compras. Diziam: “Você tem que se preocupar mais com isso!”. Eu me enquadrei, como muitas pessoas, a essas exigências do trabalho. Mas hoje estou numa posição muito confortável (como professor universitária) porque os alunos realmente não ligam para a minha aparência. Ainda tenho as roupas que uso em ocasiões especiais, mas não uso mais sapatos desconfortáveis.  Mas, depois de saber de todos os problemas nos pés e na coluna causados pelos sapatos, peguei todos os sapatos com saltos muito altos e doei para a caridade. Agora só uso sapatos com os quais eu realmente consiga andar.

Estava dando uma outra entrevista e a jornalista me disse: “Gosto de salto alto. Ele me faz me sentir sexy e bonita nas fetsas”. Eu disse: “Ótimo”. Desde que seja uma escolha pessoal, não algo imposto por seu patrão e necessário para a sua avaliação como profissional.

A senhora se submete a algum tratamento de beleza?
Faço luzes no cabelo. Mas pretendo resistir às tentações do botox e dar um bom exemplo. De qualquer maneira, o problema não são as escolhas pessoais, mas as pressões sociais. Qualquer que seja sua escolha, você pode fazer a sua parte para promover uma sociedade que não imponha punições baseadas na aparência.

Há saída para as mulheres, já que elas são punidas por não seguir ou por seguir os padrões de beleza?
Acho que temos que questionar o que considerar quais são as nossas preferências pessoais. Quem estamos tentando agradar com elas? Temos também que nos educar sobre as imensas quantidades de dinheiro que gastamos com cosméticos que não funcionam. Uma vez comprei um pote de creme que custava 55 dólares. Aquela foi a última vez que fiz isso. Temos que estar conscientes dos riscos das cirurgias plásticas, dos riscos do efeito sanfona no peso. As mulheres têm que entender que não se trata de um problema pessoal, delas com seus próprios corpos, mas social e político.

O movimento feminista ajuda as mulheres a lidar com a pressão pela aparência?
A história de que feministas teriam ateado fogo a sutiãs em frente a um concurso de beleza – na verdade, eles foram depositados junto com itens de maquiagem e outros acessórios numa lata de lixo – gerou a ideia de que as feministas eram feias e desajustadas. Hoje algumas feministas veem a aparência como parte da atitude de mulher, uma questão de escolha. Outras, porém, dizem que as escolhas são culturalmente restritas. Não há uma posição coerente a respeito do assunto. As feministas estão divididas entre usar ou não usar salto alto, Botox e silicone. Para mim, a preocupação com a aparência não é só uma questão de escolha pessoal. Temos de pensar nas limitações impostas pela sociedade e na maneira como as pessoas são punidas por não segui-las; no preço que pagam, financeira e psicologicamente, por não se preocupar com a aparência na medida que a sociedade espera. É importante fazer as pessoas perceber os aspectos perniciosos dessa preocupação e que é possível fazer algo para mudar. Seja uma lei, um boicote permanente, outras formas de políticas públicas. Não me iludo com o que podemos ou não mudar por meio dessas ações, mas podemos fazer muito mais do que fazemos agora.

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